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terça-feira, novembro 05, 2019

Novo edifício da Câmara de Valongo representa uma trilobite

O novo edifício a construir da Câmara de Valongo representa uma trilobite, segundo o conteúdo patrocinado do Jornal de Notícias anunciado ontem, 4 de Novembro de 2019.

É fantástico ver a paleontologia a inspirar a arquitectura e a contribuir para a sociedade desta forma.

Imagem: JN

segunda-feira, junho 17, 2019

Portugal é o 16º país com mais cientistas por habitante

Portugal tem 3799 investigadores por cada milhão de habitantes, o que o faz o 16º país com mais investigadores por habitante, à frente de países como a Alemanha, China, França, Holanda e Espanha. Em primeiro lugar estão a Finlândia, Islândia, Singapura, Dinamarca e Japão.


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PosiçãoPaísInvestigadores por milhão de habitantes
1Finland7707
2Iceland7315
3Singapore6088
4Denmark5670
5Japan5573
6Norway5468
7Sweden5239
8Luxembourg4748
9United States of America4663
10Republic of Korea4627
11New Zealand4365
12UK4269
13Canada4260
14Australia4224
15Austria4123
16Portugal3799
17Germany3532
18France3496
19Slovenia3490
20Switzerland3436
21Belgium3435
22Russian Federation3191
23Ireland3090
24Netherlands3089
25Jordan3030
26Estonia2966
27Spain2944
28Czech Republic2886
29China2650
30Lithuania2547

Fonte: http://data.uis.unesco.org/Index.aspx?DataSetCode=SCN_DS&lang=en  + http://chartsbin.com/view/1124?fbclid=IwAR1KnVsgAN5YKP72f4sAWovLEcZQIdeilaiFShrhjKcH5L5gpwb69orol3E

sábado, junho 23, 2018

Parque dos Dinossauros atrai mais de 14 milhões de investimentos turísticos na Lourinhã

Medir o impacto económico da ciência é difícil, e da paleontologia ainda mais. Contudo há notícias entusiasmantes dos efeitos multiplicadores e externalidades que a Paleontologia tem na sociedade.
O SAPO anunciou hoje que o Parque dos Dinossauros atrai mais de 14 milhões de investimentos turísticos na Lourinhã, numa notícia que replicamos aqui:



Parque dos Dinossauros atrai mais de 14 milhões de investimentos turísticos na Lourinhã

23 jun 2018 10:07
MadreMedia / Lusa

O Parque dos Dinossauros da Lourinhã, que recebeu 150 mil visitantes desde que abriu em fevereiro, está a atrair a este concelho do distrito de Lisboa novos investimentos turísticos que totalizam mais de 14 milhões de euros.

“Desde a abertura do Dino Parque que se nota uma maior procura de informação sobre o concelho por parte de investidores nacionais e estrangeiros em diferentes áreas de negócio”, respondeu o município hoje à agência Lusa.

Este ano, dois novos aparthotéis entraram em obra, de acordo com fontes próximas dos promotores, ambos estrangeiros.

As instalações da antiga Escola Agrícola, encerrada em 2009, vão dar lugar a 90 apartamentos turísticos, num investimento de quatro a cinco milhões de euros, enquanto 2,5 milhões de euros, na maioria oriundos da Áustria, estão a ser investidos na requalificação da antiga Estalagem da Praia da Areia Branca, onde vão surgir 41 apartamentos.

Desde 2015, entraram na câmara 11 processos de obras para projetos turísticos, que somam 460 novas camas e um investimento total de mais de cinco milhões de euros, de acordo com dados divulgados à Lusa pela Câmara Municipal.

Desses, nove já obtiveram licenciamento para iniciar as obras e dois estão em fase de licenciamento.

Segundo a autarquia, em fase de intenção de negócio estão investimentos superiores a nove milhões de euros, com um total de 720 camas previstas, tendo sido aprovados os cinco pedidos de informação prévia que entraram nos últimos três anos.

Um deles corresponde ao investimento de quatro milhões de euros num novo hotel na Praia da Areia, com 80 quartos e 160 camas, cujo projeto vai em breve dar entrada na câmara para licenciamento, disse à Lusa fonte próxima do promotor.

Os investimentos vêm aumentar a competitividade turística e aumentar o número de camas num concelho que “não consegue acolher todos aqueles que, em turismo ou em negócio, queiram pernoitar no território”, reconhece a autarquia.

A Lourinhã possui 2.100 camas turísticas, de acordo com o Registo Nacional de Turismo.

Em 2011, o Plano Estratégico da Lourinhã identificou como lacuna a falta de hotéis para aumentar a capacidade de alojamento no concelho, estabelecendo como prioridade a atração desse tipo de investimentos.

Para ir ao encontro dos investidores, o município criou o Gabinete de Apoio ao Empresário da Lourinhã e baixou a derrama para empresas na área do turismo.

A autarquia oferece ainda condições de incubação de projetos na StartUp Lourinhã e está a investir na requalificação urbana da vila e do litoral do concelho.



segunda-feira, abril 23, 2018

Colecção de cartões com dinossauros

O Dinoparque Lourinhã e a rede de supermercados Pingo Doce associaram-se para criar uma colecções de cartões de dinossauros, ao jeito das antigas colecções de cromos. Este álbum chamado "Super Animais 3 - Dinossauros" foi um sucesso. Os 108 cartões, em cartão do tamanho de 54 x 80 mm, arrumam-se numa caderneta de 26 páginas e agrupados por: os primeiros dinossauros, os saurópodes, os ornitísquios, os terópodes, os "dinossauros perigosos", os "dinossauros gigantes e miniatura", os "amigos dos dinossauros", esqueletos, ovos e ninhos, e sobreviventes dos dinossauros. Cada cartão aborda um dinossauro ou uma temática e entre eles contam-e alguns portugueses: como o Lourinhasaurus, Miragaia, Allosaurus, Iguanodon, Lourinhanosaurus, Baryonyx, Torvosaurus, Lusotitan e ainda os ovos de dinossauro e crocodilomorfos de Portugal. Além disso, inclui os géneros Angolatitan e Europasaurus que também têm o cunho português.

Algumas das cartas são especiais: têm um código que aciona uma app, outra têm cheiro, outras rugosidade ou brilham no escuro.

A base foi desenvolvida por um consórcio holandês e adaptada para cá pelo Dinoparque Lourinhã. É a primeira vez que existe uma colecção deste tipo com estes dinossauros.

Os cartões só podiam ser obtidos na compra de produtos num supermercado Pingo Doce (4 cartas por cada 10€) numa iniciativa que começou 13 de Março e termina hoje, 23 de Abril de 2018.

Cartões de dinossauros do Pingo Doce
PDF da caderneta completa.

Cartazes publicitários da caderneta à porta do Pingo Doce da Lourinhã.

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Jogos de tabuleiro sobre Paleontologia


Os jogos de tabuleiros e cartas estão a ganhar grande popularidade. Há para todos os gostos, dificuldades, estratégias e temas. Obviamente o tema da paleontologia, dinossauros e evolução não escapa a esta tendência.

Na área da Paleontologia, Dinossauros e Evolução existem alguns jogos interessante nomeadamente na categoria de Gestão de Mão (Hand Management) em que são jogos com cartões que recompensam os jogadores por jogar cartas em certas sequências ou grupos. A sequência / agrupamento ideal pode variar, dependendo da posição da placa, dos cartões mantidos e dos cartões jogados pelos adversários. Gerindo as suas mão significa obter o máximo valor de cartões disponíveis em determinadas circunstâncias. Os cartões muitas vezes têm múltiplos usos no jogo, ofuscando ainda mais uma sequência "óptima".

Alguns dos jogos de tabuleiros e cartas sobre paleontologia

Segundo a Wikipédia, as principais categorias dos jogos e tabuleiro são: jogos de estratégia abstractos, jogo de alinhamento, jogos de leilão, Variantes do xadrez, jogos de configuração, Jogos de conexão, jogos cooperativos, jogos de conta e captura, jogos de cruz e círculo, jogos de dedução, jogo de destreza, Jogos de simulação de economia, jogos educacionais, jogos de eliminação, jogos de fantasia, jogos de adivinhação, e jogos de regra oculta.

Deixamos aqui alguns exemplos de jogos dedicados a paleontologia, dinossauro e evolução:

BONE WARS: The Game of Ruthless Paleontology (2005)
The Great Dinosaur Rush (2016)
Dominant Species (2010), tabuleiro com peças
Dominant Species: The Card Game (2012)
Evolution: The Origin of Species (2010)
Terra Evolution (2011). Este tem o mais alto “overall ranking” 13,260 no site da especialidade boardgamegeek.com.
Evo (2011)
Dinosaur Island (2017)
DinoGenics (2018)
Evolution (2014)
Go Extinct! (2014)
Trias (2002)
Bios Megafauna (2nd edition) (2017) Este é o que tem melhores ratings médios (8.4) no site especializado.
Primordial Soup (1997)
A.D.A.P.T. (2016)
Raptor (2015)

Resumindo, o mundo dos jogos está pujante e abrange também a paleontologia e os dinossauros, por vezes usado mesmo para fins académicos. Obrigado ao Miguel Moreno Azanza e ao Marco Marzola pelas sugestões.



sexta-feira, novembro 24, 2017

O potencial geoturístico da Região Oeste

Atualmente, está em discussão a relevância da definição de um novo geoparque na região ocidental do continente português, na denominada "Região Oeste", situada na costa oeste central de Portugal continental, e possui doze municípios, Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras. Esta é principalmente uma área rural, mas onde o turismo vem crescendo. O potencial turístico desta região é reforçado com praias de areia branca e surf, atraindo milhares de visitantes e um turismo crescente em História e Natureza.
A área possui duas características geológicas relevantes internacionais. Na Península de Peniche, o estratótipo Pliensbachiano-Toarciano (referência geológica internacional que melhor representa um período de tempo particular da História da Terra). Este site atrai cientistas principalmente nacionais e internacionais, mas há uma crescente consciência de sua importância pelas escolas e pelo público em geral. Os visitantes procuram este site não só pelo seu significado geológico, mas também para observar o registo fóssil marinho e a beleza da paisagem, dentro da Reserva da Biosfera das Berlengas da Unesco. Outro site da UNESCO é Óbidos como Creative City in Literature.
Os fósseis, em particular os achados de dinossauros naquela área, também são relevantes no contexto internacional. Do Jurássico Superior (~ 152 Ma), muitos restos de dinossauros fossilizados foram encontrados nessa área, são importantes não só pela quantidade de ossos encontrados, mas também pelo número significativo de espécies. Várias espécies únicas foram identificadas a partir desses restos, como Lourinhanosaurus antunesi. Esta área de fósseis é uma grande atração local, como parte da coleção do Museu da Lourinhã, que atrai cerca de 24 mil visitantes por ano e um parque temático em construção sobre dinossauros, o Parque dos Dinossauros da Lourinhã. Mais de 200 espécies de fósseis são únicas para o Oeste e foram baptizadas nomeando as localidades. A "Região Oeste" também possui outros sites geológicos de importância regional e local, alguns já no inventário nacional português de geosites: o "Afloramento da Brecha Vulcânica de Papôa" é um local próximo de Peniche, onde é possível observe uma brecha vulcânica cercada por calcários inferiores jurássicos. Esta brecha é o resultado de um canal vulcânico colapsado. Outra área de interesse é a "Corte Geológica da Península de Baleal", ao norte de Peniche, onde é possível observar uma bela sequência de calcário inclinado. A seção denominada "Arribas da Praia do Salgado" é uma boa área para o público observar vários fósseis de animais marinhos, praias fossilizadas e um deslizamento de terra do século XV.
Reconhecemos que muitos outros sites têm grande potencial para serem incluídos na lista de geosites e precisam ser caracterizados.

Referência:
Pereira, B., Mateus O., Kullberg J. C., & Rocha R. (2017).  The geotouristic potential of the Oeste Region of Portugal. 14th European Geoparks Conference | Abstracts Book 167. 167. PDF
Arribas do Oeste. Detalhe no Cabo Carvoeiro Praia do Trovão perto do estratótipo (Foto: O. Mateus)


segunda-feira, novembro 20, 2017

Vinte e cinco anos depois: O segundo aviso

Passados vinte e cinco anos sobre o manifesto "World Scientists' Warning to Humanity", chega-nos agora o "World Scientists' Warning to Humanity: A Second Notice", contando com mais de 15 000 signatários de 184 países.

Expressando uma preocupação alarmante com os danos actuais, iminentes ou potenciais no planeta, envolvendo a destruição da camada do ozono, a redução da disponibilidade hídrica, a perda da floresta e da biodiversidade, as alterações climáticas e o crescimento exponencialmente contínuo da população humana, os signatários de 1992 proclamaram a necessidade urgente de reverter o cenário impactante que já na altura se fazia sentir.
 
Um quarto de século depois, os dados revelam um lento e, na maioria dos casos,  insuficiente progresso na procura e implementação de soluções.

sexta-feira, abril 14, 2017

Centenário do paleontólogo Octávio da Veiga Ferreira (1917-1997)

Completaram-se, há poucos dias, os 100 anos do nascimento de Octávio da Veiga Ferreira e hoje (14 de Abril) passam 20 anos sobre a sua morte.

Octávio Reinaldo da Veiga Ferreira (Lisboa, 28 de Março de 1917 - Lisboa, 14 de Abril de 1997) foi um brilhante paleontólogo e arqueólogo português, com uma colaboração prolongada com George Zbyszewski nos Serviços Geológicos de Portugal. A ele devemos numerosos estudos na paleontologia. Ferreira é reputado sobretudo pelo seu trabalho no domínio da Arqueologia (Cardoso, 1997) mas o seu contributo para a Paleontologia em Portugal também foi importante. Na temática dos dinossauros, Veiga Ferreira foi incansável, embora tenha sido co-autor de apenas uma nota (Lapparent et al., 1951) sobre pegadas de dinossauros num artigo de 1951 com de Lapparent, Zbyszewski e Fernando Moitinho de Almeida sobre a jazida do Cabo Mondego, onde Gomes (1916) assinalara pegadas.

Octávio da Veiga Ferreira participou e orientou escavações (nomeadamente escavação do saurópode Lourinhasaurus alenquerensis no Moinho do Carmo (Alenquer), escavado em 1949 juntamente com G. Zbyszewski), realizou prospecção e recolha (pelo menos, no Cabo Espichel e Boca do Chapim, onde obteve, em 1951, um magnífico dente de Iguanodon; Lapparent & Zbyszewski, 1957: Pl. XII, fig. 13), e as ilustrações da obra de Lapparent & Zbyszewski (1957).
 A ele devemos os primeiros estudos sobre ictiossauros em Portugal, em 1958, sobre espécimes da Praia de N. S. da Vitória, cerca de 1000 m para Sul de S. Pedro de Muel, no Pliensbaquiano, aquando na companhia do Professor Abade Mouterde, Abade Rossé e Christiane Perrot.
Em 1959, Veiga Ferreira apontou a ocorrência do crocodilo Pelagosaurus tomarensis, no Jurássico inferior de Tomar, mais tarde reclassificado como Mystriosaurus bollensis.
Descreveu ainda numerosa fauna Miocénica e quaternária, da qual destacamos a fauna miocénica de Leiria e  urso-pardo de S. Bartolomeu dos Galegos (Lourinhã).

A biografia de Octávio da Veiga Ferreira é-nos dada por Cardoso (1997).

Aqui algumas das suas obras da Paleontologia de Vertebrados:

Octávio da Veiga Ferreira (por Cardoso, 1997)
Octávio da Veiga Ferreira, em 1986 (Diário Popular)
Octávio da Veiga Ferreira, retrato exposto no Museu Geológico.
Ferreira, O.V. 1958. Novos restos de «lctyosauridae»  e «Stenopterygidae» encontrados no Lias  de Portugal. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal. - Tomo XLII (1958), p. 175-183.
Ferreira, O.V. 1959. Nota sobre a presença do género Pelagosaurus no Lias de Tomar. Anais da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. - vol. XLI, nº 2 (1959), p. 121-125.
Furtado et al. (1973-1974). Descoberta de uma jazida quaternária com Ursus arcto no lugar de S. Bartolomeu, Lourinhã. Cesaraugusta : publicaciones del Seminario de Arqueología y Numismática Aragonesas. - 37-38 , p. 5-8
Zbyszewski, G., & O. da Veiga Ferreira 1967. Découverte de vertébrés fossiles dans le Miocène de la région de Leiria. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, t. LII, 1967, p. 5-10.
Ferreira, O.V. 1961. Fauna ictyológica do Cretácico de Portugal. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, tomo XLV, p. 251-278
Lapparent et al. 1951. Empreintes de pas de Dinosauriens dans le Jurassique du Cap Mondego, Portugal. C. R. S. de la Société Géologique de France, Nº 14, séance du 19 novembre 1951, p. 251-252.
Ferreira, O.V. (1975). Os rinocerontes quaternários encontrados em Portugal. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal. - Tomo LIX (1975), p. 15-25


Cardoso, J.L., 1997. Octávio da Veiga Ferreira (1917-1997). Trabajos de Prehistoria, 54(2), p.5.

quarta-feira, maio 04, 2016

Alberto no Mundo dos Dinossauros


Hoje é lançado um livro infantil sobre dinossauros, o "Alberto no Mundo dos Dinossauros" escrito por Cidália Fernandes e Fedra Santos.
Trata-se um um livro em que a personagem principal, um menino chamado Alberto, vê-se num sonho mergulhado no Mesozóico. O interessante da história é que refere géneros de dinossauros portugueses como o Lusotitan, Supersaurus, Lourinhanosaurus, Miragaia e Torvosaurus, que ocorrem no Jurássico Superior na Formação da Lourinhã. A tartaruga Rosasia soutoi, do Cretácico de Aveiro, também é elencada na história.

É a primeira vez que alguns destes género chegam à cultura e literatura popular (i.e., não-científica) e é sempre um prazer quando a cultura e a ciência se encontram,

Título: Alberto no Mundo dos Dinossauros
Autor(a): Cidália Fernandes
Ilustração: Fedra Santos
N.º de páginas: 37
Formato: 225mm x 225mm
Alberto e um dinossauro, desenhado por Fedra Santos.

ISBN: 978-989-734-084-0
Preço: 9.95€

terça-feira, abril 12, 2016

Diplodocus revalidado com D. carnegii como espécie-tipo

O saurópode Diplodocus é um dos dinossauros mais famosos e populares, sendo alegadamente muito conhecido também do ponto de vista científico. Contudo, o espécime original, o holótipo, no qual se baseou a primeira espécie deste género Diplodocus longus, é um exemplar muito incompleto e pouco distintivo, de tal forma que não se consegue distinguir de outros diplodocídeos. Isto oferece um problema porque significa que a espécie não pode ser considerada válida, e como esta é a espécie-guia para o género Diplodocus, este corre o risco de também não ser válido, e perderíamos assim um dos géneros mais carismáticos e conhecidos de dinossauros.
Esta situação pode ser resolvida sugerindo que a espécie-tipo seja outra espécie Diplodocus que não o D. longus. É precisamente isso que é proposto pelos paleontólogos Emanuel Tschopp e Octávio Mateus à Comissão de Nomenclatura Zoológica e à comunidade científica. A escolha alternativa recai sobre o Diplodocus carnegii, um exemplar quase completo e com réplicas em vários museus do mundo.
O propósito da aplicação, nos termos dos artigos 78.1 e 81.1 do código de nomenclatura zoológica, é substituir Diplodocus longus Marsh 1878 como a espécie-tipo do género de dinossauro saurópode Diplodocus pela espécie D. carnegii Hatcher, 1901 que é muito mais completo e conhecido. O estado pouco diagnosticável do holótipo de D. longus (YPM 1920, uma cauda parcial e uma hemapófise) contrasta com o holótipo de D. carnegii CM 84, um exemplar bem conservado e principalmente articulado. Réplicas deste espécime estão em exposição em vários museus pelo mundo (incluindo Paris, Madrid, Londres e Milão), e a espécie já tem sido usado como a principal referência em estudos de anatomia comparada ou filogenia.

Réplica de holótipo de Diplodocus carnegii no MNHN Paris (Photo OM2016) 

Ambas as espécies são do Jurássico Superior das Formação de Morrison nos Estados Unidos. O género Diplodocus é a base para os taxa superiores Diplodocidae Marsh, 1884, Diplodocomorpha Marsh, 1884 (Calvo & Salgado, 1995) e Diplodocoidea Marsh, 1884 (Upchurch, 1995). É também um especificador de pelo menos 10 clados filogenéticos. Com a substituição de D. longus por D. carnegii como espécie-tipo, Diplodocus poderia ser preservado como um nome taxonómico com o conteúdo geralmente aceite. A estabilidade taxonômica do clado  Diplodocoidea e as definições propostas para diversos clados de saurópodes podem ser mantida.


Tschopp, E., Mateus O. (2016).  Diplodocus Marsh, 1878 (Dinosauria, Sauropoda): proposed designation of D. carnegii Hatcher, 1901 as the type species. Bulletin of Zoological Nomenclature. 73(1), 17-24.

Abstract. The purpose of this application, under Articles 78.1 and 81.1 of the Code, is to replace Diplodocus longus Marsh, 1878 as the type species of the sauropod dinosaur genus Diplodocus by the much better represented D. carnegii Hatcher, 1901, due to the undiagnosable state of the holotype of D. longus (YPM 1920, a partial tail and a chevron). The holotype of D. carnegii, CM 84, is a well-preserved and mostly articulated specimen. Casts of it are on display in various museums around the world, and the species has generally been used as the main reference for studies of comparative anatomy or phylogeny of the genus. Both species are known from the Upper Jurassic Morrison Formation of the western United States. The genus Diplodocus is the basis for the family-level taxa diplodocinae Marsh, 1884, diplodocidae Marsh, 1884, dip- lodocimorpha Marsh, 1884 (Calvo & Salgado, 1995) and diplodocoidea Marsh, 1884 (Upchurch, 1995). It is also a specifier of at least 10 phylogenetic clades. With the replace
ment of D. longus by D. carnegii as type species, Diplodocuscould be preserved as a taxonomic name with generally accepted content. Taxonomic stability of the entire clade diplodocoidea, and the proposed definitions of several clades within Sauropoda, could be maintained.


Holótipo de Diplodocus longus YPM: vértebra caudal
Holótipo de Diplodocus longus YPM: vértebra caudal

segunda-feira, dezembro 14, 2015

"Brontosaurus está de volta" entre as 12 melhores histórias científicas de 2015, diz revista Discover

A revista americana Discover releva, todos os anos, as 100 descobertas científicas mais importantes de cada ano. Em 1997, já tinha colocado os ovos e embriões de dinossauro de Paimogo na lista. Importa salientar que estes 100 lugares refletem todos os domínios da ciência.
Este ano salientou o caso da história da recuperação do Brontosaurus  classificando-o como o 12ª "top story" da ciência em 2015. Recorde-se que esta investigação da FCT-Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, liderada por Emanuel Tschopp, teve um enorme impacto nos meios de comunicação social e na ciência.

Brontosaurus por Davide Bonadonna


http://discovermagazine.com/2016/janfeb/12-bully-for-brontosaurus
http://discovermagazine.com/2016/janfeb

O site Altmetric coloca o 55º artigo científico mais influente de 2015 devido a:
65 news outlets
30 blogs
357 tweeters
1 peer review site
41 Facebook pages
20 Wikipedia pages
16 Google+ users
1 Redditor
1 video uploader


Posts relacionados:
http://lusodinos.blogspot.pt/2015/04/brontosaurus-superstar.html
http://lusodinos.blogspot.pt/2015/03/brontosaurus-um-dos-dinossauros-mais.html
http://lusodinos.blogspot.pt/2015/04/o-brontosaurus-esta-de-volta.html

Publicação científica:
Tschopp, E., Mateus, O. and Benson, R.B., 2015. A specimen-level phylogenetic analysis and taxonomic revision of Diplodocidae (Dinosauria, Sauropoda). PeerJ3, p.e857.

terça-feira, dezembro 01, 2015

Dinossauros na identidade local

   Os dinossauros e os fósseis também podem fazer parte da identidade local. Os fósseis são património paleontológico muitas vezes enquadrado dentro do científico, natural e geológico. Também cultural, mas apenas quando são descobertos e divulgados ao público. 
   Os dinossauros nunca conviveram com humanos mas os seus fósseis podem entrar na cultura, folclore e serem parte da identidade local. Isso é bem demonstrado no interessante blog Folklore de los Fósiles Ibéricos, por Heraclio Astudillo-Pombo. 
Em 2003 quando a Lourinhã lança o slogan Lourinhã-Capital do Dinossauros, muitas empresas aderiram ao adoptar um nome ou logotipo paleontológico: Dinokart, DinoPão, DinoRações, Escola de Condução Dinossauro. O logotipo do município integra um Lourinhanosaurus, e as rotundas e calçadas têm motivos de dinossauros.
  Sobretudo, os habitantes do município vêem agora os dinossauros como parte integrante da sua identidade e cultura local.



quarta-feira, novembro 25, 2015

Novos governantes na área da Ciência e os sinais positivos


Portugal terá novo governo a partir de amanhã. Esperemos que haja maior apoio para a Ciência. Para já, temos dois bons sinais: 1) a pasta a "ciência e ensino superior" sobe de novo a nível de ministério (em vez de secretaria de estado no governo anterior); 2) querem continuar o excelente legado de Mariano Gago.
O novo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior será Manuel Heitor do IST.  A nova secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior é a historiadora Maria Fernanda Rollo, Professora Associada na FSCH-Universidade Nova de Lisboa. 
Votos de sucesso para os desafios que tem pela frente.

Replicamos aqui o perfil traçado pelo Jornal Público:

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

O ministro que quer continuar o legado de Mariano Gago

Aos 57 anos, o investigador Manuel Heitor torna-se ministro da Ciência e do Ensino Superior – pasta que conheceu bem como secretário de Estado durante seis anos, entre 2005 e 2011, período em que José Mariano Gago foi o ministro responsável por essas duas áreas nos governos socialistas de José Sócrates.
Professor catedrático, Manuel Heitor era até agora director do Centro de Estudos em Inovação, Tecnologia e Políticas de Desenvolvimento (do Instituto Superior Técnico de Lisboa, ou IST), que fundou em 1998. Foi no IST que se licenciou em engenharia mecânica, em 1981. Quatro anos depois, doutorou-se no Imperial College, em Londres, também em engenharia mecânica, a que se seguiu um pós-doutoramento na Universidade da Califórnia em San Diego, em 1986.
Depois da formação e estadia no estrangeiro, desenvolveu a sua carreira académica e de investigação no IST, na área de mecânica de fluidos e combustão experimental. A partir do início da década de 1990 dedicou-se também ao estudo de políticas de ciência, tecnologia e inovação, incluindo políticas e gestão do ensino superior.
Foi pela primeira vez para um governo com o antigo ministro Mariano Gago, como secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Mariano Gago, que morreu em Abril deste ano, já antes disso tinha sido ministro da Ciência, entre 1995 a 2002, nos governos de António Guterres, e foi quem em Portugal deu peso político à investigação científica. Para pôr a ciência na agenda política, Mariano Gago escreveu o livro Manifesto para a Ciência em Portugal, apresentado há 25 anos, em 1990, e que era um programa de governo para esta área.
É a partir deste legado que, ao longo deste ano, Manuel Heitor tem estado envolvido na organização de várias homenagens a Mariano Gago e no lançamento de um novo manifesto para a ciência como um desígnio nacional (“O conhecimento como futuro – Uma nova agenda política para a ciência, a tecnologia e o ensino superior em Portugal”), no qual se defende o aumento do dinheiro do Estado para a investigação.
“Passados 25 anos sobre o Manifesto para a Ciência em Portugal é imperativo reafirmar que a ciência é necessária, para todos; apostando nas pessoas, na sua formação exigente e motivada, prosseguindo o sucesso do desenvolvimento científico e tecnológico; urge, em suma, reclamar a ideia forte de que Portugal é país de ciência (…)”, escreveu num artigo de opinião em Maio no PÚBLICO, em co-autoria com Maria Fernanda Rollo, da Universidade Nova de Lisboa. “Investir na ciência é, como há 25 anos, investir no futuro de Portugal.”
Agora que está à frente da pasta da Ciência, Manuel Heitor vai decidir se vai desfazer muitas das políticas científicas dos últimos quatro anos do Governo Pedro Passos Coelho – a começar pela avaliação muito polémica que a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) fez aos centros de investigação do país (o programa eleitoral do PS prometia um novo processo de avaliação) e a acabar nos cortes nas bolsas de doutoramento e pós-doutoramento. Teresa Firmino
Quanto à Secretária de Estado, replicamos também o perfil traçado pelo Jornal Público:

Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

Maria Fernanda Rollo

A historiadora Maria Fernanda Rollo, a nova secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, tem um percurso académico e de investigação na área da inovação, engenharia, organização da ciência e economia do século XX português. A sua parceria em vários projectos com o novo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, é já de longa data — por exemplo, foram dois dos responsáveis da exposição Engenho e Obra — História da Engenharia em Portugal no Século XX, no início de 2003 na Cordoaria Nacional, em Lisboa.
Começou por escolher História da Arte na licenciatura, concluída em 1987 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), mas o percurso de Maria Fernanda Rollo, agora com 50 anos, encaminhou-a depois para a história contemporânea. O mestrado, em 1993, foi sobre Portugal e o Plano Marshall, e o mesmo tema voltaria a ser explorado na sua tese de doutoramento, intitulada Portugal e Reconstrução Económica do Pós-Guerra – o Plano Marshall e a Economia Portuguesa dos Anos 50.
Actualmente era presidente do Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL, além de professora associada com agregação do Departamento de História da mesma faculdade.
Nos últimos tempos, Maria Fernanda Rollo e Manuel Heitor tinham tomado posições públicas relativas à ciência em Portugal, nomeadamente em artigos de opinião no PÚBLICO e na organização de homenagens a José Mariano Gago (1948-2015), antigo ministro da Ciência entre 1995 a 2002 e 2005 a 2011. E ainda, retomando o livro Manifesto para a Ciência em Portugal, apresentado há 25 anos por Mariano Gago, Maria Fernanda Rollo e Manuel Heitor estão entre os autores que lançaram em Junho deste ano um novo manifesto para a ciência como um desígnio nacional (O conhecimento como futuro – Uma nova agenda política para a ciência, a tecnologia e o ensino superior em Portugal). T.F.
Perfil: 
http://www.ihc.fcsh.unl.pt/pt/ihc/investigadores/item/1067-maria-fernanda-rollo
http://www.fcsh.unl.pt/faculdade/docentes/mffr
https://www.researchgate.net/profile/Maria_Fernanda_Rollo
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segunda-feira, novembro 16, 2015

Dinossauros bombons


Dinossauros e bombons de chocolate negro e menta com recheio de Aguardente DOC Lourinhã é nova saborosa combinação lançada pela empresa Doce Lourinhã (www.bombons.pt), para a qual tivémos a honra de fazer um prova antecipada e poder escolher o nome do bombom: 'mimossauro'. É mais um exemplo na "Capital dos Dinossauros" em que a sociedade acarinha o trabalho paleontológico.




Agradeçemos à Sílvia Baptista pela criação e imagens.

domingo, setembro 13, 2015

PIB investido em ciência caiu em quatro anos seguidos

Replica-se aqui a notícia do jornal Público, pela jornalista Teresa Firmino que, sempre atenta, mostra o preocupante desinvestimento na Ciência nos últimos 4 anos. Podemos culpar a crise por baixar os valores absolutos, mas os valores relativos (em percentagem do PIB) são claramente uma opção política.


PIB investido em ciência caiu em quatro anos seguidos

Em 2013, Portugal investiu em ciência 1,34% do PIB, indicam os últimos dados estatísticos. As empresas gastaram menos. A queda do dinheiro aplicado pelo país em ciência já vem desde 2010, o primeiro de inversão da subida, depois de em 2009 se ter atingido um máximo de 1,64% do PIB.

Gráfico do dinheiro gasto em investigação em Portugal, por percentagem do PIB (em cima) e valores absolutos (em baixo) [adaptado de Jornal Público], com a indicação dos sucessivos governos.


O último Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN) – o instrumento oficial de contabilização dos recursos humanos e financeiros do país em investigação e desenvolvimento (I&D) – revelou que a percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) dedicada à ciência voltou a cair em 2013, pela quarta vez consecutiva. Esse valor foi então de 1,34%, recuando para valores anteriores a 2008.

O PIB investido em ciência revela o esforço total do país nesta área. Entre toda a riqueza produzida pelo país, indica a parte destinada a investimento em ciência. Além disso, a percentagem do PIB para actividades de ciência e tecnologia é um indicador do próprio desenvolvimento dos países.

No dinheiro que Portugal investe globalmente em ciência, tanto público como das empresas, há um ano que se destaca: 2009. Foi aquele em que mais se gastou em ciência desde sempre: 1,64% do PIB, o que correspondeu também a um máximo de 2771 milhões de euros. José Mariano Gago (1948-2015) era então ministro da Ciência, no segundo Governo socialista de José Sócrates.

Nos tempos em que o PIB em I&D continuava a subir, a apresentação dos resultados do IPCTN chegou a ter uma cerimónia pública, com pompa, como aconteceu com os dados do inquérito relativos a 2008: Mariano Gago e José Sócrates apresentaram-nos em 2009 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Em 2008, tinha-se atingido 1,50% do PIB em ciência e ainda haveria mais um ano de crescimento, o já referido 2009.

Mas os efeitos da crise na ciência começaram a fazer-se sentir ainda enquanto Mariano Gago estava à frente da pasta da Ciência. O ano de 2010 marcava o início do caminho descendente do dinheiro aplicado pelo país em investigação científica: caiu dos 1,64% do PIB em 2009 para 1,60%.

A descida continuou em 2011, já com o Governo de Pedro Passos Coelho, em funções a partir de meados desse ano, e Nuno Crato como ministro da Educação e Ciência. Em 2011, desceu para o valor de 2008 – 1,50%. A quebra continuou em 2012 (1,41% do PIB) e em 2013 (1,34% do PIB).

Empresas gastam menos
A apresentação do PIB investido em I&D deixou de ser uma festa. Os últimos resultados do IPCTN, que se realiza desde 1982, foram divulgados recentemente no site da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência(DGEEC). Esta recolha passou a ser anual desde 2008 (antes disso era de dois em dois anos), mas há sempre um desfasamento temporal na apresentação dos resultados, e é por isso que os números de 2013 são novos.

Os 1,34% do PIB gastos em 2013 em ciência corresponderam a 2268 milhões de euros – ou seja, menos 52 milhões de euros no total face ao ano anterior.

O sector do ensino superior, da administração central e das instituições privadas sem fins lucrativos (a maioria delas na órbita das instituições de ensino superior) investiu mais de metade do dinheiro total aplicado em I&D — ou seja, 0,71% do PIB, o que correspondeu a 1196 milhões de euros. Em todo este sector público, a maior fatia foi a do ensino superior, com 0,60% do investimento, o que equivaleu a 1017 milhões de euros.

Nos 1,34% do PIB para a ciência, os restantes 0,63% do PIB – ou 1072 milhões de euros – foram investidos pelas empresas. Se olharmos para os dados, vemos que a queda do dinheiro aplicado em ciência, face ao ano anterior, ocorreu nas empresas, uma vez que em 2012 tinham investido 0,70% (1153 milhões de euros), enquanto a fatia do sector foi de 0,71%, valor que se repetiu em 2013. A conta dá menos 81 milhões de euros gastos pelas empresas em 2013. E o Estado pôs mais 30 milhões de euros em relação ao ano anterior.

Uma quebra de série
Mas este último IPCTN traz duas alterações metodológicas que dificultam agora algumas comparações com o passado – porque se mudaram normas para definir ou observar variáveis ao longo do tempo, ocorrendo uma “quebra de série temporal”. Já não se estaria a comparar o mesmo.

O objectivo destas alterações, refere inquérito, foi aproximar a sua metodologia com os critérios do Manual de Frascati – da OCDE e que serve de guia técnico nos inquéritos de I&D –, “melhorando a comparabilidade internacional dos dados nacionais sobre I&D”. Porquê essas alterações agora? Porque o Manual esteve em revisão no último ano e meio e o IPCTN de 2013 procura ajustar-se a isso, para melhorar a comparação com os dados de outros países, esclarece a DGEEC ao PÚBLICO, por escrito, através do gabinete de imprensa do Ministério da Educação e Ciência.

Numa das alterações, a maioria das entidades antes classificadas como instituições privadas sem fins lucrativos foram reafectadas, para efeitos de descrição das suas actividades de I&D, sobretudo ao sector do ensino superior. Portanto, é possível comparar os dados globais (sobre os recursos humanos e a despesa) da administração central (Estado), do ensino superior e das instituições privadas sem fins lucrativos com o passado. Mas, isoladamente, para o ensino superior e as instituições privadas sem fins lucrativos já não se podem fazer comparações com o passado.

Na outra alteração, houve uma redefinição das categorias de pessoal afecto às actividades de I&D: as categorias de “investigador”, de “técnico” e de “outro pessoal” passaram a depender também das funções principais desempenhadas e não, como antes, exclusivamente da qualificação académica individual. “Antes, todos os indivíduos com actividades de I&D e com qualificação académica igual ou superior ao grau de bacharelato eram contabilizados na categoria de 'investigadores'; actualmente, no IPCTN de 2013, a classificação individual passou a depender também da função efectivamente desempenhada, pelo que nem todos os indivíduos com qualificação superior são considerados investigadores”, lê-se no inquérito. Esta mudança pode permitir ter uma noção mais aproximada do que se passa na realidade.

No caso do pessoal afecto às actividades de I&D, a alteração de metodologia resultou “num aumento significativo do número de indivíduos classificados na categoria de pessoal técnico em I&D, em detrimento do número global de investigadores”, refere o documento. Equivalente a tempo integral (ETI), em 2013 havia a trabalhar em Portugal 37.813 investigadores, apurou o IPCTN de 2013. Desses 37.813 investigadores existentes em 2013, a maior parte estava principalmente concentrada no ensino superior (25.760) e nas empresas (10.025). Os restantes estavam no próprio Estado (1386) e nas instituições privadas sem fins lucrativos (642).

“A redefinição da categoria de ‘investigador’ implicou, por si só, uma diminuição de cerca de 12% do número total de indivíduos (em ETI) classificados nesta categoria. Em particular, caso se tivessem mantido em 2013 os critérios de classificação utilizados no ano anterior (2012), o número total de investigadores em Portugal teria registado um crescimento de 1%. A redução observada é assim uma consequência da quebra de série.”

Se olharmos para o número de investigadores em 2012, portanto antes da quebra de série, veríamos que foram contabilizados 42.498 (em ETI): utilizando os critérios de 2012, um acréscimo de 1% representaria assim 42.922 de investigadores em 2013, segundo o IPCTN.

Seja como for, entre 2011 e 2012, nos critérios usados antes da quebra de série, este inquérito tinha apurado uma redução de mais de 1550 investigadores (em ETI): tinha-se passado de 44.056 investigadores, em 2011, para 42.498 em 2012.

Ainda que afectando todos os sectores, a reclassificação do pessoal em actividades de I&D assumiu maior impacto nas empresas e na administração central. “[Mas] a quebra de série decorrente desta reclassificação não afecta os dados globais nacionais da despesa em I&D nem o número total de pessoas afectas a actividades de I&D”, frisa-se.

Não se poderia ter aplicado retroactivamente estas alterações – como se fez noutros inquéritos –, permitindo assim comparações com anos anteriores? “Embora desejável, a aplicação retroactiva das alterações metodológicas nem sempre é possível, e foi o que aconteceu neste caso”, esclarece a DGEEC. Para a reclassificação de pessoal em actividades de I&D, foi “necessário introduzir no IPCTN de 2013 uma nova pergunta”: “Como esta pergunta não constava nos IPCTN de anos anteriores, não temos a informação necessária sobre as actividades específicas dos respondentes em anos anteriores para os reclassificarmos agora segundo os novos critérios.”