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segunda-feira, junho 22, 2009

Património Paleontológico do Museu da Lourinhã


Aproveito o 25º aniversário do Museu da Lourinhã para replicar o meu resumo apresentado na Conferência de Geocolecções, e publicado no Journal of Paleontological Techniques:

O Museu da Lourinhã, situado na Vila da Lourinhã (Portugal), é gerido por uma associação sem fins lucrativos de utilidade pública, o GEAL-Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã. Possui uma rica colecção de paleontologia, sobretudo de dinossauros do Jurássico superior da Formação da Lourinhã (Kimmeridgiano-Titoniano). A colecção de paleontologia começou a formar-se em 1979-80, mesmo antes do início legal da associação GEAL. Destacam-se os seguintes espécimes: ML433, parte anterior de um esqueleto, incluindo parte do crânio, que corresponde ao holótipo do estegossauro Miragaia longicollum Mateus, Maidment e Christiansen 2009; ML370, esqueleto parcial (membros posteriores e vértebras) que corresponde ao holótipo do terópode Lourinhanosaurus antunesiMateus 1998; ML414, vértebras e costelas cervicais e dorsais do saurópode Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte e Mateus 1999 (holótipo); ML357, (holótipo) dentes, vértebras, partes de membros anteriores e posteriores de ornitópode camptossaurídeo Draconyx loureiroi Mateus e Antunes 2003; ML415, crânio (holótipo) de Allosaurus europaeus Mateus, Antunes e Walen 2007; ML368, membro anterior de saurópode Turiasaurus riodevensis Royo-Torres, Cobos e Alcalá 2006; ML351, perónio, sacro e cauda de cf.Lourinhasaurus alenquerensis (Lapparent e Zbyszewski, 1957); ML565, ninho como ovos e embriões de Lourinhanosaurus; ML1100, maxilar esquerdo de terópode Torvosaurus tanneri; e ML1357, hemimandíbula (holótipo) mamífero Kuehneodon hahniAntunes, 1998.

A destacar, a colecção engloba ainda: i) um conjunto de pegadas de dinossauros terópodes, saurópodes, ornitópodes e estegossauros, ii) colecção de referência de bivalves e outros invertebrados; dentes e material ósseo de seláceos, osteiíctios, albanerptontídeos, anuros, crocodilomorfos, lagartos, plesiossauros, pterossauros e mamíferos do Jurássico Superior de Portugal, iii) fósseis de outras idades e proveniências.


Referência: Mateus, O. (2009). COLECÇÕES PALEONTOLÓGICAS DO MUSEU DA LOURINHÃ (PORTUGAL). Journal of Paleontological Techniques, 6: 18-19.

Museu da Lourinhã faz 25 anos


O Museu da Lourinhã comemora o seu 25º aniversário na próxima quarta-feira, dia 24 de Junho de 2009. Esta data é assinalável para um pequeno museu local, iniciado por um conjunto de amadores e aficionados pela cultura e ciência, e que agora é uma referência nacional no que respeita a paleontologia de dinossauros, com cerca de 20.000 visitantes por ano.

O Museu da Lourinhã compreende um espólio de paleontologia, etnografia e arquelogia de importância internacional, nacional e local, respectivamente. Na paleontologia destacam-se os ovos e embriões e os holótipos de estegossauro Miragaia longicollum, do terópode Lourinhanosaurus antunesi, do saurópode Dinheirosaurus lourinhanensis, do ornitópode camptossaurídeo Draconyx loureiroi , e do terópode Allosaurus europaeus.

Para celebrar o evento, haverá uma programa preenchido:

11h30

Inauguração de uma estátuta na rotunda mais movimentada da vila, alusiva aos dinossauros e de minha própria autoria.

15h30:

As individualidades históricas do Museu serão homenageadas.

Divulgação dos resultados e entrega dos prémios do 6º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros 2009.

Será inaugurada um novo topónimo: Rua Professor Miguel Telles Antunes, na rua adjacente ao Museu da Lourinhã.

Palestra sobre ilustração de dinossauros pelo vencedor do concurso.


Parabéns Museu da Lourinhã

domingo, junho 07, 2009

Conferência Geocolecções: o desfecho de um sucesso!


Sem dúvida que sim, foi um sucesso! Mais de cem participantes, muitas comunicações, houve até quem atravessasse o Atlântico para vir até cá, foram estreitadas colaborações científicas, conferências históricas (nomeadamente a de Miguel Telles Antunes e de Ferreira Soares), o Museu da Lourinhã em peso, um livro de resumos (online e impresso), um apoio e diligência incondicionais dos anfitriões... enfim, não serão precisas mais palavras para substanciar a conclusão! A organização está de parabéns e que venham mais assim. Sem dúvida que ficar-me-ao para sempre na memória as pungentes palavras de Ferreira Soares sobre a história da geologia portuguesa em jeito de inaltecimento dos seus grandes protagonistas; mas também o olhar profundo (e com conhecimento de causa) sobre a pesquisa de paleontologia de vertebrados do Cenozóico português pelo Professor Telles Antunes, um dos muitos resultados de uma vida dedicada à Paleontologia. Mas também não me esquecerei tão cedo de muitas outras boas palestras proferidas num ambiente tão honorífico, que contém o peso de um legado tão importante onde, por exemplo, António Domingos Vandelli deu as suas aulas no século XVIII.

sábado, maio 30, 2009

Nova Publicação: Técnicas de preparação de fósseis de vertebrados



Uma nova publicação no Journal of Preparation Techniques acabou de sair neste mês. Esta publicação revela os bastidores que estão por detrás de um artigo descritivo de uma nova espécie, por exemplo. Desde a recolha e escavação dos fósseis até à sua descrição anatómica existe um grande número de passos que têm de ser dados, e, infelizmente essas metodologias são raramente alvo do escrutínio nos artigos. Não obstante, a importância que estas técnicas têm é de tal modo grande que sem elas os próprios fósseis não podem ser estudados convenientemente. Demoram imenso tempo! São horas e horas de trabalho intenso com pequenos instrumentos pneumáticos ou com rebarbadores. A rocha tem de ser desgastada progressivamente sem que haja o mínimo de risco para os ossos que vêm finalmente a luz do dia ao fim de mais de 150 milhões de anos. Já tudo passou por eles: a Segunda Guerra Mundial, o Homo neanderthalensis, as Glaciações, a Megafauna de Mamíferos Cenozóica, a abertura dos continentes por força da tectónica de placas, a grande extinção no final do Mesozóico provocada por um meteorito...

Neste artigo exploramos novas aproximações e técnicas usadas pela primeira vez no Museu da Lourinhã. Fizémos recurso das mais desenvolvidas tecnologias de ponta: scanning 3D, por exemplo. Com essa tecnologia conseguimos visualizar a três dimensões ossos que, numa ilustração estariam inevitavelmente a duas dimensões. É uma maneira de se poder trocar informação anatómica entre especialistas sem se ter de estar fisicamente diante dos espécimes.

Descarreguem o artigo daqui!

Imagem da esquerda - vértebra cervical do Miragaia digitalizada usando tecnologia 3D scanning. Imagem por Blizzard.

Fotografia da direita - Montagem do esqueleto do Miragaia em posição de vida. As réplicas e modelos compreendem também uma série de técnicas e materiais específicos. Foto Octávio Mateus.

quinta-feira, março 05, 2009

Top 10 (+1) da Paleontologia de Vertebrados


Existem alguns centros de investigação à volta do mundo que são determinantes e extremamente influentes. Muitos deles estão nos Estados Unidos, se bem que também em Inglaterra e Alemanha se produz muita e boa informação científica. Nas economias emergentes, ao ritmo de crescimento económico, também existe um forte potencial de desenvolvimento científico. Nomeadamente a China, o Brasil e a África do Sul (um de cada continente) têm dado provas de qualidade com os seus investigadores publicando nas melhores revistas. Escolhi 10 universidades ou instituições que me parece que tenham desenvolvido trabalho influente nos anos recentes para as próximas décadas. Corro o risco, contudo, de omitir grandes instituições que também elas têm contribuído para o progresso da paleontologia de vertebrados.

University of Bristol (http://palaeo.gly.bris.ac.uk/). O seu departamento encabeçado por Mike Benton tem desenvolvido trabalho nas mais diversas áreas da paleontologia de vertebrados desde morfologia funcional e biomecânica, até grandes questões como eventos de extinção em massa e diversidade. Também têm um grupo que lidera a construção das chamadas 'supertrees', que estabelecem as relações de 'parentesco' entre grupos de animais requerendo vastos recursos informáticos dada a quantidade de informação processada.

The Natural History Museum (http://www.nhm.ac.uk/). As suas magníficas e lendárias instalações fazem jus à qualidade da ciência que lá se produz. São fomentores da revista Paleontologica Electronica que disponibiliza artigos científicos grátis na internet (http://palaeo-electronica.org/).  Têm um projecto colossal de inventariação de todos os Tetrápodes fósseis usando tecnologia SIG (sistemas de informação geográfica).

Ohio State University (http://www.oucom.ohiou.edu/dbms-witmer/lab.htm). Em particular o Witmer's Lab tem desenvolvido um trabalho muito amplo de aplicações e de importância extrema, nomeadamente: a morfologia e anatomia dos cérebros dos arcossauros (que incluem crocodilos, dinossauros e pterossauros). Isto tem requerido tecnologia de ponta como tomografias de alta resolução. Isto permite ver nos fósseis coisas como as estruturas timpânicas, que tem sido o principal motivo de estudo deste grupo. Também têm promovido expedições a África principalmente em Madagáscar.

University of Chicago (http://geosci.uchicago.edu/research/paleo_evo.shtml). Para além do lendário David Jablonski que deu contributos fundamentais para a compreensão da macroevolução fazendo uso da paleontologia; no mesmo departamento Paul Sereno percorre o Níger, Marrocos e outros países para recolher dinossauros. Mas também é promovida investigação em tetrápodes primitivos tentando-se concomitantemente compreender a aquisição de caracteres morfológicos no decurso da evolução.

University of Alberta (http://www.biology.ualberta.ca/wilson.hp/UALVP.html). O trabalho de investigação desta instituição tem sido potenciada pelas inúmeras  descobertas de vertebrados fósseis que se têm feito na região. Phil Currie é um dos nomes sonantes que já passou pelo Laboratory of Vertebrate Paleontology, que tem trabalhado principalmente com dinossauros terópodes (carnívoros bípedes). Michael Caldwell também tem desenvolvido um trabalho fundamental na compreensão da origem de certos grupos dos Squamata (tudo o que seja lagartos e serpentes), nomeadamente no surgimento e evolução das serpentes e dos mosassauros (répteis marinhos que existirão durante o período Cretácico). Os seus recursos são impressionantes com vários aparelhos de tomografia de alta resolução e microscópios electrónicos de ponta.

American Museum of Natural History (http://paleo.amnh.org/). O AMNH, como é geralmente comnhecido, é uma instituição com uma longa e vasta influência nos meandros da paleontologia de vertebrados, tendo sido a casa de um dos mais míticos caçadores de dinossauros Barnum Brown. O seu legado é hoje carregado aos ombros de também eles grandes paleontólogos como Mark Norrell, John Flynn e Michael Novaceck. Eles têm desenvolvido expedições em Madagáscar e Mongólia, por exemplo.

University of California, Berkeley (http://www.ucmp.berkeley.edu/people/padian/home.php). É aqui que Kevin Padian e o seu laboratório tem desvendado os segredos sobre a origem dos dinossauros, incidindo sobretudo numa época que se pensa ter sido fulcral: a fronteira entre o Triásico e o Jurássico. Mas Padian e os seus estudantes também estão preocupados com grandes problemas da evolução, como a origem do voo nas aves. Só sobre este tópico muita tinta tem corrido nas principais revistas científicas nos últimos tempos e o conhecimento produzido nesta área marcará, sem dúvida, as próximas gerações de paleontólogos.

Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology (http://www.ivpp.ac.cn/cn/). Esta instituição científica deve, ao todo, ter mais paleontológos do que os que existem em toda a Ibéria multiplicada duas vezes. Só entre 1999 e 2005 foram publicados cerca de 45 artigos na Nature e Science, que são duas revistas científicas de elevadíssimo grau de exigência. A quantidade de material fossilífero de relevo produzido na China é proporcional à dimensão do estatuto do IVPP.

Montana State University e Museum of the Rockies (http://www.museumoftherockies.org/). No estado de Montana têm sido feitas inúmeras descobertas principalmente no Jurássico superior (e.g. Formação de Hell Creek) e Cretácico superior (e.g. Formação de Cloverly). E nestas formações geológicas não só veveram dinossauros mas também – à sua sombra – pequenos mamíferos, lagartos, anfíbios, etc.. Jack Horner, o mais preeminente paleontólogo daquele estado, dedica-se essencialmente à evolução e ecologia dos dinossauros. Mas os seus estudantes dedicam-se também a aspectos mais vastos como microvertebrados e histologia.

Universität  Bonn (http://www.sauropod-dinosaurs.uni-bonn.de/). Este grupo de investigação interdisciplinar tem o propósito pouco ambicioso de: "saber tudo sobre saurópodes". Neste grupo se inclui por exemplo Martin Sander, especialista em histologia (estudo dos tecidos, que na paleontologia se resumem geralmente aos ossos).

Museu da Lourinhã (http://www.museulourinha.org/). É óbvio que ainda estamos longe de ter a excelência dos centros de investigação acima citados, mas, à nossa escala temos tido um impacto extremamente positivo no mundo da paleontologia… O nosso lugar feito por avaliadores independentes não estaria com certeza nos dez lugares mais cimeiros. Por enquanto não temos aparelhos de tomografia sofisticados nem laboratórios com equipas de dez preparadores, mas temos, isso sim, a ambição de um dia lá poder chegar!



Publicado também no Boletim do Museu da Lourinhã nº 13.

sábado, fevereiro 28, 2009

Miragaia longicollum: um novo dinossauro português



Um novo dinossauro apresentado pelo Museu da Lourinhã desafia a visão tradicional dos estegossauros


O Museu da Lourinhã apresenta um novo género e nova espécie de dinossauro do Jurássico publicado na conceituada revista Proceedings of the Royal Society e que baptizou como Miragaia longicollum.


Os dinossauros estegossauros são normalmente identificados pelas suas placas no dorso, espinho na cauda, membros pequenos e pescoço curto. Contudo, um novo estegossauro com 150 milhões de anos, descoberto perto da Lourinhã, surpreendeu os paleontólogos do Museu da Lourinhã, Universidade Nova de Lisboa e Universidade de Cambridge pelo seu pescoço comprido.


Ainda que o pescoço de cerca de metro e meio do Miragaia longicollum possa parecer pequeno quando comparado com o dos gigantes saurópodes, as 17 vértebras cervicais representam mais cinco do que as do Stegosaurus e mais dez do que a girafa - sendo o mesmo número mais alto entre todos os dinossauros não-avianos.

O alongamento do pescoço ocorreu por dois processos evolutivos: pela adição de mais vértebras do pescoço e pela cervicalização, isto é, a transformação de vértebras do dorso em pescoço.


O aumento no comprimento do pescoço deste dinossauro demonstra a evolutiva flexibilidade dos dinossauros e sua capacidade de se adaptar às mudanças.

Mas o que levou este estegossauro a evoluir para um pescoço comprido? Os paleontólogos levantam duas hipóteses: a competição com outros dinossauros leva a explorar áreas de alimentação menos usadas por outros herbívoros, ou a selecção sexual, em que os indivíduos de pescoço maior seriam mais facilmente seleccionados pelos parceiros.

O nome Miragaia longicollum tem duplo significado: se por um lado Miragaia é a povoação perto da Lourinhã, onde foi descoberto, também significa "bela Gaia" (deusa da Terra), de pescoço longo.

O estudo baseia-se na parte da frente de um esqueleto e inclui o único conhecido craniano de um estegossauro na Europa, em exposição no Museu da Lourinhã.

Neste estudo identificou-se não só uma nova espécie e género, mas também um novo grupo (equivalente a uma sub-família) de dinossauros: os Dacentrurinae.

 

Artigo científico: Mateus, O., Maidment, S.C.R., and N.A. Christiansen. 2009. A new long-necked ‘sauropod-mimic’ stegosaur and the evolution of the plated dinosaurs. Proceedings of the Royal Society B, first online. DOI 10.1098/rspb.2008.1909.

 
 


quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Projectos da FCT: a maior enchaqueca intelectual do mundo!


Se há desafio intelectual complicado creio que a escrita e estruturação de projectos e pedidos de fundos para investigação é decerto um deles... Creio mesmo que é mais difícil escrever um projecto que escrever um artigo científico. É que ou se ganha, ou se perde. Ou é agora, ou nunca... ou melhor, só daqui a dois anos. Portanto, tudo tem de estar bem feito, tudo perfeito! Por outro lado escrever um artigo é bem mais simples porque mesmo que haja ideias soltas ou inconclusivas elas podem ser motivo de escrutínio por parte dos avaliadores durante o processo de revisão. O mesmo não se passa com a atribuição de dinheiros públicos para fins de investigação: se não estava claro, que estivesse! Os contribuintes são muito exigentes. Realmente este processo competitivo é de elevada exigência e só os melhores projectos podem ser escolhidos (isto não pensando naquela lógica de que existem conluios e convénios por entre os meandros da FCT). Acho que para pensar nos termos que nos exigem existe um conceito fundamental: equilíbrio! Não podemos ser demasiado ambiciosos nem demasiado pessimistas. Não podemos requerer mais nem menos dinheiro que o adequado. Não podemos escolher nem os melhores nem os piores equipamentos. Enfim, tudo tem de ser na proporção certa e isso obriga-nos, e de que maneira, a pensar. Durante o mês anterior, aliás como pode ficar bem patente pelo registo de posts do nosso blog, não fizémos outra coisa senão pensar nos projectos da FCT... Tudo tinha de estar pensado até ao mais ínfimo pormenor: a estruturação conceptual do projecto, as ideias fundamentais que lhe subjazem, de que maneira elas se articulam, de que maneira as tarefas necessárias exigiriam dinheiro, métodos alternativos, parceiros e os seus respectivos inputs... É muita coisa! Agora, é só fazer figas e que Deus nosso senhor esteja connosco!

Fotografia: Octávio Mateus

domingo, novembro 23, 2008

Mundo Jurássico

Ver link da notícia do Correio da Manhã de ontem aqui.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Stegosaurus no Museu da Lourinhã


Durante uns anos, uma réplica de um esqueleto completo do dinossauro Stegosaurus era a peça central na sala da paleontologia do Museu da Lourinhã, o que fazia as delícias dos visitantes, tendo sido substituído o ano passado por outro dinossauros semelhante, o Dacentrurus armatus

Aqui ficam algumas fotografias do testemunho da passagem deste esqueleto pela Lourinhã. 



segunda-feira, setembro 15, 2008

Escavações de Verão 2008, na Lourinhã

Museu da Lourinhã faz novas descobertas de dinossauros.

O Museu da Lourinhã anunciou o resultado de mais uma campanha de escavações de Verão nas arribas da Lourinhã. Os paleontólogos do Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa encontraram novos ossos de embriões de dinossauros, ninhos com ovos e ossos de dinossauros. As descobertas de embriões de dinossauro carnívoro da Lourinhã, com cerca de 150 milhões de anos, são as mais antigas de que há registo até hoje, pertencendo ao Jurássico Superior. Embora ovos e embriões do dinossauro Lourinhanosaurus já tivessem sido descobertos na Lourinhã, os investigadores querem determinar se os ovos agora descobertos são da mesma espécie e se partilham as mesmas características, nomeadamente a
forma de nidificação, incubação e ecologia. Os paleontólogos esperam que estes achados, raros em Portugal, permitam perceber melhor como os dinossauros cresciam, em que ambientes, e como eram incubados os seus ovos.

A campanha de escavações decorreu ao longo dos meses de Julho e Agosto e o material recolhido é de extrema importância para se compreender o passado dos animais que pisaram, há 150 milhões de anos, aquilo que é hoje o nosso país.
As actividades contaram com a participação de mais de três dezenas de voluntários oriundos de vários países, e foram coordenadas pelos paleontólogos Octávio Mateus, Rui Castanhinha e Ricardo Araújo. Os trabalhos incluiram escavações, crivagens, preparação e limpeza do material em laboratório e ilustração científica. Para além de ossos de dinossauros adultos foram recolhidos, através de crivagens, partes de crânios de pequenos animais jurássicos tais como crocodilos, anfíbios e pequenos dinossauros.
A foto mostra a fotografia de grupo "insano" deste ano.

Parte dos trabalhos agora realizados enquadram-se no prémio atribuído em Junho deste ano pela instituição norte-americana Jurassic Foundation ao projecto de estudo das jazidas de ovos de dinossauros em Portugal, proposto pelos investigadores atrás mencionados. Um dos objectivos dos estudos do material recolhido é a publicação dos resultados em revistas internacionais da especialidade.

Algum do material recolhido já pode ser visto no laboratório de paleontologia do Museu da Lourinhã.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Crivagens no Museu da Lourinhã


Crivar é garimpar mas, neste caso, à procura de fósseis. Não seria exagero considerar a Lourinhã e localidades contíguas como o El Dourado dos fósseis, não só de
dinossauros mas também de tudo o resto que se mexia no
Jurássico superior.
Para se ter uma percepção mais realista do elenco faunístico da época há que não só procurar o que é grande, mas também o que é pequeno. Assim, este ano e pela primeira vez na história do GEAL - Museu da Lourinhã, procedeu-se a uma campanha de crivagens com os objectivos de aumentar o espólio do museu em micro-vertebrados e efectuar posteriormente o seu estudo.
As crivagens de sedimento colhido no Zimbral revelaram dentes de crocodilos, peixes, e dinossauros bem como mandíbulas de crocodilos, anfíbios e lagartos. Para mim é incrivelmente arrebatador o simples facto de saber que estou diante de um pequeno sapo de há 150 milhões de anos … de conseguir ver uma pequena mandíbula com pouco mais de meio milímetro e de saber que aquele sapo também coaxou como o fazem actualmente os do Rio Grande! É este, também, um pouco, o encanto da paleontologia: o reportar para o passado, de forma bizarra e com intervenientes bizarros - numa espécie de sonho – o que se passa actualmente… como o coaxar dos sapos.
Já noutras ocasiões se haviam feito crivagens mas não com este propósito. Durante as escavações do ninho de ovos de Paimogo (de 1994 a 1996) montou-se um laboratório de campo fazendo uso do charco que por lá existe e da boa vontade de vários voluntários, entre os quais Isabel Mateus e José Filipe. Na altura procuravam-se embriões que foram entretanto considerados de dinossauros carnívoros bípedes – os terópodes. Hoje, passada já mais de uma década sobre a escavação de Paimogo, procura-se com o mesmo entusiasmo descobrir como era o nosso mundo há uns quantos milhões de anos atrás.

Publicado também no Boletim nº 7 do Museu da Lourinhã.

quinta-feira, julho 31, 2008

Apresentação do maior dinossauro carnívoro do Jurássico em Portugal


O Museu da Lourinhã, convida todos os associados e população em geral a comparecer à apresentação do maior dinossauro carnívoro do Jurássico em Portugal que decorrerá na sequência do acto público abaixo, no próximo sábado, dia 2 de Agosto, pelas 15h,no Auditório Municipal da Lourinhã.

Com a participação de:
Prof. Doutor Miguel Telles Antunes da Academia das Ciências de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, o Doutor Octávio Mateus do Museu da Lourinhã e Universidade Nova de Lisboa.

Dentre os dinossauros, Torvosaurus – "lagarto selvagem", 150 milhões de anos, aproximadamente – é o maior carnívoro do Jurássico. Com efeito, os maiores carnívoros são mais recentes. São exemplos o Spinosaurus – "lagarto com espinhos" que data de há cerca de 95 milhões de anos – e o famoso Tyrannosaurus – "lagarto tirano" de há cerca de 66 Ma; ambos datam do Período Cretácico.


Torvosaurus, descoberto em 1972 no Colorado, Estados Unidos, e descrito por Peter Galton e James Jensen, em 1979, era o maior dinossauro carnívoro do Jurássico até então conhecido.

Em Portugal, o primeiro Torvosaurus foi identificado a partir de um osso da perna pelos paleontólogos do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa, Octávio Mateus e M. Telles Antunes. Estes anunciaram em 2006 a descoberta de parte de um crânio, incluindo o maxilar, que serviu de base para reconstituir o crânio – reconstituição que passa, agora, a integrar a exposição do Museu da Lourinhã.

O espécime foi encontrado em 27 de Julho de 2003 por um rapaz holandês, então com 10 anos, Jacob Walen, quando passeava com o pai, experiente colector de fósseis. Este, entregou o exemplar ao Museu da Lourinhã.

O espécime português tem dimensões que excedem ligeiramente as do norte-americano; é, por isso, o maior predador terrestre do Período Jurássico actualmente conhecido.

O crânio, com um metro e quarenta de comprimento, está munido de dentes cortantes, achatados lateralmente em forma de lâmina, com 13 cm. Estará exposto ao público a partir de sábado, 2 de Agosto.


In Museu da Lourinhã www.museulourinha.org


quarta-feira, junho 18, 2008

24 anos de Museu da Lourinhã

Dia 24 o Museu da Lourinhã faz 24 anos. Nasceu a 24 de Junho de 1984. Venha visitar!



www.museulourinha.org

sábado, janeiro 19, 2008

Investimentos no Jurássico

Reposição da notícia "Empresário inglês equaciona construir um parque de diversões jurássico na Lourinhã: Dinossauros divertidos" do Jornal Alvorada (http://www.alvorada.pt/noticia.php?id=2909 em 2008-01-19).


Empresário inglês equaciona construir um parque de diversões jurássico na Lourinhã: Dinossauros divertidos

Foi há poucos dias que a Câmara Municipal da Lourinhã recebeu a proposta do empresário inglês Shivendra Rajan Sahay: está disposto a construir na Lourinhã, junto ao futuro Parque do Jurássico da vila, o “Mundo dos Dinossauros”, um mega-parque de divertimentos sob a temática dos dinossauros. Excêntrico? Só o futuro o dirá.


Esta mini-Disneylandia, à escala ibérica, como o próprio Shivendra Rajan Sahay explicou ao ALVORADA, está agora a ser estudada por uma equipa de especialistas da matéria, liderada pelo também britânico Simon Odi e que incluiu o arquitecto Keith Gray, que estiveram de visita à Lourinhã no passado dia 11, sexta-feira, aproveitando a escala de uma viagem de regresso da Nova Zelândia.

Acompanhado pela sua equipa, Simon Odi foi recebido nos Paços do Concelho, onde o presidente José Manuel Custódio e os vereadores João Duarte Carvalho e José Tomé explicaram o projecto que o município pretende edificar às portas da vila.

Simon Odi gostou do que viu. Depois da reunião na Câmara Municipal, visitou ainda o Museu da Lourinhã, onde o paleontólogo Octávio Mateus fez uma visita guiada ao espólio do GEAL. Ainda antes do almoço na Praia da Areia Branca e da partida para Londres, houve tempo para visitar os terrenos apontados para o projecto da CML/GEAL, no Lourim.

Em declarações aos jornalistas, o especialista em parque de diversões explicou que para o desenvolvimento de um projecto de divertimento seja lucrativo, tem que ser “um produto único”. Pelo menos na Europa. E agradou-lhe a temática dos dinossauros e do período do Jurássico. À partida, a Lourinhã possui algumas vantagens competitivas, como a proximidade a Lisboa e vias de comunicação terrestres que, futuramente serão ainda melhores, com a construção do IC11 e da sua ligação à A8. “Pode-se chegar aqui, vindo de Lisboa, em apenas 45 minutos, e isso significa que pode abranger um potencial de milhões de pessoas, que poderão vir aqui em apenas um dia, bem como os muitos turistas que visitam esta costa”, sublinhou.

Ou seja, há uma clientela muito grande que pode ser cativada para visitar o futuro parque.

Baseando-se na sua experiência profissional, sublinhou que “as famílias estão sempre à procura de locais para passarem os tempos livres com os seus filhos, quer estejam ou não em férias”.

Daí que o tema dos dinossauros seja muito popular entre nós. “A chave do sucesso de um parque de diversões é criar condições para que o visitante regresse outra vez, porque há algo de novo ou diferente. Pelo que ouvi até agora é uma boa ideia”, disse Simon Odi, que já apoiou a construção de parques temáticos em todo o mundo, através da empresa Grant Leisure, que concebeu, planeou, desenhou, montou e lançou operações de marketing de algumas das maiores atracções mundiais, visitadas anualmente por mais de 120 milhões de pessoas. A última está a nascer no Dubai, no Médio Oriente: trata-se do ‘Dubailand’, um parque-safari que está a ser criado no deserto deste riquíssimo país.

Dentro de mês e meio é esperado umrelatório de Simon Odi para Shivendra Rajan Sahay. Será com base neste documento que o empresário de origem indiana tomará uma decisão final em relação a este mega-investimento, que, se for para a frente, terá um investimento de vários milhões de euros, para captar mais de 250 mil visitantes por ano. Proprietário da sociedade anónima imobiliária Obrana Construções de Imóveis, com sede nas Caldas da Rainha, Shivendra Rajan Sahay está radicado no nosso país há 13 anos e tem desenvolvido vários projectos imobiliários na nossa região, nomeadamente no empreendimento Praia d’Del Rey, no concelho de Óbidos.

O empresário tem também projectada a construção de cerca de 300 moradias em Vale Geões, na Lourinhã, aguardando que o município defira os pedidos de licenciamento.

Para a construção do parque de diversões da Lourinhã, Shivendra Rajan Sahay está disposto a adquirir cerca de 100 hectares na zona contígua ao futuro “Mundo dos Dinossauros”.

Aparentemente, dinheiro não será problema para alcançar o seu objectivo, que passa, ainda, pela construção de um hotel para receber os visitantes do seu parque temático. Naquela que seria uma operação pioneira na Península Ibérica, e talvez única na Europa, o empresário dependerá a sua decisão final no resultado do relatório de Simon Odi, cuja visita-relâmpago terá custado cerca de 40 mil euros.

“Mundo dos Dinossauros”: projecto em fase de conclusão

A construção do “Mundo dos Dinossauros”, o parque e museu temático - com um grande jardim recreando o jurássico - que a Câmara Municipal da Lourinhã pretende construir, numa parceria como GEAL, nada tema ver como possível parque de diversões de Shivendra Rajan Sahay. O presidente José Manuel Custódio, que apoia a ideia do promotor inglês, pretende entregar até Março a candidatura do projecto ao QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) e beneficiar dos fundos comunitários que, sublinhou, estão praticamente garantidos. Orçado em cerca de 20milhões de euros, os apoios deverão chegar aos 17 milhões. Os restantes três milhões serão, se tudo correr bem, financiados por Shivendra Rajan Sahay, que se pretende associar ao projecto.

O modelo de gestão ainda não está totalmente definido, mas será abandonada a ideia lançada pela empresa Audax - e apresentada no último feriado municipal - que defendia a constituição de uma fundação de direito privado. José Manuel Custódio inclina-se mais para a constituição de uma Empresa Municipal.

Como o Plano Estratégico do Oeste, elaborado pelo economista Augusto Mateus para a Associação de Municípios do Oeste, classificou este empreendimento de “estratégico”, José Manuel Custódio conseguiu que o mesmo fosse inscrito na lista de obras “prioritárias” para receberem financiamento do QREN, esperando que até ao Verão receba a aprovação para poder lançar o concurso das obras. Se tudo correr bem, pretende que o “Mundo dos Dinossauros” seja inaugurado em2010 e que tenha o quíntuplo das visitas do Oceanário de Lisboa, 230mil visitantes, de acordo como estudo de viabilidade económica da Audax, que vai ser seguido pelo município como linha orientadora.

in Jornal Alvorada

Mais dinossauros... (re-post)

Reposição de um texto de Vasco Ribeiro no seu blog: http://vascoribeiro.blogspot.com/2008/01/mais-dinossauros.html


Na primeira página da edição nº 1009 de 18 de Janeiro do Jornal Alvorada é apresentada uma foto de senhores que não conheço de lado nenhum, com o título "Dinossauros divertidos".
Vou direito ao assunto. Em Maio vão passar quinze anos sobre a descoberta do famoso ninho de dinossauros em Paimogo. Nunca me poderei esquecer do ar de mistério do Horácio quando me mostrou o que parecia ser um ovo esmagado e depois quando o levei de carro ao local sob a sua orientação. E as peripécias que rodearam a sua descoberta. Nesse mesmo dia encontramos o que pareciam ser ossos minusculos, embora eu tivesse a certeza que seriam. Sonhei, pois percebi de imediato o que tinhamos em mãos.
Realizamos escavações nos verões de 1994, 95 e 96. Em 1997 sai uma comunicação preliminar na Academia de Ciências de Paris. Em Abril de 1998 realizámos uma comunicação mais vasta e completa na Academia de Ciências de Lisboa.
Em Setembro de 1999 obtenho o grau de licenciado em Engenharia Geológica e vou trabalhar para os túneis do IP3 em Castro Daire (Viseu) e sigo a minha vida profissional. Nunca mais colaborei neste ou noutro projecto do GEAL, embora associado nº22, pois entendi que a minha carreira profissional estava primeiro.
Mas porque não continuei no projecto?
Primeiro porque desde 1983 tinha colaborado, embora com intervalos, de forma activa, mas queria ser profissional.
Segundo, nunca entendi que o GEAL como associação tivesse capacidade para partir para investimentos avultados.
Terceiro, depois de licenciado proposeram-me um estágio profissional, como se tivesse que provar alguma coisa, e eu também não estava disposto a ficar sujeito a bolsas de estudo.
Quarto e mais importante, nunca senti que o poder local estivesse verdadeiramente empenhado em pegar nas ideias, por desinteresse, ignorância ou incompetência e eu nunca tive jeito para D. Quixote, o tal que lutava contra moinhos de vento.
Juntando a isto tudo, a evolução do GEAL, que têm sido publicadas neste jornal, com artigos de opinião, só me resta corrigir o título e parafraseando o adágio popular "Santos da casa não fazem milagres".
O que poderia ser um investimento local, passa a ser um investimento externo para onde irão os dividendos e quando não der dinheiro fecha-se. Olhem para a ousadia e visão da autarquia de Mora que montou um Fluviário por 6 milhões de euros e já passou os 100 mil visitantes.
Serão os senhores da foto os heróis da história? Quantos mais quinze anos se passarão?
Como referiu o Sr. Dário de Matos no número anterior, a Isabel Mateus já há muitos anos tinha partilhado essa ideia do parque temático. A diferença é que agora há dinheiro, mas talvez já não haja tempo.
A todos os que colaboraram e colaboram com o GEAL e o Museu um grande obrigado! Mas preparem-se para o pior quando o dinheiro começar a ditar as leis...

sábado, janeiro 12, 2008

Dinossauros, Insectos e Fotografias

O jornal Público adiantou hoje, na sua página online http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1316121 uma notícia intitulada “Estudo: insectos foram responsáveis pelo desaparecimento dos dinossauros” assinada pela jornalista Sofia da Palma Rodrigues.


Público Online



O resultado do livro “What Bugged the Dinosaurs? Insects, Disease and Death in the Cretaceous”, de George e Roberta Poinar, é o motivo da notícia. Mas atribuir aos insectos a causa principal da extinção dos dinossauros no final do Cretácico não faz sentido por várias razões:

1) As explicações biológicas como causa principal da extinção são pouco plausíveis pois os organismos evoluíam, adaptar-se-iam e nunca ocorreria uma extinção tão drástica. A causa principal tem de ser abiótica e não biótica.

2) Na extinção de há 65 milhões de anos extinguiram-se milhares de espécies de vários grupos de animais terrestres (como os dinossauros) e marinhos (como as amonites, plesiossauros, mosassauros, etc.). Os insectos nunca dominaram os mares mas muitos grupos de animais marinhos extinguiram-se, logo os insectos estão ilibados de uma grande extinção em massa. A principal causa de extinção deve ser comum aos mares e terra. O que não significa que os insectos não tenham contribuído para uma extinção, que porventura já estava a ocorrer por outras causas. O paleontólogo Mário Cachão aborda, e bem, esta questão. Contudo, achei curioso o título de especialidade com que a jornalista o apresenta. Ela aparentemente não conhece o panorama científico nessa área.
3) Os insectos são vectores de doenças e não é de estranhar que também o eram durante todo o Mesozóico. Mas porque é que só no final do Cretácico é que as doenças conseguiram extinguir todo um grupo extremamente bem sucedido? E, para mais, seria estranho que os dinossauros não-avianos fossem todos aniquilados e que a mesma doença os atingisse ao mesmo tempo. Quem propõe tais hipóteses devia estudar mais sobre biologia, evolução e dinâmica parasita-parasitado para compreender a improbabilidade de isso acontecer.

Ainda não li a fonte e pode ser que o livro tenha bons argumentos, mas para já parece-me muito pouco plausível que os insectos tenham sido relevantes para a extinção do final do Cretácico.

A fotografia que acompanha a notícia é a de um esqueleto de Lourinhanosaurus. Embora tenha indicada “DR” no canto (que deduzo que signifique "Direitos Reservados"), a fotografia é de minha autoria! Fotografei-a numa exposição no Japão em Julho de 2006. Eu não me importo que o Público utilize uma fotografia de minha autoria, mas respeite o autor e indique quem realmente a fotografou (ou que indique fonte: site ou instituição).


Lourinhanosaurus (fotografia de Octávio Mateus)

O comentário seguinte é relativo às opiniões dos leitores e, sobre isso, a jornalista não tem qualquer responsabilidade. Entre os ditos comentários dos leitores, é caricato (para não dizer perigoso) o do Sr. Jeremias V., de Mafra, que defende o ensino do criacionismo nas escolas portuguesas. A Razão e a Ciência são possivelmente as maiores conquistas da nossa civilização. Não as estraguemos ao ensinar mitos e explicações sobrenaturais!

sexta-feira, março 09, 2007

Exposição de dinossauros no Entroncamento


O Museu da Lourinhã e a Câmara Municipal do Entroncamento têm patente, desde hoje, dia 10 de Março de 2007, a exposição “No Tempo d…Os Dinossauros” no Centro Cultural do Entroncamento.

Nesta exposição de dinossauros o visitante pode observar réplicas do crânio de do dinossauro herbívoro Triceratops, um esqueleto do dinossauro carnívoro Deinonychus, crânio do novo dinossauro anão Europasaurus, um modelo do herbívoro de espinhos Dacentrurus, entre outros itens paleontológicos.

A exposição pode ser visitada nos dias úteis entre as 15h30m e as 17h30m ou aos fim-de-semanas das 15h às 18h, até dia 25 de Março. Abrirá ainda em horário de expediente para as Escolas, mediante marcação prévia. A entrada é gratuita.

Ao trazer à cidade esta exposição itinerante do Museu da Lourinhã, a Autarquia procura proporcionar a divulgação da ciência e dos dinossauros, dentro de portas, mantendo a proposta do projecto DEVIR, na dinamização do Centro Cultural. Por outro lado, faz parte da estratégia de divulgação da paleontologia pelo Museu da Lourinhã

sexta-feira, março 24, 2006

6º Mini-Simpósio no Museu da Lourinhã: Geologia

6º Mini-Simpósio no Museu da Lourinhã: Geologia

10 de Março de 2006 (Sexta-feira), 18:00

Museu da Lourinhã

Paleoclimate Information from Ancient Groundwater: Examples from the Cretaceous of the North and South Poles
Kurt Ferguson (Southern Methodist University, USA)

Comments on the Geological Occurrence of Jurassic Dinosaurs in Africa
Louis L. Jacobs (Southern Methodist University, USA)

Paleosols of the Late Jurassic of Portugal
Scott Myers (Southern Methodist University, USA)

Terrestrial Proxies of Paleoclimate
Neil Tabor (Southern Methodist University, USA)

Dinosaurs in the Lusitanian Basin
Octávio Mateus (Museu da Lourinhã & Universidade Nova de Lisboa)


O Museu da Lourinhã vai realizar um mini-simpósio sobre geologia do Jurássico e Cretácico. Este é o sexto mini-simpósio do Museu da Lourinhã e enquadra-se na parceria científica entre o Museu da Lourinhã e a Universidade Metodista do Sul do Texas, EUA e na estratégia de criação de uma forte rede de cooperação internacional que tem vindo a ser promovida por Octávio Mateus do Museu da Lourinhã. Nesse sentido, geólogos e paleontólogos desta reputada universidade norte-americana deslocam-se a Portugal para colaborar em estudos sobre o Jurássico Superior de Portugal. Um dos objectivos é fazer uma análise detalhada e sequencial dos isótopos de carbono e oxigénio das arribas da Lourinhã de forma a compreender o clima durante o Jurássico superior. A geologia e a fauna das camadas que contém dinossauros do Jurássico superior de Portugal são muito semelhantes à Formação de Morrison, nos Estados Unidos, que deu os fósseis de dinossauros famosos como o Stegosaurus, Diplodocus ou Allosaurus. O professor Louis Jacobs, autor dos livros “Quest for African Dinosaurs” e “Lone Star Dinosaurs”, considera que a geologia das arribas da área da Lourinhã tem uma das melhores sequências para estudar o Jurássico e pode mesmo ajudar a compreender o clima no mundo de há 150 milhões de anos.

segunda-feira, novembro 14, 2005

The Museum of Lourinhã and the Late Jurassic dinosaurs of Portugal

The Museum of Lourinhã is placed in central west Portugal, 70 km North of Lisbon. The first dinosaur remains found in Portugal (and one of the first from Europe) were collected in Lourinhã, but only in 1984 a museum was erected by the population. Since then, hundreds of dinosaur fossils were collected in Lourinhã, including fairly complete specimens (e.g., Lourinhanosaurus). Nowadays, the town of Lourinhã holds a successful Museum that is run by the society, and attracts thousands of visitors per year.
The interest of the population for “their” dinosaurs resulted into a straight partnership between the Museum of Lourinhã and the local society and transformed the museum in one of the most dynamic and successful small museums in Portugal and in Europe. The museum of Lourinhã is two-thirds financially independent, while one third is financed by the Municipality.
Twenty years after the inauguration of the Museum, the town of Lourinhã is officially considered the Portuguese “Capital of Dinosaurs”, and a recommended point for tourists, scientists, and politicians.


Basic information

Open from Tuesday to Sunday. Closed at the non-summer holidays.
Schedule: 10:10-12:20 14:30-18:30
Address: Rua João Luís de Moura 2530-157 Lourinhã, Portugal
Telephone contacts: Visits: +351. 261 414 003; Administration and research: +351. 261 413 995
Fax: +351. 261 423 887
Email: geral@museulourinha.org
Website: www.museulourinha.org

Activities: Individual to large groups visits: field and museum guided visits; dinosaur excavation program; volunteering program: paleontological, archaeological and ethnographic research; lectures; fossil preparation. JOIN US! VISIT US!

Paleontology: The Paleontology Pavilion is one of the highlights of the Museum due to the Late Jurassic (150 million years old) dinosaur collection. It is the most important Late Jurassic collection in Europe and includes dinosaur footprints, eggs, embryos, and skeletons of unique dinosaurs like Lourinhanosaurus, Draconyx, Dinheirosaurus, Lusotitans, etc.
Archaeology: Local artefacts from Palaeolithic to Roman Period, mainly from Lourinhã’s municipality.
Etnography: Probably one of the richest regional ethnographic collections focused on the everyday activities of during the 20th Century. Also professions, religion, and leisure objects.

terça-feira, setembro 06, 2005

Ebulição lourinhanensis- Entrevista para o "Primeiro de Janeiro"

Museu da Lourinhã, Ebulição lourinhanensis

O Museu da Lourinhã nasceu da vontade de um grupo de amigos, curiosos da etnologia e arqueologia, que faziam dos seus tempos livres uma verdadeira estufa incubadora de ideias e projectos. O GEAL (Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã), fundado em 1981, serviu de base estrutural à criação do Museu da Lourinhã, ao qual foi mesmo concedido o estatuto de Associação de Utilidade Pública.

Em entrevista ao jornal «O Primeiro de Janeiro», Simão Mateus, ilustrador e guia de visitas do Museu da Lourinhã, falou-nos acerca da génese desta instituição, sua evolução, áreas de intervenção e principais projectos.

Faça um breve historial do Museu da Lourinhã, bem como das motivações para a sua criação.
O Museu abre a 24 de Junho de 1983 com o espólio do Grupo de Etnografia e Arqueologia da Lourinhã, Associação Sem Fins Lucrativos e Pessoa Colectiva de Utilidade Pública, associação essa que ainda hoje está por trás do Museu da Lourinhã.
A riqueza arqueológica, paleontológica, e etnográfica que esta associação possuía, há 20 anos atrás, já era de tal ordem que acharam justificar-se a existência de um Museu. A partir daí, as diversas descobertas, principalmente de dinossauros, vieram a fazer crescer a popularidade do Museu e o seu número de visitantes.
O Museu começou por ocupar o antigo edifício do tribunal e das finanças da Lourinhã e, lentamente, foi-se expandindo, tendo actualmente mais do dobro da sua área inicial, sendo, mesmo assim, manifestamente insuficiente para a riqueza do seu espólio.

Enquanto local de memória dos lourinhanenses, este Museu acolhe, em paralelo com os achados paleontológicos, uma exposição de etnografia. Qual a sua extensão e quais as vertentes abrangidas?
A exposição de etnografia deve ocupar cerca de 60 por cento da área do Museu, mais a de arqueologia, que deve ocupar 10 por cento, os dinossauros devem ficar com o restante. Muitos dos visitantes que, inicialmente, não mostravam grande vontade de ver os dinossauros, acabam por ficar muito impressionados com a quantidade e qualidade das nossas exposições etnográficas. Estas abrangem desde o mundo rural e piscícola, a artes e ofícios desaparecidos ou tão alterados que dificilmente lhes notamos paralelismos nos seus instrumentos de trabalho. Temos também a recriação de uma casa rural e exposições sobre associações tão antigas e importantes para a Lourinhã como os Bombeiros Voluntários ou a banda de música.

Descreva-nos a organização espacial do Museu da Lourinhã.
O Museu tem, no seu piso de entrada, a exposição de Arqueologia e Etnografia Agrícola, depois, no primeiro andar, situa-se a sala das profissões, sala das colectividades e tempos livres e arte sacra. Descendo ao pátio, encontramos a casa tradicional saloia e, por fim, temos o pavilhão da paleontologia, onde estão os dinossauros.

Quais os eventos culturais e outros realizados ou a realizar durante este ano pelo Museu?
Em termos de paleontologia, o Museu costuma promover exposições externas, como, por exemplo, em centros comerciais, no ano passado na Assembleia da República ou há dois anos no Palácio de Cristal, no Porto, por ocasião dos “Gobissauros”, em que aliás fomos o único Museu com peças lá expostas. Promovemos também, anualmente, o Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros, com a exposição dos trabalhos. Na etnografia, realizamos também exposições externas, mas, infelizmente, em menor número e com menos impacto.

Como se desenvolvem as relações com as diversas instituições com as quais o Museu interage?
O Museu tem muito boas relações com as diversas instituições com que trabalha, sejam elas estatais, ONG’s ou internacionais. A Câmara Municipal da Lourinhã mostra sempre a sua disponibilidade para nos ajudar, temos exposições promovidas por associações de outras localidades e temos também uma estreita colaboração com o Museu de História Natural de Paris, por exemplo.

Como se processam as visitas ao Museu? Existe uma vertente pedagógica nesta instituição?
As visitas ao Museu podem ser livres ou guiadas. No ano passado começámos a promover um pacote especial para as escolas, que são as visitas ao campo. Nestas visitas tentamos dirigir o discurso de encontro ao programa que se dá nas aulas, nomeadamente de Biologia e Ciências da Terra, de forma a que todos consigam entender.

Qual a média anual de visitas?
Recebemos 18 mil visitantes por ano, sendo 80 por cento de escolas!

O Museu dispõe de abertura para receber a colaboração de simples curiosos? É necessário algum requisito mínimo?
O Museu vive muito do trabalho de simples curiosos, foi assim que começou e é assim que continua a fazer muito do seu trabalho, nomeadamente, dentro da paleontologia. Trabalhamos com voluntários de todo o mundo, já cá tivemos australianos, alemães, luso-descendentes do Canadá e EUA e dinamarqueses, além de outros países. No entanto, não é requisito virem de outros países, a maioria dos nossos voluntários são portugueses, muitos das escolas do concelho da Lourinhã. Requisito mínimo é mesmo vontade de trabalhar e terem mais de 14 anos.

Faz parte dos quadros do Museu um dos especialistas de renome mundial na área da paleontologia, pode-nos falar um pouco acerca do trabalho realizado por Octávio Mateus?
O paleontólogo Octávio Mateus é um dos poucos especialistas europeus em dinossauros e tem desenvolvido toda a sua formação académica ligada ao Museu da Lourinhã, fazendo aí o seu doutoramento intitulado «Dinossauros do Jurássico Superior de Portugal». Desde menino esteve ligado ao Museu da Lourinhã, participando em todas as escavações de dinossauros.
Octávio Mateus é responsável pela paleontologia do Museu da Lourinhã, o que inclui a recolha de fósseis, escavações, estudo e publicação. Um paleontólogo tem de estudar a evolução, anatomia e toda a paleobiologia das espécies em estudo, neste caso, os dinossauros. Portugal é muito rico em dinossauros, sendo o país europeu mais produtivo nesse domínio. O trabalho do Museu da Lourinhã, orientado pelo seu paleontólogo, tem sido essencial para o epíteto «Lourinhã, Capital dos Dinossauros».
Este paleontólogo descreveu várias espécies de dinossauros novas para a Ciência, tais como o Lourinhanosaurus antunesi, Draconyx loureiroi, Tangvayosaurus hoffeti, Dinheirosaurus lourinhanensis ou Lusotitan atalaiensis.
No currículo de Octávio Mateus contam-se duas dezenas de publicações em revistas científicas internacionais. A sua ligação com a Universidade Nova de Lisboa e com outras instituições académicas nacionais e internacionais têm-lhe permitido granjear uma reputação internacional, o que o tem levado a escavar fósseis em locais como Brasil, Laos, Angola e Estados Unidos. Além das suas ligações ao Museu da Lourinhã e à Universidade Nova de Lisboa, é ainda o responsável científico de um museu de dinossauros na Alemanha.

Quais os principais projectos para o futuro?
O nosso principal projecto é a construção de um novo edifício para albergar tanto espólio que ainda temos!