Seja bem vindo o novo dinossauro saurópode de Portugal, Oceanotitan dantasi, descoberto em Valmitão, na Lourinhã. Replicamos aqui o artigo do Jornal Público sobre este achado.
Novo dinossauro português era um gigante à beira-mar
Nome de novo saurópode remete para o local na costa atlântica onde se encontraram os seus ossos, mas também para a cantora islandesa Björk e o paleontólogo português Pedro Dantas. Apresentemos o Oceanotitan dantasi.
Ilustração do dinossauro Oceanotitan dantasiCARLOS DE MIGUEL CHAVES
Acabámos de saber que o Jurássico Superior português era habitado há cerca de 150 milhões de anos por mais um dinossauro gigante, que tinha como casa a Bacia Lusitaniana – uma zona jurássica de águas pouco profundas na faixa Oeste da Península Ibérica, entre o (agora) norte de Aveiro e a península de Setúbal. O dinossauro agora identificado como novo para a ciência por uma equipa luso-espanhola pertencia ao grupo dos saurópodes, dinossauros herbívoros que se distinguem pelas caudas e pelos pescoços muito compridos.
Mas os ossos do Oceanotitan dantasi já foram descobertos há mais de 20 anos, em 1996, nas rochas que afloram na Praia de Valmitão, na vila de Ribamar, concelho da Lourinhã. E quem os descobriu foi José Joaquim dos Santos, um carpinteiro e paleontólogo amador que já encontrou muitos fósseis na região Oeste do país, conhecida pela sua riqueza em fósseis de dinossauro do Jurássico Superior, segundo se explica num comunicado sobre o trabalho.Trata-se não só de uma espécie nova para a ciência, como igualmente de um género novo, segundo o artigo em que é descrito na revista Journal of Vertebrate Paleontology. Eis o Oceanotitan dantasi, o nome científico atribuído ao dinossauro pelos paleontólogos Pedro Mocho (do Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras), Rafael Royo-Torres (do Dinópolis – Museu Aragonês de Paleontologia, em Espanha) e Francisco Ortega (do Grupo de Biologia Evolutiva da Faculdade de Ciências da Universidade Nacional de Educação à Distância, em Espanha).
Ao longo de mais de 30 anos, José Joaquim dos Santos foi reunindo uma enorme colecção paleontológica composta por milhares de exemplares de fósseis de vertebrados e invertebrados e que estão depositados na colecção paleontológica da Sociedade de História Natural, em Torres Vedras. “O acervo existente representa agora uma das maiores colecções de vertebrados fósseis do mesozóico português [era geológica ocorrida há 251 milhões a 65 milhões de anos]”, sublinha o comunicado.
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Esqueleto do Oceanotitan dantasi (a vermelho, os ossos encontrados) com a cantora Björk a servir de escala
Ainda que o novo dinossauro seja um saurópode, ele não era tão grande como muitos dos seus congéneres, que podiam atingir dimensões colossais. “Teria aproximadamente dez a 13 metros de comprimento. Era um saurópode de médio tamanho, relativamente mais pequeno do que outras espécies de saurópodes já conhecidas no Jurássico Superior de Portugal, como o Lourinhasaurus, o Lusotitan e o Dinheirosaurus”, diz-nos o paleontólogo Pedro Mocho.
Um museu na Praia de Santa Cruz
O Oceanotitan dantasi habitou a Bacia Lusitaniana há 145 a 150 milhões de anos, no Jurássico Superior. Esta bacia formou-se há aproximadamente 150 milhões de anos, quando as massas continentais da Europa e da América do Norte começaram a afastar-se e, no meio, ia nascendo o Atlântico Norte. A Bacia Lusitaniana surgiu então na faixa Oeste da Península Ibérica, numa zona compreendida entre o norte de Aveiro até à península de Setúbal. Eram águas pouco profundas, um ambiente também pantanoso, fluvial e lagunar. Era um ecossistema subtropical, com vegetação exuberante. Havia coníferas, cicas, fetos. “A zona da Lourinhã e de Torres Vedras estava emersa. Tínhamos vegetação, um rio, uma planície, onde o dinossauro podia viver e caminhar. O dinossauro viveu num ambiente terrestre fluvial”, explica Pedro Mocho.
Ora os vestígios desses tempos da Bacia Lusitaniana chegam-nos hoje através de fósseis. O Oceanotitan, que fico aí preservado, significa precisamente, “gigante dos oceanos”.
“Além de fazer alusão ao facto de este exemplar ter sido encontrado em plena costa atlântica, [o nome genérico] pretende ainda fazer uma referência à cantora islandesa Björk e à sua música Oceania que inspirou os autores na atribuição de este nome”, explica o comunicado.
“O [nome] específico dantasi é uma homenagem ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90, então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência em Lisboa e envolvido na escavação de dinossauros como o Dinheirosaurus lourinhanensis.” Hoje, Pedro Dantas é professor numa escola secundária no concelho da Lourinhã, além de colaborar com a Sociedade de História Natural de Torres Vedras.
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Os paleontólogos Pedro Mocho (à esquerda) e Francisco Ortega
Para a equipa que descreve o novo dinossauro, o Oceanotitan dantasi confirma a grande diversidade de saurópodes no Jurássico Superior de Portugal, “rivalizando com a diversidade já reconhecida nas faunas do Jurássico Superior da América do Norte e de África”.
A Sociedade de História Natural de Torres Vedras tem um projecto, em colaboração com a câmara municipal, para abrir um museu paleontológico na Praia de Santa Cruz. Para já, o núcleo provisório deste futuro museu tem a abertura prevista para o Verão. Além de dinossauros, poderão ver-se aí expostos muitos outros fósseis de animais que habitaram a faixa costeira entre Aveiro e o Cabo Espichel. Vamos poder cruzar-nos lá com o Oceanotitan dantasi.
Cabeça de dinossauro saurópode Europasaurus holgeri, por Thomas Laven.
Estes dinossauros evoluíram a partir de dinossauros bípedes do Triásico superior, há mais de 200 milhões de anos, de um ou dois metros de comprimento que vão gradualmente aumentando de dimensão, adaptando-se a uma regime alimentar exclusivamente herbívoro, com um aumento do comprimento do pescoço.
Os dinossauros saurópodes foram os maiores animais que alguma vez caminharam sobre a Terra. Apesar de algumas espécies chegarem a atingir quase 40 metros de comprimentos, e mais de 80 toneladas de peso, nem todos eram assim tão grandes e alguns eram considerados anões, como o Europasaurus, com seis metros de comprimentos. Algumas baleias actuais, como a baleia-azul com 172 toneladas superam os maiores dinossauros em massa corporal.
Algumas estimativas dizem-nos que, para conseguir bombear o sangue até à cabeça, o coração de algum dos maiores dinossauros saurópodes tinha de ter quase meia tonelada. Todos os saurópodes eram quadrúpedes, isto é, caminhavam sobre as quatro patas. Apesar das limitações corporais, é provável que fossem suficientemente ágeis para se levantarem sobre as patas traseiras em situações de perigo ou para se alimentarem de ramos mais altos.
O corpo evoluiu para se adaptar ao grande peso, pelo que as vértebras começaram a ganhar espaços ocos com sacos de ar, ficando mais leves, enquanto que os membros eram compactos e resistentes. Os dedos perderam gradualmente algumas falanges e as patas ficaram mais simples e resistentes.
Os dinossauros saurópodes eram todos herbívoros, mas a sua estratégia de alimentação variava conforme a espécie. Os braquiossauros alimentavam-se da copa das árvores enquanto os diplodocídeos da vegetação rasteira. Os camarassauros cortavam a vegetação com os dentes, enquanto que os titanossauros ripavam-na. Nenhum saurópode conseguir mastigar a vegetação por não ter molares nem nenhuma outra estrutura bocal de mastigação. Em contrapartida, moíam os alimentos com auxílio de seixos que engoliam, os gastrólitos.
Durante o Cretácico os saurópodes entraram em declínio quando confrontado com os hadrossauros, mais adaptados à mastigação, extinguido-se por completo há 66 milhões de anos.
Em Portugal existiam, entre outros, os seguintes dinossauros saurópodes do Jurássico tardio: Lusotitan, Zby, Supersaurus (=Dinheirosaurus) e Lourinhasaurus.
A Formação de Fleming Fjord do Triásico Superior do centro-leste da Gronelândia preserva uma fauna fóssil diversificada, incluindo ossos e pegadas. Os trilhos de grandes arcossauros quadrúpedes da região, embora já tenham sido relatados em 1994 e mencionados em publicações subsequentes, são descritos e detalhados com base em dados fotogramétricos recolhidos durante o trabalho de campo da expedição dinamarquesa-alemã-portuguesa em 2012 e publicados agora pela primeira vez na Acta Paleontologica Polonica no artigo que tem Jans Lallensack como primeiro autor.
Dois trilhos podem ser identificados como do icnogénero Eosauropus, enquanto um terceiro pode ser de Evazoum, ambos considerados como representando trilhos de dinossauros sauropodomorfos. Tanto os trilhos de Evazoum como as de Eosauropus são claramente maiores do que era previamente conhecido.
Trilho de saurópodes do Triásico da Gronelândia (Lallensack et al, 2017)
A postura quadrúpede e a estrutura da pegada de cinco dedos, semi-digitígrado, com ungueais que se projectam lateralmente indicam que se trata de um sauropodomorfo derivado, mais concretamente um saurópode. Embora a evidência inequívoca de ossos de dinossauros saurópodes seja do Jurásico inferior, estes trilhos da Gronelândia apontam para uma origem triásica do grupo. Esta é a evidência dos mais antigos saurópodes conhecidos.
Trilho de saurópodes do Triásico da Gronelândia (Lallensack et al, 2017)
Lallensack, JN, Klein H, Milàn J, Wings O, Mateus O, Clemmensen LB. 2017. Sauropodomorph dinosaur trackways from the Fleming Fjord Formation of East Greenland: Evidence for Late Triassic sauropods. Acta Palaeontologica Polonica. 62(4):833-843. PDF
A equipa de investigadores constituída por Miguel Moreno-Azanza, do GeoBioTec - Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia - Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, Fidel Torcida Fernández-Baldor (Museo de Dinosaurios de Salas de los Infantes, Burgos), José Ignacio Canudo (Universidad de Zaragoza), Pedro Huerta (Colectivo Arqueológico-Paleontológico de Salas) e Diego Montero (Colectivo Arqueológico-Paleontológico de Salas), trouxe a descoberto os restos fósseis de uma nova espécie de dinossauro saurópode. O artigo, publicado na prestigiada revista científica Peer J, dá conta desta nova espécie, descrita a partir dos restos fósseis encontrados nas escavações efectuadas entre 2004 e 2006, no local de Oterillo II, entre Barbadillo del Mercado e Sala de los Infantes, em Espanha.
Europatitan eastwoodi. Ilustração de Davide Bonadonna.
Europatitan eastwoodi, o exemplar saurópode titanosauriformedo Cretácico Inferior, com 125 milhões de anos, medindo entre 25 a 27 metros de comprimento, com um longo pescoço de 11 metros e pesando cerca de 35 toneladas, foi assim nomeado tendo em conta o continente da sua descoberta e o seu tamanho (Europatitan) e homenageando Clint Eastwood (eastwoodi), o famoso actor e realizador cinematográfico, que, durante as filmagens para o filme "O Bom, o Feio e o Mau", passou pela zona da descoberta.
Um dos aspectos mais importantes a reter deste achado é o que os actuais e futuros estudos irão revelar acerca do possível intercâmbio faunístico entre a África e a Europa e a evolução e diversificação deste grupo de dinossauros.
Comparação de tamanho entre Europatitan eastwoodi e Clint Eastwood.
Abstract
The sauropod of El Oterillo II is a specimen that was excavated from the Castrillo de la Reina Formation (Burgos, Spain), late Barremian–early Aptian, in the 2000s but initially remained undescribed. A tooth and elements of the axial skeleton, and the scapular and pelvic girdle, represent it. It is one of the most complete titanosauriform sauropods from the Early Cretaceous of Europe and presents an opportunity to deepen our understanding of the radiation of this clade in the Early Cretaceous and study the paleobiogeographical relationships of Iberia with Gondwana and with other parts of Laurasia. The late Barremian–early Aptian is the time interval in the Cretaceous with the greatest diversity of sauropod taxa described in Iberia: two titanosauriforms, Tastavinsaurus and Europatitan; and a rebbachisaurid, Demandasaurus. The new sauropod Europatitan eastwoodi n. gen. n. sp. presents a series of autapomorphic characters in the presacral vertebrae and scapula that distinguish it from the other sauropods of the Early Cretaceous of Iberia. Our phylogenetic study locates Europatitan as the basalmost member of the Somphospondyli, clearly differentiated from other clades such as Brachiosauridae and Titanosauria, and distantly related to the contemporaneous Tastavinsaurus. Europatitan could be a representative of a Eurogondwanan fauna like Demandasaurus, the other sauropod described from the Castrillo de la Reina Formation. The presence of a sauropod fauna with marked Gondwananan affinities in the Aptian of Iberia reinforces the idea of faunal exchanges between this continental masses during the Early Cretaceous. Further specimens and more detailed analysis are needed to elucidate if this Aptian fauna is caused by the presence of previously unnoticed Aptian land bridges, or it represents a relict fauna from an earlier dispersal event.
Torcida Fernández-Baldor F, Canudo JI, Huerta P, Moreno-Azanza M, Montero D. (2017) Europatitan eastwoodi, a new sauropod from the lower Cretaceous of Iberia in the initial radiation of somphospondylans in Laurasia. PeerJ 5:e3409 https://doi.org/10.7717/peerj.3409
A nova espécie Galeamopus pabsti é o dinossauro mais recente descrito pelos paleontólogos do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Turim, Itália, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, em Portugal. Este dinossauro jurássico foi escavado por uma equipa suíça, no Wyoming (EUA) em 1995, liderada por Hans-Jakob "Kirby" Siber e Ben Pabst.
É a mais recente de uma série de novas descobertas dos paleontólogos Emanuel Tschopp e Octávio Mateus, cujo trabalho conjunto se iniciou em 2012 com a descoberta da nova espécie Kaatedocus siberi. O novo artigo foi publicado online na revista PeerJ, de acesso aberto, no passado dia 2 de maio.
Galeamopus pabsti é semelhante aos famosos dinossauros Diplodocus e Brontosaurus, mas com pernas mais maciças e um pescoço particularmente alto e triangular perto da cabeça. É a segunda espécie do género Galeamopus, que foi reconhecido como um novo género, diferente do Diplodocus, pelos mesmos investigadores em 2015. A nova espécie é dedicada a Ben Pabst, que encontrou o esqueleto, e o preparou para a montagem no Sauriermuseum Aathal, na Suíça, onde é um dos principais atrativos da exposição permanente.
Reconstrução em vida de Galeamopus pabsti por Davide Bonadonna.
Os saurópodes da família do Diplodocus, os diplodocídeos, estão entre os dinossauros mais icónicos. Com seus pescoços e caudas muito alongados, representam a forma típica do corpo de saurópodes. As espécies deste grupo ocorrem também em África, na América do Sul e na Europa, mas a diversidade mais elevada é encontrada nos EUA, onde se conhecem mais de 15 espécies destes gigantes, incluindo também o famoso Brontosaurus.
A ilustração científica é uma componente visual de extrema importância na divulgação científica. A associação de uma referência visual, como a representação desenhada do objecto de estudo, a um contexto de transmissão de conhecimento agiliza a sua compreensão, assimilação e divulgação.
No artigo agora publicado na revista científica Journal of Paleontological Techniques, Simão Mateus e Emanuel Tschopp, colaboradores do GEAL - Museu da Lourinhã, descrevem a metodologia de ilustração subjacente à reconstrução de um crânio de dinossauro saurópode Galeamopus da colecção doSauriermuseum
Aathal, na Suiça.
"Apatosaurus Max", desenhado por Simão Mateus publicado no Journal of Paleontological Techniques, Number 17, Mar 2017
Abstract
High-quality scientific illustration is an important visualization tool for natural sciences. In paleontology, drawings help to
guide the reader to important features of the fossils under study, and to remove irrelevant information or strong shadows
that might obscure parts of photographs. Furthermore, drawings allow for the deformation of the fossils to be corrected.
However, for an accurate interpretation of these reconstruction drawings, it is important to provide a detailed report
about the creation of the drawings.
Herein, we describe the methodology of the reconstruction drawing of a skull of the sauropod dinosaur Galeamopus. After
preparation and reconstruction of the skull in the laboratory, illustrations were needed to correct natural deformations,
restore missing parts, and highlight critical features for anatomical recognition of the several bones. The illustrations were
successful thanks to the collaborative work between the paleontologist and the illustrator.
O investigador português Pedro Mocho, actualmente investigador no Natural History Museum of Los Angeles County, nos Estados Unidos da América, com a colaboração do Grupo de Biología Evolutiva-UNED (Espanha), Sociedade de História Natural de Torres Vedras (Portugal), Instituto Don Luiz (Portugal), FCPTDinópolis (Espanha) e Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Portugal), publicaram um estudo na revista científica Papers in Palaeontology acerca da diversidade encontrada na morfologia dos dentes de saurópodes da Península Ibérica.
A equipa de paleontólogos reconheceu, baseando-se na forma geral e em alguns caracteres microscópicos da superfície, quatro tipos de dentes associados a diferentes tipos de saurópodes. Esta ampla diversidade de morfologias está de acordo com a palaeobiodiversidade conhecida da fauna portuguesa de saurópodes do Jurásico Superior e sugere uma extensa partição de nicho para estes dinossauros e correspondente alta diversidade taxonómica.
The Upper Jurassic of the Lusitanian Basin has yielded an important fossil record of sauropods, but little information is available about the tooth morphotypes represented in this region. A large sample of teeth, both unpublished and published, is described and discussed here. Four main tooth morphologies are identified: spatulate, heart-shaped, pencil-shaped, and compressed cone-chisel-shaped. Heart-shaped teeth are considered to be exclusive to a non-neosauropod eusauropod, tentatively referred to Turiasauria. The spatulate teeth can be attributed to members of the Macronaria; they have a complex cingulum, more than one lingual facet and a labial ridge. The compressed cone-chisel-shaped teeth are also attributed to macronarians and the presence of an axially twisted apex through an arc of 30°–45° suggests putative affinities with Europasaurus and basal titanosauriforms. The variability observed in the overall morphology and wrinkling pattern of the compressed cone-chisel-shaped teeth may be due to factors related to the tooth position or to the ontogeny of individuals. Finally, pencil-shaped teeth with high slenderness index values, oval and apically located wear facets, subcylindrical crowns and lacking carinae, are tentatively assigned to Diplodocoidea. The diversity of tooth morphologies is in accordance with the known palaeobiodiversity of the Portuguese Late Jurassic sauropod fauna, which is composed of non-neosauropod eusauropods (turiasaurs), diplodocoids (diplodocids) and macronarians (camarasaurids and probably brachiosaurids). The Late Jurassic sauropod fossil record of the Iberian Peninsula presents the broadest tooth morphospace range in the world from this period, suggesting a wide niche partition for sauropods, and corresponding high taxonomic diversity.
O saurópode Diplodocus é um dos dinossauros mais famosos e populares, sendo alegadamente muito conhecido também do ponto de vista científico. Contudo, o espécime original, o holótipo, no qual se baseou a primeira espécie deste género Diplodocus longus, é um exemplar muito incompleto e pouco distintivo, de tal forma que não se consegue distinguir de outros diplodocídeos. Isto oferece um problema porque significa que a espécie não pode ser considerada válida, e como esta é a espécie-guia para o género Diplodocus, este corre o risco de também não ser válido, e perderíamos assim um dos géneros mais carismáticos e conhecidos de dinossauros.
Esta situação pode ser resolvida sugerindo que a espécie-tipo seja outra espécie Diplodocus que não o D. longus. É precisamente isso que é proposto pelos paleontólogos Emanuel Tschopp e Octávio Mateus à Comissão de Nomenclatura Zoológica e à comunidade científica. A escolha alternativa recai sobre o Diplodocus carnegii, um exemplar quase completo e com réplicas em vários museus do mundo.
O propósito da aplicação, nos termos dos artigos 78.1 e 81.1 do código de nomenclatura zoológica, é substituir Diplodocus longus Marsh 1878 como a espécie-tipo do género de dinossauro saurópode Diplodocus pela espécie D. carnegii Hatcher, 1901 que é muito mais completo e conhecido. O estado pouco diagnosticável do holótipo de D. longus (YPM 1920, uma cauda parcial e uma hemapófise) contrasta com o holótipo de D. carnegii CM 84, um exemplar bem conservado e principalmente articulado. Réplicas deste espécime estão em exposição em vários museus pelo mundo (incluindo Paris, Madrid, Londres e Milão), e a espécie já tem sido usado como a principal referência em estudos de anatomia comparada ou filogenia.
Réplica de holótipo de Diplodocus carnegii no MNHN Paris (Photo OM2016)
Ambas as espécies são do Jurássico Superior das Formação de Morrison nos Estados Unidos. O género Diplodocus é a base para os taxa superiores Diplodocidae Marsh, 1884, Diplodocomorpha Marsh, 1884 (Calvo & Salgado, 1995) e Diplodocoidea Marsh, 1884 (Upchurch, 1995). É também um especificador de pelo menos 10 clados filogenéticos. Com a substituição de D. longus por D. carnegii como espécie-tipo, Diplodocus poderia ser preservado como um nome taxonómico com o conteúdo geralmente aceite. A estabilidade taxonômica do clado Diplodocoidea e as definições propostas para diversos clados de saurópodes podem ser mantida.
Tschopp, E., Mateus O. (2016). Diplodocus Marsh, 1878 (Dinosauria, Sauropoda): proposed designation of D. carnegii Hatcher, 1901 as the type species. Bulletin of Zoological Nomenclature. 73(1), 17-24.
Abstract. The purpose of this application, under Articles 78.1 and 81.1 of the Code, is to replace Diplodocus longus Marsh, 1878 as the type species of the sauropod dinosaur genus Diplodocus by the much better represented D. carnegii Hatcher, 1901, due to the undiagnosable state of the holotype of D. longus (YPM 1920, a partial tail and a chevron). The holotype of D. carnegii, CM 84, is a well-preserved and mostly articulated specimen. Casts of it are on display in various museums around the world, and the species has generally been used as the main reference for studies of comparative anatomy or phylogeny of the genus. Both species are known from the Upper Jurassic Morrison Formation of the western United States. The genus Diplodocus is the basis for the family-level taxa diplodocinae Marsh, 1884, diplodocidae Marsh, 1884, dip- lodocimorpha Marsh, 1884 (Calvo & Salgado, 1995) and diplodocoidea Marsh, 1884 (Upchurch, 1995). It is also a specifier of at least 10 phylogenetic clades. With the replacement of D. longus by D. carnegii as type species, Diplodocuscould be preserved as a taxonomic name with generally accepted content. Taxonomic stability of the entire clade diplodocoidea, and the proposed definitions of several clades within Sauropoda, could be maintained.
Holótipo de Diplodocus longus YPM: vértebra caudal
Holótipo de Diplodocus longus YPM: vértebra caudal