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quarta-feira, maio 30, 2018

Répteis cretácicos de Angola em exposição no Smithsonian

Répteis marinhos cretácicos de Angola vão ser o foco de uma exposição temporária no National Museum of Natural History do prestigiado Instituto Smithsonian, em Washington, a partir de 9 de Novembro, em resultado da colaboração com o Projecto PaleoAngola.

A exposição denominada “Sea Monsters Unearthed: Life in Angola’s Ancient Seas” vai estar patente durante dois anos, após os quais está disponível para ir para Angola. A exposição teve a colaboração da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e contou com a supervisão científica de Louis Jacobs da Southern Methodist University (SMU) do Texas e do Projecto PaleoAngola.

A exposição terá plesiossauros, mosassauros, tartarugas e outros fósseis do Cretácico de Angola que foram escavados pela equipa PaleoAngola que conta com o português Octávio Mateus, e com a colaboração de vários geólogos angolanos de destaque tais como Olímpio Gonçalves, Maria Luisa Morais e André Buta Neto.

O Museu Nacional de História Natural do Smithsonian é um dos museus de história natural mais visitados do mundo, com aproximadamente 7 milhões de visitantes anuais dos EUA e de todo o mundo.

Angolasaurus e Angolachelys que estarão em expsosição no Smithsonian. Ilustração por Karen Carr.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Pegadas de dinossauros e mamíferos em Angola


No artigo publicado na revista Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology são apresentadas pegadas de mamíferos, de crocodilomorfos e dinossauros saurópodes do Cretácico inferior de África. As pegadas provêem da mina de diamante da Catoca, na Lunda Sul, em Angola. Os trilhos de mamíferos têm uma morfologia única, atribuída a Catocapes angolanus ichnogen. et ichnosp. Nov. As pegadas com comprimento médio de 2,7 cm e largura de 3,2 cm são as maiores de mamíferos conhecidas do Cretácico Inferior, não existindo do mesmo tamanho no registro fóssil de ossos. As pistas de crocodilomorfos são atribuídas a Angolaichnus adamanticus ichnogen. et ichnosp. nov. Uma pista de dinossauro saurópode de tamanho médio preservou impressões de pele de um animal com uma passada de 1,6 m.



Este trabalho do Projecto PaleoAngola foi assinado por Octávio Mateus, Marco Marzola, Anne S. Schulp, Louis L. Jacobs, Michael J. Polcyn, Vladimir Pervov, António Olímpio Gonçalves, e Maria Luisa Morais.

Referência completa:

Mateus, O., Marzola, M., Schulp, A.S., Jacobs, L.L., Polcyn, M.J., Pervov, V., Gonçalves, A.O. and Morais, M.L., 2017. Angolan ichnosite in a diamond mine shows the presence of a large terrestrial mammaliamorph, a crocodylomorph, and sauropod dinosaurs in the Early Cretaceous of Africa. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.

quarta-feira, dezembro 16, 2015

Filhos da Nação (RTP) sobre dinossauros e Projecto PaleoAngola

Dinossauros e Projecto PaleoAngola no programa Filhos da Nação da RTP de dia 1 de Dezembro 2015, aqui com reprodução integral:


Post Scriptum: alguns utilizadores fora de Portugal afirmam não conseguir ver este vídeo pelo que se sugere o recurso a esta ligação https://www.vpnmentor.com/blog/watch-rtp-outside-portugal.


quarta-feira, agosto 26, 2015

Expedição 2015 a Angola


Este ano (2 a 12 de Agosto de 2015) o Projecto PaleoAngola contou com mais uma expedição de campo. Os trabalhos de campo concentraram-se no N'Zeto (província de Zaire), Barra do Cuanza, Miradouro da Lua e Cabinda.
Todo o esforço foi concentrado em afloramentos do Oligocénico, Miocénico e Pliocénico, com recolha de fósseis de peixes e mamíferos marinhos e com a localização de novas jazidas.
Participaram Louis Jacobs (SMU), Octávio Mateus (FCT-Nova), Cirilo Cauxeiro (UAN), Ana Soraya Marques (UÉ) e Isabel Gria (FCT+UÉ). Como sempre, com a colaboração da Universidade Agostinho Neto, em Luanda.
Fotografias da visita de campo de 2015: Cirilo Cauxeiro explicando a geologia do Miradouro da Lua (canto superior esquerdo e abaixo); Mateus, Cauxeiro e Jacobs (acima, no centro), Mateus, Soraya Marques, Isabel Gria e Louis Jacobs (canto superior direito).

O Projecto tem agora também uma página Facebook que convidamos a seguir: https://www.facebook.com/paleoangola


segunda-feira, maio 25, 2015

Projecto PaleoAngola faz 10 anos


O Projecto PaleoAngola faz 10 anos e precisamente hoje marca-se os 10 anos da descoberta do Angolatitan adamastor, o primeiro dinossauro de Angola, aos 25 de Maio de 2005, que coincidentemente é o dia de África.
Mosassauro Prognathodon kianda no terreno em 2005
O primeiro encontro dos membros estrangeiros do Projecto PaleoAngola tinha ocorrido antes, em Denver, Colorado, entre Louis Jacobs, Mike Polcyn, Octávio Mateus e Anne Schulp em Novembro de 2004, com a decisão de fazer uma visita preliminar a Angola no ano seguinte. Nessa visita de poucos dias, em Maio de 2005, participaram Louis Jacobs da Southern Methodist University e eu (OM) da FCT-Universidade Nova de Lisboa, com a tentativa de localizar antigas jazida e novos locais, assim como criar e nutrir as importantes parcerias institucionais, nomeadamente  com a Universidade Agostinho Neto (UAG), em Luanda. Munidos da obra de Miguel Telles Antunes (1964), com a descrição detalhada da geologia e paleontologia de vertebrados de Angola, a tarefa era desafiante pois o país tinha mudado muito em 40 anos.
Os contactos iniciais em Luanda foram feitos com Maria Luísa Morais, Professora de Geologia da UAG e partimos para o terreno assim que possível com o destino de revisitar a localidade tipo dos mosassauro Angolasaurus bocagei Antunes 1964 e Tylosaurus iembeensis (Antunes 1964), em Iembe, a norte de Luanda, Província do Bengo. O sítio exacto demorou a localizar nessa viagem de um só dia, mas uma vez feito, a abundância de vestígios de vertebrados era muito evidente. Nesse mesmo dia foi recolhido um crânio de Angolasaurus praticamente completo e muitos outros ossos mosassauros e dentes de tubarões.
Tartaruga Angolachelys mbaxi no terreno em 2005
A saída de campo seguinte já foi mais longa, para o sul do país, pois requereu um voo doméstico para o Namibe e uma longa viagem de carro até Bentiaba. Aí descobrimos de imediato uma enorme quantidade de ossos, sobretudo de mossassauro e plesiossauros.
Os dias passaram e Louis Jacobs teve de regressar aos Estados Unidos. Eu voltei a Bentiaba e foi feita a recolha do crânio de mosassauro que viria a ser o holótipo de Prognathodon kianda Schulp et al. 2008. Voltei a Luanda para voltar aos contactos e conversas institucionais, mas nessa quarta-feira era feriado, Dia de África, e as intituições estavam fechadas. De forma a optimizar o tempo, fui a Iembe de novo à procura de novas localidades. Nesse dia extraordinário foi feito o achado do primeiro dinossauro de Angola, o Angolatitan adamastor Mateus et al. 2011 e da tartaruga marinha Angolachelys mbaxi Mateus et al. 2009 além de numerosos outros ossos. 25 de Maio de 2005 foi um dia em cheio.
Ossos de dinossauro Angolatitan adamastor no
terreno em 25 de Maio de 2005
Desde então o Projecto PaleoAngola contou com muitas parcerias, descobertas e alegrias.


Principais artigo científicos:
Araújo et al. (2015). New aristonectine elasmosaurid plesiosaur specimens from the Early Maastrichtian of Angola and comments on paedomorphism in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences-Geologie en Mijnbouw, 94(01), 93-108.
Jacobs et al. (2006). The occurrence and geological setting of Cretaceous dinosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles from Angola. Paleont. Soc. Korea, 22(1).
Jacobs et al (2009). Cretaceous paleogeography, paleoclimatology, and amniote biogeography of the low and mid-latitude South Atlantic Ocean. Bulletin de la Société géologique de France, 180(4), 333-341.
Mateus e al. (2009). The oldest African eucryptodiran turtle from the Cretaceous of Angola. Acta Palaeontologica Polonica, 54(4), 581-588.
Mateus et al  (2011). Angolatitan adamastor, a new sauropod dinosaur and the first record from Angola. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 83(1), 221-233.
Mateus et al. (2012). Cretaceous amniotes from Angola: dinosaurs, pterosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles. V Jornadas Internacionales sobre Paleontología de Dinosaurios y su Entorno.
Polcyn et al (2010). The North African Mosasaur Globidens phosphaticus from the Maastrichtian of Angola.Historical Biology, 22(1-3), 175-185.
Polcyn et al. (2014). Physical drivers of mosasaur evolution. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, 400, 17-27.
Schulp et al. (2013). Two rare mosasaurs from the Maastrichtian of Angola and the Netherlands. Netherlands Journal of Geosciences, 92(01), 3-10.
Schulp et al. (2008). A new species of Prognathodon (Squamata, Mosasauridae) from the Maastrichtian of Angola, and the affinities of the mosasaur genus Liodon. In Proceedings of the Second Mosasaur Meeting, Fort Hays Studies Special Issue (Vol. 3, pp. 1-12).

Strganac et al. (2015). Stable oxygen isotope chemostratigraphy and paleotemperature regime of mosasaurs at Bentiaba, Angola. Netherlands Journal of Geosciences-Geologie en Mijnbouw, 94(01), 137-143.



Mosassauro Angolasaurus bocagei no terreno em 2005

Octávio Mateus e Louis Jacobs (Maio de 2005)

terça-feira, fevereiro 24, 2015

Os plesiossauros e o pedomorfismo



Os plesiossauros de Angola continuam a dar que falar. No estudo liderado por Ricardo Araújo, integrado no Projecto PaleoAngola, publicado no Netherlands Journal of Geosciences descrevem-se novos espécimes de plesiossauros elasmossaurídeos do Maastrictiano inferior de Angola. As análises filogenéticas colocam o táxone angolano como um elasmossaurídeo aristonectine e táxone-irmão de um plesiossauro da mesma idade da Nova Zelândia. Comparações também indicam uma estreita relação com uma forma não identificada anteriormente descrito da Patagónia. Todas estas amostras apresentam uma morfologia osteológica externa ostensivamente imatura, mas a análise histológica do material angolano sugere serem adultos com traços pedomórficos. Por extensão, a semelhança do angolano, o material da Nova Zelândia e Patagónia indica que estes espécimes representam táxones com pedomorfismo generalizado.
O pedomorfismo é um fenomeno de desenvolvimento evolutivo com a retenção de características juvenis em estado adulto.


Plesiossauros elasmossaurídeo de Angola (Araújo et al. 2015)

Ref.:
Araújo, R., Polcyn M. J., Lindgren J., Jacobs L. L., Schulp A. S., Mateus O., Gonçalves O. A., & Morais M. - L. (2015). New aristonectine elasmosaurid plesiosaur specimens from the Early Maastrichtian of Angola and comments on paedomorphism in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–16., 2

Abstract
New elasmosaurid plesiosaur specimens are described from the Early Maastrichtian of Angola. Phylogenetic analyses reconstruct the Angolan taxon as an aristonectine elasmosaurid and the sister taxon of an unnamed form of similar age from New Zealand. Comparisons also indicate a close relationship with an unnamed form previously described from Patagonia. All of these specimens exhibit an ostensibly osteologically immature external morphology, but histological analysis of the Angolan material suggests an adult with paedomorphic traits. By extension, the similarity of the Angolan, New Zealand and Patagonian material indicates that these specimens represent a widespread paedomorphic yet unnamed taxon.

domingo, janeiro 25, 2015

Nova espécie de plesiossauro do Cretácico de Angola

Cardiocorax mukulu é o nome da nova espécie de plesiossauro escavada pelo Projecto PaleoAngola no Namibe, no sul de Angola. O artigo que saiu agora no Netherlands Journal of Geosciences é o resultado da dissertação de Ricardo Araújo (SMU) integrado no Projecto PaleoAngola e contou ainda com a participação de Mike Polcyn, Anne Schulp, Octávio Mateus, Louis Jacobs, Olímpio Gonçalves and Maria Luísa Morais, dos Estados Unidos, Holanda, Portugal e Angola.
Os ossos coracóides desta espécie criam um espaço em forma coração, o que dá o seu nome Cardio + corax, e mukulu significa ancestral/antigo em Bantu.
À semelhança dos outros elasmossauros, o Cardiocorax seria um animal marinho de pescoço longo, piscívoro.





Resumo:
Nós relatamos aqui um novo elasmossaurídeo do Maastrictiano inferior de Bentiaba, do sul de Angola. A análise filogenética coloca o novo taxon como irmão de Styxosaurus snowii, e esse clado como irmão de um clado composto por (Hydrotherosaurus alexandrae (Libonectes morgani + Elasmosaurus platyurus)). O novo táxon tem uma lâmina dorsal reduzida da escápula, uma característica única entre elasmossaurídeos, mas convergente com plesiossauros criptoclídeos, e indica um ciclo longitudinal de retração-protracção do membro, em estilo de remar, com a rotação simples na articulação glenoumeral. Análise filogenética morfométrica dos coracóide de 40 táxones de eossauropterígios sugere que houve uma ampla gama de estilos de natação dentro do clado.

Abstract: We report here a new elasmosaurid from the early Maastrichtian at Bentiaba, southern Angola. Phylogenetic analysis places the new taxon as the sister taxon to Styxosaurus snowii, and that clade as the sister of a clade composed of (Hydrotherosaurus alexandrae (Libonectes morgani + Elasmosaurus platyurus)). The new taxon has a reduced dorsal blade of the scapula, a feature unique amongst elasmosaurids, but convergent with cryptoclidid plesiosaurs, and indicates a longitudinal protraction-retraction limb cycle rowing style with simple pitch rotation at the glenohumeral articulation. Morphometric phylogenetic analysis of the coracoids of 40 eosauropterygian taxa suggests that there was a broad range of swimming styles within the clade.




Araújo, R., Polcyn M. J., Schulp A. S., Mateus O., Jacobs L. L., Gonçalves O. A., & Morais M. - L. (2015). A new elasmosaurid from the early Maastrichtian of Angola and the implications of girdle morphology on swimming style in plesiosaurs. Netherlands Journal of Geosciences. FirstView, 1–12., 1
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sexta-feira, dezembro 26, 2014

Geologia de Bentiaba, Angola

A geologia e a riqueza faunística de Bentiaba em Angola sempre nos causou admiração. Um estudo do Projecto PaleoAngola, agora publicado, explica a geologia e paleoecologia da acumulação de ossos (bonebed) marinha do Cretácico Superior na camada 19 de Bentiaba.
O estudo fez parte da dissertação de doutoramento de Chris Strganac sendo publicado agora no Netherlands Journal of Geosciences.
Bentiaba com riqueza de achados

Resumo:
Esqueleto de Prognathodon com conteúdos estomacais.
A acumulação de ossos (bonebed) na camada 19 em Bentiaba, Angola, é uma concentração única de vertebrados marinhos preservando seis espécies de mosassauros em sedimentos correlacionadas por magneto-estratigrafia ao Chron C32n.1n entre 71,4 e 71,64 Ma. A bonebed formada numa paleolatitude perto de 24 ° S e com uma largura do Atlântico àquela latitude de 2700 km, que é cerca de metade da largura da actual. A localidade encontra-se numa plataforma continental estranhamente estreita perto das falhas transformantes que controlavam o contorno do litoral da África na formação do Oceano Atlântico Sul. Mudanças biostratigráficas através da seção de Bentiaba indicam que a acumulação ocorreu numa faixa de tempo de 240.000 de anos dentro da chron 32n.1n. A fauna ocorre numa unidade de 10 m areia na Formação Mocuio com ossos e esqueletos incompletos concentrados aos 1-2 m mais basais, mas não limitados a estes. O sedimento que cobre os fósseis é uma areia feldspática imatura demonstrado por zircões detríticos derivados das rochas graníticas. As amostras não parecem ter uma forte orientação preferencial e não é concentrada numa linha de costa. Análise de isótopos estáveis de oxigénio de conchas de bivalves associados indica uma temperatura de água de 18,5 ° C. A bonebed é claramente misturada com elementos de dinossauros e pterossauros dispersos num cortejo de fauna marinha. A associação de conteúdos estomacais e marcas de dentes de tubarão na Camada 19 indicam associação biológica devido às atividades de alimentação. A diversidade ecológica de espécies de mosassauros é mostrada pela disparidade de dente e tamanho do corpo e pela análise d13C do esmalte dos dentes, o que indica uma variedade de áreas de alimentação e nichos alimentares. A fauna da camada 19 viveu em latitudes áridas ao longo de um deserto costeiro semelhante ao da Namíbia moderna, numa plataforma continental estreita e tectonicamente controlada, em águas rasas abaixo base de ondas. A área foi usada como uma área de alimentação para diversas espécies, incluindo Globidens phosphaticus, pequenas espécies costeiras, abundante Prognathodon kianda, que alimentava de outros mosassauros na camada 19, e espécies que podem ter sido alimentadores oportunistas na área.


Geological setting and paleoecology of the Upper Cretaceous Bench 19 Marine Vertebrate Bonebed at Bentiaba, Angola

Abstract:
The Bench 19 Bonebed at Bentiaba, Angola, is a unique concentration of marine vertebrates preserving six species of mosasaurs in sediments best correlated by magnetostratigraphy to chron C32n.1n between 71.4 and 71.64 Ma. The bonebed formed at a paleolatitude near 24°S, with an Atlantic width at that latitude approximating 2700 km, roughly half that of the current width. The locality lies on an uncharacteristically narrow continental shelf near transform faults that controlled the coastal outline of Africa in the formation of the South Atlantic Ocean. Biostratigraphic change through the Bentiaba section indicates that the accumulation occurred in an ecological time dimension within the 240 ky bin delimited by chron 32n.1n. The fauna occurs in a 10 m sand unit in the Mocuio Formation with bones and partial skeletons concentrated in, but not limited to, the basal 1–2 m. The sediment entombing the fossils is an immature feldspathic sand shown by detrital zircon ages to be derived from nearby granitic shield rocks. Specimens do not appear to have a strong preferred orientation and they are not concentrated in a strand line. Stable oxygen isotope analysis of associated bivalve shells indicates a water temperature of 18.5°C. The bonebed is clearly mixed with scattered dinosaur and pterosaur elements in a marine assemblage. Gut contents, scavenging marks and associated shed shark teeth in the Bench 19 Fauna indicate biological association and attrition due to feeding activities. The ecological diversity of mosasaur species is shown by tooth and body-size disparity and by d13C analysis of tooth enamel, which indicate a variety of foraging areas and dietary niches. The Bench 19 Fauna was formed in arid latitudes along a coastal desert similar to that of modern Namibia on a narrow, tectonically controlled continental shelf, in shallow waters below wave base. The area was used as a foraging ground for diverse species, including molluscivorus Globidens phosphaticus, small species expected near the coast, abundant Prognathodon kianda, which fed on other mosasaurs at Bench 19, and species that may have been transient and opportunistic feeders in the area.


Referência:
Strganac, C., Jacobs L., Polcyn M., Mateus O., Myers T., Araújo R., Fergunson K. M., Gonçalves A. O., Morais M. L., Schulp A. S., da Tavares T. S., & Salminen J. (2014). Geological Setting and Paleoecology of the Upper Cretaceous Bench 19 Marine Vertebrate Bonebed at Bentiaba, Angola. Netherlands Journal of Geosciences. 1-16.
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sexta-feira, novembro 14, 2014

Paleontologia de Angola em Mestrado premiado pela Universidade de Évora



Realizou-se no passado dia 1 de Novembro a sessão comemorativa de mais um aniversário da Universidade de Évora, com a cerimonia de abertura solene do ano lectivo. Esta cerimónia, onde têm lugar os tradicionais discursos da Reitora, do Presidente do Conselho Geral e do Presidente da Associação Académica, é também marcada pela imposição das insígnias aos novos doutores e pela atribuição de bolsas de estudo e prémios de mérito aos alunos com o melhor desempenho académico do ano anterior.

A Joana Bruno, que desenvolveu o seu trabalho final de mestrado em Ilustração Científica no âmbito das actividades do Projecto PaleoAngola, diplomou-se com média final de 19 valores e foi distinguida como a melhor aluna de Mestrado da Universidade de Évora no ano 2013/2014, tendo recebido o prémio de excelência da Universidade de Évora/Novo Banco.

A Joana dedicou o seu trabalho final de mestrado à ilustração e reconstrução de espécies extintas de Angola. O trabalho final de mestrado, intitulado «Vertebrados fósseis do Cretácico e Cenozóico de Angola: a comunicação e divulgação de Ciência através da Ilustração Científica», orientado por Octávio Mateus e Pedro Salgado, foi aprovado com 20 valores em Janeiro passado.

terça-feira, novembro 11, 2014

Pegadas de dinossauros e mamíferos em minas de diamantes em África

Replicamos aqui a notícia no DN sobre pegadas de dinossauros e mamíferos em minas de diamantes na Catoca, Angola, que teve um enorme impacto mediático (ver links abaixo):

Pegadas de dinossauros em mina de diamantes em Angola

por Filomena Naves06 novembro 2014
Um dos trilhos
Um dos trilhosFotografia © Octávio Mateus
Paleontólogo português Octávio Mateus identificou e recolheu as pegadas. O estudo foi apresentado ontem em Berlim.
Foi uma descoberta inesperada e, diz o paleontólogo Octávio Mateus, "é a primeira do género no mundo, que eu conheça". O achado, um conjunto de pegadas de dois dinossauros, de um mamífero e de um crocodilo, foi feito no fundo da mina de diamantes da Catoca, na Lunda, em Angola, e o seu anúncio ontem, em Berlim, no congresso da Sociedade Internacional de Paleontologia de Vertebrados, gerou "surpresa e interesse", como o investigador português já esperava.
"Esta é uma história científica fascinante", sublinha Octávio Mateus, professor e investigador da Universidade Nova de Lisboa e responsável do Museu da Lourinhã, que integrou a equipa que fez o estudo das pegadas e que esteve ontem na capital alemã a falar disso.
Desde logo, "é surpreendente o local para uma descoberta destas, porque uma mina de diamantes, sendo de origem vulcânica resulta de uma subida muito rápida da rocha incandescente à superfície, o que deveria inviabilizar a existência de marcas de animais", diz Octávio Mateus. "Não podem caminhar sobre lava quente", esclarece. Mas há uma explicação geológica para o mistério.



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Links nos media em português:


em inglês:

http://stateschronicle.com/fossilized-tracks-trio-found-angola-diamond-mine-8905.html



quinta-feira, setembro 04, 2014

PaleoAngola 2014

Crocodilo num bloco de arenito.
Voltámos de mais uma expedição em Angola, integrada no Projecto PaleoAngola (www.paleoangola.org).
Participaram Louis Jacobs (SMU) e Octávio Mateus (FCT-UNL e ML), de 23 de Agosto a 1 de Setembro de 2014, com visitas a Cabinda e Kwanza. Recolhemos mamíferos (baleias, proboscídeos e outros), crocodilos, quelónios, tubarões e nautilóides. Além do apoio e participação de sempre da Universidade Agostinho Neto, agradecemos à Esso Angola, Maersk, e ISEM.
Afloramentos espectaculares em Angola, entre o Miradouro da Lua e Barra do Kwanza.



Louis Jacobs e Octávio Mateus







terça-feira, fevereiro 11, 2014

Ilustração Científica de Fósseis de Angola



Joana Bruno
Realizaram-se no passado dia 28 de Janeiro as provas públicas para obtenção do grau de Mestre em Ilustração Científica da estudante Joana Bruno, enquadradas nas actividades do Projecto PaleoAngola. O trabalho final de mestrado, intitulado «Vertebrados fósseis do Cretácico e Cenozóico de Angola: a comunicação e divulgação de Ciência através da Ilustração Científica», orientado por mim e pelo Mestre Pedro Salgado, foi dedicado à ilustração e reconstrução de espécies extintas de Angola e foi apoiado por uma das bolsas de mestrado da ANICT. A discussão da tese foi um sucesso, e a candidata, agora Mestre em Ilustração Científica, foi aprovada com 20 valores, vendo o seu trabalho reconhecido mais uma vez perante uma sala cheia. A dissertação foi ainda destacada pelas abordagens inovadoras que contempla, pelo rigor das ilustrações e pela clareza e objectividade da escrita.

A Joana começou o seu percurso pela Ilustração Científica ainda enquanto estudante de Arqueologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Contudo, a dedicação a tempo inteiro à ilustração só chegaria em 2011, com a frequência do curso do IAO sob a orientação do Mestre Pedro Salgado e posterior ingresso no Mestrado em Ilustração Científica do ISEC/UE. O seu trabalho tem sido igualmente reconhecido em Portugal e no estrangeiro. Foi premiada pela Casa das Ciências em 2013 e conta já com várias exposições em território nacional e estrangeiro. Poderá destacar-se a sua participação na XIII edição da bienal Focus on Nature, em Nova Iorque, exposição para a qual foi seleccionada entre cerca de 200 artistas que concorreram de todo o Mundo. Actualmente, além de trabalhar como ilustradora científica, a Joana é também formadora de ilustração na ETIC e editora executiva do Journal of Natural Science Illustration.

Video Reconstructing extinct organisms: fossil turtles from Angola (http://youtu.be/Reog3rnIQQ8)
Parabéns Joana Bruno!

domingo, setembro 08, 2013

PaleoAngola na Geological Society of America

O nosso trabalho do Projecto PaleoAngola, que em Portugal envolve a Faculdade de Ciências e Tecnologia e o Museu da Lourinhã, está em força no congresso de geologia dos Estados Unidos, GSA, Geological Society of America - Annual Meeting, a decorrer de 20 a 27 de Outubro em Denver, Colorado. Apresentamos as seguintes três comunicações científicas sobre os vertebrados fósseis de Angola:

Vista panorâmica de Bentiaba.


A marine vertebrate assemblage from the Campanian-Maastrichtian boundary at Bentiaba, Angola
A single, geographically and temporally restricted horizon, Bench 19, at the Campanian-Maastrichtian boundary at Bentiaba, Angola, preserves a dense concentration of skeletons and isolated elements representing sharks, rays, bony fish, three species of turtles, two species of plesiosaurs, and at least seven species of mosasaurs. Nearly all of the amniote specimens show evidence of scavenging by sharks. 

Polcyn, M. J., Jacobs L. L., Mateus O., Schulp A. S., Strganac C., Araújo R., Graf J. F., Vineyard D., & Myers T. S. (2013).  A marine vertebrate assemblage from the Campanian-Maastrichtian boundary at Bentiaba, Angola. Geological Society of America Abstracts with Programs. Vol. 45, No. 7,


Cabinda revisited: age and environment of new Cenozoic vertebrate fossils from northern Angola
In the early 20th century, Belgian naturalists reported Paleocene and Eocene sharks, the bothremydid pleurodiran turtleTaphosphrys (formerly Bantuchelys), and a neosuchian and the dyrosaurid crocodyliform Congosaurus from coastal outcrops near Landana in the northern province of Cabinda, Angola. In 1935, rare and fragmentary mammals were reported from strata at Malembo Point, south of Landana, and originally considered to be Miocene in age. 

Jacobs, L. L., Myers T. S., Gonçalves A. O., Graf J. F., Jacobs B. F., Kappelman J. W., Mateus O., Polcyn M. J., Rasbury E. T., & Vineyard D. P.(2013).  Cabinda revisited: age and environment of new Cenozoic vertebrate fossils from northern Angola. Geological Society of America Abstracts with Programs. Vol. 45, No. 7.


Late Cretaceous marine reptiles and cooling at the South Atlantic coast inferred through stable oxygen isotopes of Inoceramus from the Namibe Basin, Angola

Strganac, C., Jacobs L. L., Ferguson K. M., Polcyn M. J., Mateus O., Schulp A. S., & Morais M. L. (2013).  Late Cretaceous marine reptiles and cooling at the South Atlantic coast inferred through stable oxygen isotopes of Inoceramus from the Namibe Basin, Angola. Geological Society of America Abstracts with Programs. Vol. 45, No. 7.

The opening of the South Atlantic Ocean enhanced global ocean circulation and contributed to the transition from warmer temperatures during the middle Cretaceous to cooler climates characterizing much of the Cenozoic. We present δ18O values derived from bivalve shells to elucidate nearshore temperature change in southern Angola during the Late Cretaceous development of the South Atlantic Ocean. Inoceramus and other bivalve shells were recovered from marine sediments at Bentiaba, Angola, that overlie non-marine redbeds deposited during the initial rifting of Africa and South America. The section is anchored by a radiometric age of 84.6 Ma on an intercalated basalt and the δ13C stratigraphy derived from shells is correlated to global carbon isotope events from the Late Cenomanian to Early Maastrichtian. The δ18O stratigraphy derived from shells indicate an overall increase from -4.5‰ in the Late Cenomanian to -1.2‰ in the Late Campanian, which is a similar trend observed in oxygen isotopes in foraminifera globally. Assuming a constant oceanic δ18O value, the change in oxygen isotopes reflects cooling of ~15° for the shallow marine environment at Bentiaba. Early to Late Campanian inoceramids yield the highest δ18O values, between -1‰ to -2‰, and are offset by about +1‰ from published records for benthic foraminifera and bathyal Inoceramus at Walvis Ridge. This offset in δ18O values indicate a temperature difference of ~5° between coastal and deeper water offshore Angola prior to the latest Campanian. The stratigraphic distribution of marine reptile fossils coincides with cooler temperatures at Bentiaba implied by more positive δ18O values derived from bivalves. A diverse marine reptile fauna has been recovered from Bench 19 that was deposited at the Campanian-Maastrichtian Boundary during a time of increased global ocean connectivity and circulation of cooler productive high latitudinal waters. This pattern aligns with the larger context of the mosasaur record, which indicates productivity driven evolution accompanied by an increase in size disparity, in diversity, and in niche differentiation.


O Projecto PaleoAngola envolve várias instituições científicas entre as quais:
  • Southern Methodist University, Dallas, EUA
  • Depart. de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa,
  • Natuurhistorisch Museum Maastricht, Maastricht, Netherlands, 
  • Faculdade de Ciências, Universidade Agostinho Neto,Angola
  • Museu da Lourinhã

Estes e outros artigos sobre Angola estão disponíveis aqui.

sexta-feira, abril 05, 2013

Número de répteis conhecidos Cretácicos de Angola aumentou substancialmente

Um novo artigo mostra a existência de uma elevada diversidade de répteis no Cretácico de Angola, incluindo géneros de tartarugas nunca referenciadas em África e uma falange que parece ser de hadrossauro, o único em África.
O conhecimento dos répteis do Cretácico de Angola expandiu substancialmente nos últimos anos, com o trabalho do Projecto PaleoAngola. Conhecem-se agora 21 taxa do Cretácico, incluindo novas espécies como Prognathodon kiandaAngolatitan adamastor, e Angolachelys mbaxi.


Referência
Mateus, O., Polcyn M. J., Jacobs L. L., Araújo R., Schulp A. S., Marinheiro J., Pereira B., & Vineyard D.
 (2012).  Cretaceous amniotes from Angola: dinosaurs, pterosaurs, mosasaurs, plesiosaurs, and turtles. V Jornadas Internacionales sobre Paleontología de Dinosaurios y su Entorno. 71-105., Salas de los Infantes, Burgos.
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Barbatana de plesiossauro


Abstract
Although rich in Cretaceous vertebrate fossils, prior to 2005 the amniote fossil record of Angola was poorly known. Two horizons and localities have yielded the majority of the vertebrate fossils collected thus far; the Turonian Itombe Formation of Iembe in Bengo Province and the Maastrichtian Mocuio Formation of Bentiaba in Namibe Province. Amniotes of the Mesozoic of Angola are currently restricted to the Cretaceous and include eucryptodire turtles, plesiosaurs, mosasaurs, pterosaurs, and dinosaurs. Recent collecting efforts have greatly expanded our knowledge of the amniote fauna of Angola and most of the taxa reported here were unknown prior to 2005.
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