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terça-feira, fevereiro 18, 2020

José Fernando Bonaparte (1928-2020), o Mestre do Mesozóico

Faleceu hoje o paleontólogo José Bonaparte.

José Fernando Bonaparte (1928-2020) Fonte
José Fernando Bonaparte (Rosario, Santa Fe , Argentina, 14 de junho de 1928 - 18 de fevereiro de 2020) foi um paleontólogo argentino que descobriu muitos dos dinossauros da América do Sul e estudou fósseis um pouco por todo o mundo. Esteve em Portugal em 1998 quando estudou o dinossauro saurópode de Porto Dinheiro, o Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte e Mateus 1999. Era do Conselho Científico do Museu da Lourinhã.
Bonaparte era filho de um marinheiro italiano, sem nenhuma ligação próxima com a família de Napoleão Bonaparte. Apesar da falta de treino formal em paleontologia , ele começou a recolher fósseis com muitos amigos desde cedo e criou um museu na sua cidade natal. Mais tarde, ele tornou-se o curador da Universidade Nacional de Tucumán , onde foi nomeado Doutor Honoris causa em 1976 e, no final dos anos 70, tornou-se o paleontólogo no Museu Argentino de Ciências Naturais em Buenos Aires.



https://en.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Bonaparte
https://species.wikimedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Fernando_Bonaparte 


José Bonaparte na Lourinhã em 1998, em conjunto com outros paleontólogos


Vértebras desenhadas pelo próprio José Bonaparte do dinossauro saurópode de Porto Dinheiro, o Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte e Mateus 1999.  



quarta-feira, junho 26, 2019

O futuro da paleontologia: será substituída por inteligência artificial?

Se estamos à procura de emprego, as perguntas essenciais nos nossos dias são:

O meu emprego está em risco devido à inteligência artificial? 
Os computadores e robots vão substituir o emprego que eu quero? 

E no caso da paleontologia: será substituída por computadores e inteligência artificial?

No influente artigo de 2017 "The future of employment: how susceptible are jobs to computerisation?" os autores Carl Benedikt Frey & Michael Osborne examinaram como os empregos são suscetíveis à informatização, implementando uma nova metodologia para estimar a probabilidade de informatização de 702 empregos. Com base nessas estimativas, eles examinam os impactos esperados da informatização futura sobre os resultados do mercado de trabalho dos EUA, com o objetivo principal de analisar o número de empregos em risco e a relação entre a probabilidade de informatização, salários e níveis de escolaridade de uma ocupação. Os três parâmetros medidos foram parcelas de inteligência social, inteligência criativa e percepção e manipulação.

De acordo com suas estimativas, cerca de 47% do total de empregos nos EUA está em risco.
Os valores oscilam entre 0.28% de risco de os terapeutas recreativos perderem o seu emprego para os robots e computadores e 99% de risco dos empregos de telemarketing deixarem de ser feitos por pessoas.

Estas são as estimativas para algumas das 702 ocupações:
0.28%  Terapeutas recreativos
0.77%  Arqueólogos e antropólogos
0.78%  Professores de escola secundária
1.5%   Cientistas biólogos
14%   Engenharia Geológica e Minas
30%   Zoólogos
59%   Técnicos de museologia e conservadores
91%   Técnicos e geólogos de petróleo
99%   Telemarketing
Os resultados dos 702 empregos podem ser consultados em https://www.oxfordmartin.ox.ac.uk/downloads/academic/The_Future_of_Employment.pdf

Não há estimativa para paleontólogos, mas indicam 0.77% para arqueólogos e antropólogos, que
é um dos valores mais baixos. É bem verdade que o objecto de estudo é bem diferente entre a arqueologia que estuda os humanos e seus vestígios e a paleontologia que estuda os fósseis e seres extintos.

Inteligência artificial e paleontologia.
Montagem. Fonte: https://media.defense.gov e www.kisspng.com

Mas é verdade é que as técnicas são muito semelhantes: prospecção, escavação, preparação laboratorial, estudo anatómico, descrição, compreensão da evolução, museologia, etc.
É por isso razoável propôr os mesmos valores: há 0.77% de probabilidade de a paleontologia ser substituída por inteligência artificial (IA).
Sabemos contudo que a IA e métodos de Deep Learning podem contribuir na identificação de ossos, caracteres anatómicos, preparação mecânicas, etc. A IA já é usada na paleontologia, sobretudo na micropaleontologia:
https://www.scientificamerican.com/article/artificial-intelligence-used-home-in-new-fossil-sites/
https://mc.ai/artificial-intelligence-paleontology-use-deep-learning-to-search-for-microfossils/

Mas o facto da paleontologia ser uma ocupação com poucos profissionais (em comparação os milhares de professores ou vendedores, por exemplo) a probabilidade de investimento em grandes projectos de aplicação de AI em paleontologia é também menor.

Mais uma razão para estudar no Mestrado em Paleontologia.

sexta-feira, outubro 12, 2018

Paleontólogo Rogério Rocha (1941-2018)

É com tristeza que divulgamos a perda do eminente paleontólogo Rogério Rocha (1941-2018).

Rogério Eduardo Bordalo da Rocha, nasceu em Luanda aos 13 de Julho de 1941. Licenciou-se em Ciências Geológicas (Univ. de Lisboa) em 1964 e foi o primeiro doutorado pela  Fac. de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, com o Doutoramento em Geologia em 1977. Foi assistente na  Univ. de Lisboa, Fac. de Ciências (FC/UL) a partir de 1965 e transitou para a FCT-UNL em 1976. Em 2003 foi Professor Catedrático com Jubilação em 2011.

Prof. Rogério Rocha durante a sessão de abertura do congresso Strati em Lisboa no ano de 2013 (foto: OM)

A sua tese de doutoramento "Estudo estratigráfico e paleontológico do Jurássico do Algarve Ocidental" foi essencial para a compreensão do Jurássico do Algarve.

Foi director do Centro de Estratigrafia e Paleobiologia (CEP/UNL); Director do Centro de Investigação em Geociências Aplicadas (CIGA/UNL) (2000-2, Director Geral do Ensino Superior do Ministério da Educação (ME) (1983-1984); 1º Presidente da Comissão Científica e do Conselho de Departamento de Ciências da Terra (DCT) da FCT/UNL (1993-1994) e Pró-Reitor da Universidade Nova de Lisboa (1997-2003).

Foram-lhe dedicados novos taxa incluindo o de Mortoniceras rochai (Collignon), que é o taxon índice do Horizonte M.rochai, do Albiano sup. da Bacia de Benguela (Angola).


Rogério Rocha (1941-2018) aquando da inauguração da biblioteca com o seu nome, no Departamento de Ciências da Terra da Universidade Nova de Lisboa, em 2018 (foto: OM)

Do ponto de vista científico o Prof. Rogério Rocha focou-se na geologia de bacias sedimentares (Bacias Lusitaniana e do Algarve), com particular incidência sobre a estratigrafia, paleontologia e cartografia geológica de unidades triásicas e jurássicas.

Participou na organização e/ou coordenação de várias reuniões científicas internacionais, de que se destacam o 2nd International Symposium on Jurassic Stratigraphy (Lisboa, 1987), o 6 th Meeting of the European Geological Societies (Lisboa, 1990), o 4th European Palaeontological Association Workshop (Lisboa, 1999), o 1º Congresso do Quaternário dos Países de Línguas Ibéricas (Lisboa, 2001), o Field Trip Meeting do Toarcian Working Group da International Subcommission on Jurassic Stratigraphy (Peniche, 2005); o 1 º e o 2 º Congresso de Geologia dos Países de Língua Portuguesa (CoGePLiP) (Santos, Brasil, 2012; Porto, 2014), o 1 st International Congress on Stratigraphy
(STRATI 2013) (Lisboa, 2013) e todos os Congressos Nacionais de Geologia (desde 1983);

É autor / co-autor de mais de 225 artigos científicos, publicados em revistas nacionais e internacionais, em boa parte indexadas a bases de dados referenciais e de dezenas de comunicações apresentadas em reuniões científicas, nacionais e internacionais. Segundo o Perfil no Google Citation tem 1166 citações e um índice de 14.

É autor / co-autor de 2 géneros e 18 espécies de novos amonóides do Pliensbaquiano e de mais de 30 unidades cronostratigráficas e litostratigráficas do Jurássico e do Cretácico das bacias Lusitaniana e Algarvia.

Responsabilidades nacionais e internacionais
- Presidente da Direcção da Sociedade Portuguesa de Espeleologia (1969-1970);
- Membro correspondente da Sous-Commission du Jurassique da Commission de Stratigraphie da Union Internationale des Sciences Géologiques (1971-1980; 1984-2000);
- Presidente da Direcção da Sociedade Geológica de Portugal (1987-2006; 2010-2014); membro da Direcção da Sociedade desde 1979; Presidente da Assembleia Geral da Sociedade (2006-2010; desde 2014);
- 1º Presidente da Direcção da Association of European Geological Societies (AEGS, 1990-1991); membro da Comissão Directiva da AEGS, na qualidade de Conselheiro (desde 1991);
- Fundador e membro do Executive Committee e do Council da European Palaeontological Association (EPA) (desde 1991); membro do Conselho Editorial da revista EUROPAL, da EPA (desde 1992); Vice-Presidente da EPA (1999-2001);
- Membro da Comissão Portuguesa da UNESCO no IGCP (1990);
- Convenor do Toarcian Task Group da Sous-Commission du Jurassique da Commission de Stratigraphie (ICS) da Union Internationale des Sciences Géologiques (IUGS) (desde 2008); nesta qualidade coordenou o grupo de especialistas que apresentou a proposta do GSSP do Toarciano, no corte de Ponta do Trovão (Peniche), aprovado em 2016. O artigo que propõe este estratótipo é:
Rocha, R.B., Mattioli, E., Duarte, L., Pittet, B., Elmi, S., Mouterde, R., Cabral, M.C., Comas-Rengifo, M., Gómez, J., Goy, A. and Hesselbo, S., 2016. Base of the Toarcian stage of the lower Jurassic defined by the global boundary stratotype section and point (GSSP) at the Peniche section (Portugal). Episodes Journal of International Geoscience.

Já este ano, a biblioteca do Departamento de Ciências da Terra da FCT da Universidade Nova de Lisboa  foi baptizada como "Biblioteca Prof. Rogério Rocha".

Faleceu aos 11 de Outubro de 2018 vítima de cancro.

Lamentamos a perda de tão eminente paleontólogo nacional, estimado colega, e muito prestável professor. A geologia portuguesa e o país estão mais pobres após perder um grande homem.


domingo, março 04, 2018

Faleceu o paleontólogo Jacques Rey

Faleceu o paleontólogo francês Jacques Rey  que tanto colaborou com Portugal e estudou a estratigrafia e paleontologia portuguesa sobretudo do Cretácico Inferior. O Prof. Rey, de 77 anos, era Prof. Emérito da Universidade de Toulouse, em França. Descreveu várias novas espécies de equinodermes e deu um enorme contributo para a compreensão do Cretácico de Portugal. Em Abril de 2012 foi-lhe atribuído doutoramento Honoris Causa pela Universidade Nova de Lisboa.

Jacques Rey na Praia da Foz em 2012 (foto: OM)
Rey foi autor de numerosos trabalhos, dos quais destacamos:

  • Rey, J. (1972). Recherches géologiques sur le Crétacé inférieur de l'Estramadura (Portugal) (No. 21). Serviços Geológicos de Portugal.
  • Dinis, J. L., Rey, J., Cunha, P. P., Callapez, P., & Dos Reis, R. P. (2008). Stratigraphy and allogenic controls of the western Portugal Cretaceous: an updated synthesis. Cretaceous Research, 29(5-6), 772-780.
  • Ramalho, M. M., & Rey, J. (1981). Réflexions sur la formation crétacée de Porto de Mós (Algarve, Portugal).
  • Rey, J., Dinis, J. L., Callapez, P., & Cunha, P. P. (2006). Da rotura continental à margem passiva. Composição e evolução do Cretácico de Portugal. Lisboa, Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI), 75pp.
  • Manuppella, G., Antunes, M. T., Pais, J., Ramalho, M., & Rey, J. (1996). Carta geológica de Portugal 1/50000. Folha 30-A, Lourinhã. Departamento de Geologico e Mineiro.
  • Rey, J., Bilotte, M., & Peybernes, B. (1977). Analyse biostratigraphique et paléontologique de l'Albien marin d'Estremadura (Portugal). Géobios, 10(3), 369-393.
  • Rey, J. (1986). Micropaleontological assemblages, paleoenvironments and sedimentary evolution of Cretaceous deposits in the Algarve (southern Portugal). Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 55(2-4), 233-246.
  • Rey, J. (1993). Les unités lithostratigraphiques du Grupe de Torres Vedras (Estremadura, Portugal). Comunicações do Instituto Geológico e Mineiro, 79, 75-85.
  • Dinis, J., Rey, J., & de Graciansky, P. C. (2002). Le Bassin lusitanien (Portugal) à l'Aptien supérieur–Albien: organisation séquentielle, proposition de corrélations, évolution. Comptes Rendus Geoscience, 334(10), 757-764.

A geologia e paleontologia portuguesa muito devem ao Prof. Jacques Rey.

terça-feira, janeiro 09, 2018

Paleontólogo João Russo

O primeiro autor de um dos artigos do ano de 2017 é João Russo.

João Paulo Vasconcelos Mendes Russo, nasceu em Lisboa em 2 de Fevereiro de 1986. Fez a licenciatura em Geologia na Universidade de Lisboa (2010) e Mestrado em Paleontologia na Universidade Nova de Lisboa em associação com a Universidade de Évora com a tese dedicada a “Eggs and eggshells of Crocodylomorpha of the Late Jurassic of Portugal”, defendida com 19 valores.
João Russo. Foto por O.Mateus
Desde 2010 que é voluntário no Museu da Lourinhã desde a preparação laboratorial a montagem de exposições. Ao mesmo tempo, desenvolveu trabalhos de digitalização 3D, que culminou com trabalho em espécimes do Sauriermuseum Aathal em Fevereiro de 2012 e a presença na conferência Digital Fossil em Setembro do mesmo ano realizada em Berlim, como co-autor de uma comunicação. Participou no congresso Strati como voluntário do pessoal de apoio e como bolseiro no Projecto DinoEggs. Participou em escavações e expedições no Wyoming, Marrocos, Algarve e Lourinhã.

Actualmente está a começar o doutoramento na Universidade Nova de Lisboa com o título “Evolution of nodosaurid dinosaurs and description of a new skeleton from the Late Jurassic of Portugal” sob a orientação de Octávio Mateus.
Segundo o Google Scholar João Russo tem 41 citações e um índice h de 3. Ele tem sido alvo de algumas notícias no blog Lusodinos e pode também seguir no Research Gate.

Publicações:
Marzola, M., J Russo, O Mateus (2015) Identification and comparison of modern and fossil crocodilian eggs and eggshell structures. Historical Biology 27 (1), 115-133.
Russo, J. O Mateus, M Marzola, A Balbino (2014). Crocodylomorph eggs and eggshells from the Lourinhã Fm. (Upper Jurassic), Portugal. Comunicações Geológicas 101 (Especial I), 563-566
Tschopp, E., J Russo, G Dzemski (2013). Retrodeformation as a test for the validity of phylogenetic characters: an example from diplodocid sauropod vertebrae. Palaeontologia Electronica 1998, 16 1 2013
Santos, OF dos, J Russo, M Mendes, N Pimentel, RP dos Reis. (2010). Modeling of Cretaceous uplift and erosion events in the Lusitanian Basin (Portugal). CM 2010-Abstracts 3

Paleontóloga Vânia Correia

A primeira autora de um dos artigo do ano de 2017 é Vânia Correia sendo acompanhada no artigo por James B.Riding, Paulo Fernandes, Luís V. Duarte e Zélia Pereira.



Vânia Dinora Pereira Fraguito Correia, nascida a 12 de Julho de 1983 em Vila Real, é licenciada em Biologia e mestre em Recursos Geológicos pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) após estudar na Escola Secundária Camilo Castelo Branco em Vila Real. Trabalhou na Associação Geoparque Arouca e Universidade de Pisa. Actualmente é aluna de Doutoramento (3º Ciclo em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente) na Universidade do Algarve, com a bolsa FCT SFRH/BD/93950/2013, desenvolvendo o tema: "Jurassic dinoflagellate cyst biostratigraphy of the Lusitanian Basin, west-central Portugal, and its relevance to the opening of the North Atlantic and petroleum geology".
O seu orientador principal é Prof. Paulo Fernandes (Universidade do Algarve) e os Co-orientadores são Zélia Pereira (LNEG, Laboratório de Palinologia) e James Riding (British Geological Survey).
A Vânia faz a sua investigação no CIMA – Centro de Investigação Marinha e Ambiental, da Universidade do Algarve e no LNEG, S. Mamede de Infesta.

A Vânia e os demais investigadores já mencionados são autores de dois artigos publicados este ano, ambos nomeados para Artigo do Ano.

Correia, V.F., Riding, J.B., Fernandes, P., Duarte, L.V. and Pereira, Z., 2017. The palynology of the lower and middle Toarcian (Lower Jurassic) in the northern Lusitanian Basin, western Portugal. Review of Palaeobotany and Palynology, 237, pp.75-95.

Correia, V.F., Riding, J.B., Duarte, L.V., Fernandes, P. and Pereira, Z., 2017. The palynological response to the Toarcian Oceanic Anoxic Event (Early Jurassic) at Peniche, Lusitanian Basin, western Portugal. Marine Micropaleontology, 137, pp.46-63.

Podemos ainda adiantar que a dissertação de doutoramento está prestes a ser entregue para avaliação e desde já felicitamos a Vânia e os restantes autores.


OM20180108

segunda-feira, novembro 27, 2017

Paleontólogo Josef Felix Pompeckj (1867-1930)


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Josef Felix Pompeckj
Fez em Maio passado 150 anos de aniversário de nascimento do paleontólogo Josef Felix Pompeckj que trabalhou em Portugal e aproveitamos para compilar uma curta biografia.

Josef Felix Pompeckj (10 de maio de 1867 Groß-Köllen, agora Kolno na Polónia † 08 de julho de 1930, Berlim) foi um paleontólogo e geólogo alemão. Estudou geologia e paleontologia na Universidade de Königsberg e recebeu seu doutoramento em 1890 com a tese Die Trilobitenfauna der ost- und westpreußischen Diluvialgeschiebe.  Em Portugal estudou amonites do Jurássico Inferior através de Paul Choffat e Johannes Böhm que estudavam as Camadas de Pereiros com as primeiras publicações em 1897. Trabalhou em Tübingen, Munique e Hohenheim. Em 1903 foi designado professor em Munique e, a partir de 1904, ensinou aulas de geologia e mineralogia na faculdade agrícola de Hohenheim.  Em 1907, mudou-se para a Universidade de Göttingen, onde acabou se tornando professor titular de geologia e paleontologia. A partir de 1913 trabalhou como professor em Tübingen, em 1917 mudou-se para a Universidade de Berlim como sucessor de Wilhelm von Branca. Foi nomeado diretor do Geologisch-Paläontologischen Institut und Museum em Berlim.

Espécies descritas em Portugal:
Arietites (Asteroceras) amblyptychus Pompeckj 1897
Ptycharietites ptychogenos (Pompeckj, 1897)
Ptycharietites (Pompeckioceras) cf. oncocephalus (Pompeckj, 1897)
"Oxynoticeras" choffati Pompeckj, 1906

Pompeckj, J. F. (1897). Neue Ammoniten aus dem unteren Lias von Portugal.Zeitschrift der Deutschen Geologischen Gesellschaft, 636-661.
Pompeckj, J. F. (1898): Notes sur quelques ammonites du Sinémurien du Portugal. Communicações de Direcção de Trabalhos Geológicos de Portugal, 3: 210–238.
Pompeckj, J.F., 1907. Notes sur les Oxynoticeras du Sinémurien supérieur du Portugal et remarques sur le genre Oxynoticeras. Communicações da Commissão do Serviço Geológico de Portugal, 6, pp.214-338.






terça-feira, julho 25, 2017

Entre 11 e 13 de Agosto, os dinossauros saem à rua



“Dinossauros Saem à Rua”, iniciativa organizada em parceria entre o GEAL – Museu da Lourinhã, a Câmara Municipal da Lourinhã e a União de Freguesias da Lourinhã e Atalaia, é um evento de âmbito cultural e turístico que visa a divulgação da ciência e do conhecimento, designadamente no domínio da Paleontologia, tendo fins pedagógicos e de entretenimento e lazer.


Estão previstas, para os dias 11, 12 e 13 de Agosto, diversas actividades destinadas ao público de todas as idades: ateliers, exposições, jogos e experiências cientificas, animação de rua, street food, conferências e cinema 360º, para citar algumas. 

Mais informações em:

sexta-feira, abril 14, 2017

Centenário do paleontólogo Octávio da Veiga Ferreira (1917-1997)

Completaram-se, há poucos dias, os 100 anos do nascimento de Octávio da Veiga Ferreira e hoje (14 de Abril) passam 20 anos sobre a sua morte.

Octávio Reinaldo da Veiga Ferreira (Lisboa, 28 de Março de 1917 - Lisboa, 14 de Abril de 1997) foi um brilhante paleontólogo e arqueólogo português, com uma colaboração prolongada com George Zbyszewski nos Serviços Geológicos de Portugal. A ele devemos numerosos estudos na paleontologia. Ferreira é reputado sobretudo pelo seu trabalho no domínio da Arqueologia (Cardoso, 1997) mas o seu contributo para a Paleontologia em Portugal também foi importante. Na temática dos dinossauros, Veiga Ferreira foi incansável, embora tenha sido co-autor de apenas uma nota (Lapparent et al., 1951) sobre pegadas de dinossauros num artigo de 1951 com de Lapparent, Zbyszewski e Fernando Moitinho de Almeida sobre a jazida do Cabo Mondego, onde Gomes (1916) assinalara pegadas.

Octávio da Veiga Ferreira participou e orientou escavações (nomeadamente escavação do saurópode Lourinhasaurus alenquerensis no Moinho do Carmo (Alenquer), escavado em 1949 juntamente com G. Zbyszewski), realizou prospecção e recolha (pelo menos, no Cabo Espichel e Boca do Chapim, onde obteve, em 1951, um magnífico dente de Iguanodon; Lapparent & Zbyszewski, 1957: Pl. XII, fig. 13), e as ilustrações da obra de Lapparent & Zbyszewski (1957).
 A ele devemos os primeiros estudos sobre ictiossauros em Portugal, em 1958, sobre espécimes da Praia de N. S. da Vitória, cerca de 1000 m para Sul de S. Pedro de Muel, no Pliensbaquiano, aquando na companhia do Professor Abade Mouterde, Abade Rossé e Christiane Perrot.
Em 1959, Veiga Ferreira apontou a ocorrência do crocodilo Pelagosaurus tomarensis, no Jurássico inferior de Tomar, mais tarde reclassificado como Mystriosaurus bollensis.
Descreveu ainda numerosa fauna Miocénica e quaternária, da qual destacamos a fauna miocénica de Leiria e  urso-pardo de S. Bartolomeu dos Galegos (Lourinhã).

A biografia de Octávio da Veiga Ferreira é-nos dada por Cardoso (1997).

Aqui algumas das suas obras da Paleontologia de Vertebrados:

Octávio da Veiga Ferreira (por Cardoso, 1997)
Octávio da Veiga Ferreira, em 1986 (Diário Popular)
Octávio da Veiga Ferreira, retrato exposto no Museu Geológico.
Ferreira, O.V. 1958. Novos restos de «lctyosauridae»  e «Stenopterygidae» encontrados no Lias  de Portugal. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal. - Tomo XLII (1958), p. 175-183.
Ferreira, O.V. 1959. Nota sobre a presença do género Pelagosaurus no Lias de Tomar. Anais da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. - vol. XLI, nº 2 (1959), p. 121-125.
Furtado et al. (1973-1974). Descoberta de uma jazida quaternária com Ursus arcto no lugar de S. Bartolomeu, Lourinhã. Cesaraugusta : publicaciones del Seminario de Arqueología y Numismática Aragonesas. - 37-38 , p. 5-8
Zbyszewski, G., & O. da Veiga Ferreira 1967. Découverte de vertébrés fossiles dans le Miocène de la région de Leiria. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, t. LII, 1967, p. 5-10.
Ferreira, O.V. 1961. Fauna ictyológica do Cretácico de Portugal. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, tomo XLV, p. 251-278
Lapparent et al. 1951. Empreintes de pas de Dinosauriens dans le Jurassique du Cap Mondego, Portugal. C. R. S. de la Société Géologique de France, Nº 14, séance du 19 novembre 1951, p. 251-252.
Ferreira, O.V. (1975). Os rinocerontes quaternários encontrados em Portugal. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal. - Tomo LIX (1975), p. 15-25


Cardoso, J.L., 1997. Octávio da Veiga Ferreira (1917-1997). Trabajos de Prehistoria, 54(2), p.5.

terça-feira, abril 04, 2017

Dentes de Saurópodes do Jurássico Superior de Portugal revelam alta diversidade taxonómica


O investigador português Pedro Mocho, actualmente investigador no Natural History Museum of Los Angeles County, nos Estados Unidos da América, com a colaboração do Grupo de Biología Evolutiva-UNED (Espanha), Sociedade de História Natural de Torres Vedras (Portugal), Instituto Don Luiz (Portugal), FCPTDinópolis (Espanha) e Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Portugal), publicaram um estudo na revista científica Papers in Palaeontology acerca da diversidade encontrada na morfologia dos dentes de saurópodes da Península Ibérica.


A equipa de paleontólogos reconheceu, baseando-se na forma geral e em alguns caracteres microscópicos da superfície, quatro tipos de dentes associados a diferentes tipos de saurópodes. Esta ampla diversidade de morfologias está de acordo com a palaeobiodiversidade conhecida da fauna portuguesa de saurópodes do Jurásico Superior e sugere uma extensa partição de nicho para estes dinossauros e correspondente alta diversidade taxonómica.



Abstract

The Upper Jurassic of the Lusitanian Basin has yielded an important fossil record of sauropods, but little information is available about the tooth morphotypes represented in this region. A large sample of teeth, both unpublished and published, is described and discussed here. Four main tooth morphologies are identified: spatulate, heart-shaped, pencil-shaped, and compressed cone-chisel-shaped. Heart-shaped teeth are considered to be exclusive to a non-neosauropod eusauropod, tentatively referred to Turiasauria. The spatulate teeth can be attributed to members of the Macronaria; they have a complex cingulum, more than one lingual facet and a labial ridge. The compressed cone-chisel-shaped teeth are also attributed to macronarians and the presence of an axially twisted apex through an arc of 30°–45° suggests putative affinities with Europasaurus and basal titanosauriforms. The variability observed in the overall morphology and wrinkling pattern of the compressed cone-chisel-shaped teeth may be due to factors related to the tooth position or to the ontogeny of individuals. Finally, pencil-shaped teeth with high slenderness index values, oval and apically located wear facets, subcylindrical crowns and lacking carinae, are tentatively assigned to Diplodocoidea. The diversity of tooth morphologies is in accordance with the known palaeobiodiversity of the Portuguese Late Jurassic sauropod fauna, which is composed of non-neosauropod eusauropods (turiasaurs), diplodocoids (diplodocids) and macronarians (camarasaurids and probably brachiosaurids). The Late Jurassic sauropod fossil record of the Iberian Peninsula presents the broadest tooth morphospace range in the world from this period, suggesting a wide niche partition for sauropods, and corresponding high taxonomic diversity.

terça-feira, março 14, 2017

Laboratório de MacroPaleontologia na NOVA

Decorreu ontem, dia 13 de Março de 2017, pelas 12:00 horas, no piso térreo do Departamento de Ciências da Terra da FCT - Universidade Nova de Lisboa a inauguração do "Laboratório Professor Miguel Telles Antunes - Laboratório de Macropaleontologia". Estiveram presentes, entre outros, o Sr. Diretor da FCT -UNL, Prof. Fernando Santana, o Director do Departamento de Ciências da Terra, Prof. José Carlos Kullberg e, naturalmente, o homenageado, Prof. Miguel Telles Antunes.

Laboratório de Macro Paleontologia de Vertebrados - FCT UNL

quarta-feira, março 08, 2017

As primeiras mulheres na paleontologia de Portugal

Neste Dia da Mulher (8 de Março) fazemos uma referência às primeiras mulheres que trabalharam em fósseis de Portugal. Estas foram as pioneiras na paleontologia de Portugal:


Geneviéve Termier (1917-2005)
Geneviéve Termier (n. 2 de Abril de 1917, Paris; f. 27 de Maio de 2005)
Geneviéve Termier 
Trabalhou com espongiários do Jurássico com Miguel Ramalho e com Berthou nos moluscos do Cenomaniano.
Autora de:
Termier, G., Termier, H. and Ramalho, M., 1985. Spongiofaunes du Jurassique supérieur du Portugal. Comunicações dos serviços geológicos de Portugal, 7, pp.197-222.
Termier, H., Termier, G. and Ramalho, M., 1985. Sur les spongiofaunes de l'Oxfordien supérieur et du Kimmeridgien du Portugal; description du Neuroporidé Periomipora elegantissima nov. Comptes rendus de l'Académie des sciences. Série 2, Mécanique, Physique, Chimie, Sciences de l'univers, Sciences de la Terre, 300(19), pp.975-980.
Fonte: http://www.rareresource.com/paleontologists/Genevieve-Termier.html


Catharina Groot (1921?-2002?)
Catharina R. Groot publicou com Johan J. Groot um único trabalho em Portugal, sobre microfósseis de plantas do Cretácico. O contexto leva-nos a deduzir, que se trata de sua esposa. Publicou muitos trabalhos com ele.
Obras publicadas:
Groot, J. J., & Groot, C. R. (1962). Plant microfossils from Aptian, Albian and Cenomanian deposits of Portugal.

Joaquina Monteiro de Andrade (1922-?)
Joaquina Borges Baltazar de Pinho Montenegro de Andrade (1922- ) foi autora de:
de Andrade, M. M., & de Andrade, J. B.M. (1957). Estado actual dos conhecimentos sobre a paleontologia de Angola.

Nicole Grambast-Fessard (1927-2010)
Nicole Grambast-Fessard, nasceu em Paris em 1927 e morreu a 10 de agosto de 2010 em Montpellier. Estudou carófitas.
Autora de:
Grambast-Fessard, N. and Ramalho, M., 1985. Charophytes du Jurassique supérieur du Portugal. Revue de micropaléontologie, 28(1), pp.58-66.
Grambast-Fessard, N., 1980. Quelques espèces de Clypeator Grambast (Clavatoraceae) et les charophytes associées du Crétacé inférieur du Portugal. Revue de Micropaléontologie, 23(1), pp.33-47.
Grambast-Fessard, N., 1980. Quelques espèces de Clypeator Grambast (Clavatoraceae) et les charophytes associées du Crétacé inférieur du Portugal. Revue de Micropaléontologie, 23(1), pp.33-47.
Grambast, L. and Grambast-Fessard, N., 1972. Étude sur les Charophytes tertiaires d'Europe occidentale (Vol. 1). Laboratoire de paléobotanique, Université des sciences et techniques.


Solange Vallin
Dedicou-se à paleobotânica. Baptizou algumas espécies de vegetais fósseis como Cupressinoxylon lusitanensis Vallin 1966 e Leguminoxylon teixeirae Vallin.
Artigos publicados:
Vallin, S. 1965. Sur une Cupressaceae fossile du Portugal. Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, Vol. XVI, 1965, p. 125-136
Vallin, S., 1965. Sur une Legumineuse fossile nouvelle du Portugal. Bol. Soc. geol. Portugal, 16, pp.111-24.
Boureau, E. and Vallin, S., 1965. Sur la presence du Leguminoxylon aff. schoelleri Boureau au Portugal. Bol. Soc. geol. Portugal, 16, pp.137-52.
Vallin, S., Contribution à l'étude des flores fossiles du Portugal: Les Cupressinoxylon, répartition stratigraphique, intérêt paléoclimatique (Doctoral dissertation).
Vallin, S., Contribution à l'étude des flores fossiles du Portugal.

terça-feira, março 07, 2017

Dinossauros da Lourinhã em exposição em França



Decorrerá, entre 18 de Março e 8 de Abril, na vila francesa de Deuil-La Barre, a exposição "Jurassic Deuil", fruto da colaboração entre a Câmara Municipal da Lourinhã, a congénere francesa de Deuil-La Barre, nos arredores de Paris, e o Museu da Lourinhã. Apresentar-se-à ao público com actividades diversas que incluem ateliers temáticos, exposições e conferências.

Programa completo disponível aqui.




Segundo o site do Museu da Lourinhã:

Exposição do Museu da Lourinhã viaja até França!
No âmbito do protocolo de geminação existente entre os Municípios da Lourinhã e de Deuil-la Barre (França), o Museu da Lourinhã e estas duas entidades abraçaram o projeto de levar de novo a Lourinhã a terras francesas, através da realização de uma exposição temporária de paleontologia intitulada “Os Dinossauros da Lourinhã em Deuil-la Barre”. Esta exposição decorrerá entre os dias 18 de março e 8 de abril do corrente ano, simultaneamente em dois espaços distintos da vila francesa.

Num dos espaços, onde estará patente a exposição propriamente dita, o público poderá apreciar vários fósseis e réplicas de algumas das espécies mais emblemáticas da Lourinhã, como sejam o Lourinhanosaurus antunesi, o Miragaia longicollum ou o Zby atlanticus. Também estarão presentes réplicas de crânios de Ceratossauro e Brachiosauro, ossos longos doutras espécies, pegadas e invertebrados, assim como de ovos de dinossauros!
Na outra sala, dirigida principalmente ao público mais novo, a exposição irá funcionar como um complemento contextual e pedagógico. O que é a geologia, o que é a paleontologia, porque a Lourinhã é tão rica em fósseis de dinossauro? São algumas das perguntas a que a exposição irá responder. As crianças poderão tocar em réplicas e até mesmo num fóssil, simular a descoberta e a escavação de fósseis numa caixa de areia! Serão ainda organizados ateliers para os mais novos, afim de encenarem trabalhos de preparação de fósseis.
Finalmente, dois dos nossos investigadores, Octávio Mateus e Bruno Pereira, irão estar presentes em dois momentos distintos, para apresentarem a riqueza do espólio da Lourinhã e de Portugal. Outros investigadores franceses também irão conferenciar sobre temas da paleontologia.

Este é um grande trabalho de colaboração para estreitar os laços entre as nossas comunidades e divulgar mais uma vez o nome e o trabalho do Museu da Lourinhã além-fronteiras!

exposição temporária Museu Lourinhã em França


Fontes:
http://www.deuillabarre.fr
http://www.museulourinha.org
http://www.leparisien.fr/deuil-la-barre-95170/deuil-la-barre-veut-devenir-la-capitale-europeenne-du-dinosaure-05-02-2016-5518505.php



segunda-feira, março 28, 2016

200 anos sobre a vida de Charles Bonnet (1816-1867), fundador da Comissão Geológica

Mapa geográfico do Alentejo e Algarve
por Charles Jonnet 1850
Faz hoje exactamente 200 anos sobre o nascimento de um dos fundadores da geologia Portuguesa, Charles Bonnet (1816-1867).
Charles Jean Baptiste Bonnet (n. Vesoul , França, a 28 de Março de 1816, - m. Loulé, a 8 de Abril de 1867) era filho do sapateiro François Bonnet e de Jeanne Françoise Zominy, doméstica, ambos de origem humilde. Fez os seus estudos em engenharia civil na especialidade de geologia e mineralogia em França. Emigrou para Portugal entre 1844 e 1846.  Membro da Academia das Ciências de Lisboa desde 1849.

Foi casado com Octávia Henriqueta Isaura Pernot, e teve um filho, Carlos Octávio Bonnet,
Frontspício de Bonnet, C. 1950. Algarve (Portugal). Description géographique et géologique de cette Province
Viveu na rua de S. Francisco, n. 40-12, em Lisboa, e, depois em Loulé.  Em 1846, Bonnet estava a estudar uma mina de cobre no Algarve. Nessa altura deparou-se com a necessidade de corrigir e melhorar a cartografia geológica da região.  Em 1847, fez a sua segunda viagem ao Algarve, desta vez para percorrer toda a região, procedendo a numerosas observações de carácter topográfico, geográfico e geológico. A partir de 1849 Bonnet dirige a Comissão Geológica do reino, criada no ano anterior, em 1848, por parecer da Academia das Ciências. Essa comissão foi criada para dar “princípio à exploração geológica e mineralógica do Reino” (segundo a Acta da Câmara dos Deputados, de 16 de Abril de 1849), precursora da Comissão organizada na Direcção-Geral dos Trabalhos Geodésicos em 1857. Recebeu o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo em 8 de Novembro de 1847. Charles Bonnet fez recolhas de espécimens e dados orográficos, corográficos, botânicos, e geológicos. Recolheu fósseis e amostras de minerais no Algarve. Ofereceu uma colecção de 140 rochas e minerais ao Museu de História Natural da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Relativamente à paleontologia, Bonnet teve um papel secundário, sendo o principal trabalho a cartografia geológica e geográfica. Contudo, refere a existência de amonites e belemnites na Serra de Alfeição, Nexe, perto de Loulé, e conchas miocénicas em Lagos, Vila Nova de Portimão, Ferragudo, Mexilhoeirinha e Albufeira. Cita mesmo a existência de fósseis “Cardium edule” e Mytilus em Albufeira e entre Lagos e Porto de Moz (Bonnet, 1850: p. 142).
Residência de Charles Bonnet, em Loulé.

Jaz em Loulé. Não se conheçem imagens de Charles Bonnet.


Publicou:
Mappa Geographico da Provincia do Alentejo e do Reino do Algarve(ca. 1:800 000, 1851) disponível em http://purl.pt/1968
Bonnet, C. 1850. Mémoire sur le Royaume de l’Algarve (Province du Portugal), contenent la description des montagnes, des sources, des cours d’eau, des villes, etc., du climat, de la végétation, des animaux, de l’industrie, du commerce, etc., ainsi qu’une esquisse historique de cette contrée. Memórias da Academia das Ciências de Lisboa, 2ª série, tomo II.
Bonnet, C. 1950. Algarve (Portugal). Description géographique et géologique de cette Province. Acad. Roy. Scienc. Lisbonne, 186 p.






Fontes e Biografias:
Dias, M.H., Charles Bonnet (1816-1867). Em http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p67.html
Mesquita, J.C.V., 1985. Charles Bonnet, a reedição de uma obra e a urgência dum Jardim Botânico em Loulé. Al-Gharbe-Estudos Regionais, 2, pp.33-61.

Não confundir com o homónimo naturalista e filósofo suíço Charles Bonnet (1720-1793).