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sábado, abril 04, 2020

Old bones and new insights

Revealing the evolutionary history of Ornithopoda in Portugal


When it comes to dinosaurs, general public has in mind fearsome creatures like Tyrannosaurus rex or gargantuan long-necked animals like Brachiosaurus. The more experts will probably think of also about weird-looking creatures, like Stegosaurus or Ankylosaurus. Not many, or hardly anyone indeed, will think as first of the small and swift Hypsilophodon foxii or Dryosaurus altus. These animals are not remarkable in terms of size or any other feature, but they belong to a group of dinosaurs which is extremely successful in terms of number of species and temporal span. This group is called Ornithopoda, and comprises some famous dinosaurs such as the tube-crested Parasaurolophus walkeri or the spiked- thumb Iguanodon bernissartensis. These animals started off in the Middle Jurassic as small cursorial animals, and during their evolutionary history progressively increased in size. By the end of the Cretaceous, the group of ornithopods known as Hadrosauridae or duck-billed dinosaurs became an abundant component of the ecosystems and reached tremendous sizes. The Asian species Shantungosaurus giganteus for instance, with its 12 mts in length, could rival T. rex and other large carnivorous dinosaurs!



The diversity of sizes withitn the group Ornithopoda. Artwork from John Conway. Source: Wikipedia. 

But how these small and rare animals became so successful?

Trying to answer this question is the main focus of my PhD project, and among others, I am using Portuguese fossil record to solve this riddle. Recently, we managed to add another piece to this puzzle. The clues come from the Upper Jurassic Lourinhã Formation, outcropping around Lourinhã municipality. Studying the specimens collected by Lourinhã Museum in over 20 years of field-work, I and my co-authors managed to address the diversity of these animal. We studied isolated and fragmentary material, which is usually overlooked but can bear important scientific information.
We identified a quite diverse assemblage of species: some were small dog-sized animals; others were larger, reaching the size of a horse or more. In particular, some exceptionally large specimens caught our attention. Beside the size, we noted some features which closely resemble more species dated to Early Cretaceous than their coeval Late Jurassic relatives. This suggests that Europe may have had key-role in the evolutionary history of this group. To validate this hypothesis, we need to look at their extensive fossil record in its entirety, to find other clues.


The diversity of ornithopod dinosaurs recovered from the Upper Jurassic Lourinhã Formation. In this past ecosystem we identified large species resemble Early Cretaceous species (left) and smaller species (right) which are represented by juveniles. Artwork from Fabio Manucci, used with permission.  CC BY-NC

Further, these remains also allowed us to investigate the biology of Late Jurassic ornithopods. We noted that many of the specimens representing the smaller species in the collections of Lourinhã Museum were juveniles. This may indicate that these animals spent most of their lives in a ‘teenaging’ state, in which they underwent to very fast growth-rate not reaching a fully mature condition. This phenomenon is seen some closely related species. 
Many others questions are left open, which deserve further research in the near future. These are just the first steps of what is promising to be an exciting journey.




Bibliography

quinta-feira, novembro 14, 2019

Laboratório do Museu da Lourinhã re-inaugurado

O Laboratório de Paleontologia do Museu da Lourinhã vai ser re-inaugurado após intervenções de melhoramento, e abre com um novo nome: "Laboratório Isabel Mateus".

Replicamos aqui a comunicação do GEAL-Museu da Lourinhã no Facebook sobre este assunto:
No próximo dia 15 de novembro, sexta-feira, pelas 17H00, vamos inaugurar o novo laboratório de conservação e restauro do Museu da Lourinhã, agora nomeado “Laboratório Isabel Mateus”.
Aproveitamos também este momento, para proceder à assinatura dos protocolos entre o GEAL e os investigadores responsáveis pelos projetos aprovados no âmbito do Programa de Incentivo à Investigação Horácio Mateus.

A atual denominação do laboratório constitui uma forma de homenagem a uma das associadas fundadoras do GEAL e cofundador do Museu e, ainda, uma das impulsionadoras do trabalho científico e laboratorial no Museu da Lourinhã, Isabel Mateus.

O PIIHM tem por objetivo apoiar projetos de investigação e estudos avançados nos domínios das Ciências Naturais e Sociais, nomeadamente Antropologia, Arqueologia, Geologia e/ou Paleontologia e História Local, com incidência no Concelho da Lourinhã. Este ano, foram considerados apenas projetos nos domínios da Geologia e/ou Paleontologia.

A reestruturação do laboratório e o PIIHM tiveram o apoio financeiro da empresa PDL - Parque dos Dinossauros da Lourinhã, no âmbito do protocolo de cooperação celebrado entre a PDL, o Município da Lourinhã e o GEAL, destinado ao desenvolvimento do trabalho científico, no concelho da Lourinhã.

Isabel Mateus no Museu da Lourinhã, em 2014 (Foto: D. Serrette)

segunda-feira, junho 24, 2019

35º aniversário do Museu da Lourinhã

O Museu da Lourinhã celebra hoje o seu 35º aniversário. É um caso extraordinário de um museu criada pela população aglomerada à volta de uma associação, o GEAL, num  movimento social que hoje se apela de grassroot movement (a partir de baixo) e não por desígnio político (a partir de cima).
Abriu portas em 1984 sendo Horácio Mateus o seu fundador.



Histórico dos Presidentes de Direcção
Horácio Mateus ( -1994)
Jorge Moniz (1994-1996)
Mário João Ribeiro da Silva (1996-2000)
Dário de Matos (2001-2007)
Alexandra Pereira (2007-2008)
Hernâni Mergulhão (2008-2015)
Lubélia Gonçalves (2015- )


9º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros

Os resultados da IX Edição do CIID - Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros, foram anunciados hoje (24 de Junho de 2019) durante a celebração do 35º aniversário do Museu da Lourinhã.

Os vencedores foram:
1º Prémio: Zby atlanticus - Sergey Krasovskiy
2ª Prémio: Pelagornis miocaenus - Sérgio Ibarra Mellado
3º Prémio: Swimmers of the submerged land - Simone Giovanardi

Menções honrosas:
Cyclotosaurus naraserluki - Ana Luz
A Amonite - Uma Nova Era de Mares e Oceanos - Sharon Mendes
Viagem no tempo - Paula Vaz


 Zby atlanticus - Sergey Krasovskiy

Pelagornis miocaenus - Sérgio Ibarra Mellado

Swimmers of the submerged land - Simone Giovanardi

Cyclotosaurus naraserluki - Ana Luz

A Amonite - Uma Nova Era de Mares e Oceanos - Sharon

Viagem no tempo - Paula Vaz

O júri foi composto por Miguel Moreno-Azanza, Octávio Mateus, Pedro Fialho, Vanda dos Santos, Fernando Correia e Nuno Farinha.

Comunicado do Museu da Lourinhã:
Esta edição contou com o patrocínio da empresa PDL-Parque dos Dinossauros da Lourinhã. O CIID é um concurso destinado a premiar ilustrações sobre a temática dos dinossauros, e outras espécies já extintas, iniciado em 2000/2001. O conjunto das suas edições reuniu a participação de cerca de 516 obras de 205 artistas, oriundos de 36 países, dos 5 continentes.
É reconhecido internacionalmente como um concurso de valor científico e com uma alta qualidade técnica, não só pelos trabalhos premiados, como pela qualidade geral das obras apresentadas. É, sem dúvida alguma, um estímulo importante para que os artistas continuem a trabalhar neste domínio.
O júri das várias edições deste concurso avaliou as obras submetidas, sendo composto por paleontólogos e ilustradores de renome, que garantem a qualidade das obras premiadas. Nesta edição o júri teve um trabalho difícil na sua decisão, devido à excelente qualidade das obras submetidas.




sábado, fevereiro 10, 2018

O Museu da Lourinhã mudou e agora conta a história do Atlântico




O Jornal Público divulgou a nova exposição do Museu da Lourinhã, num excelente trabalho jornalístico por Teresa Serafim e Nuno Ferreira Santos, que aqui replicamos:

O Museu da Lourinhã mudou e agora conta a história do Atlântico


Tem novas peças para mostrar ao público desde o início de Fevereiro, todas contribuem para percebermos melhor como aconteceu a abertura do Atlântico.

TERESA SERAFIM
9 de Fevereiro de 2018, 7:45





Octávio Mateus com os ovos de dinossauro encontrados em 1987

Foto
Octávio Mateus com os ovos de dinossauro encontrados em 1987 NUNO FERREIRA SANTOS
Bem-vindos ao Dino Parque: aqui estão os dinossauros que já viveram em Portugal
Antepassado monstruoso das salamandras descoberto no Algarve
Testemunho da extinção dos dinossauros
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O sítio é o mesmo. Não há como confundir o Museu da Lourinhã mesmo no centro da vila. Afinal, era lá que estavam muitos fósseis de dinossauros da Lourinhã. Mas as aparências iludem e há uma nova história a ser contada. Com a abertura do Dino Parque – Parque dos Dinossauros da Lourinhã, muitos dos fósseis “migraram” para lá. Portanto, no museu na vila o percurso é outro desde 3 de Fevereiro: conta agora como aconteceu a abertura do Atlântico. Há também fósseis e réplicas que vamos poder observar pela primeira vez no museu.
Este edifício não foi construído para ser um museu. Em tempos, foi um tribunal. Como ficou livre, um grupo de amadores que fazia espeleologia, entre os quais o paleontólogo amador Horácio Mateus, ocupou-o. Acabou por abrir em 1984 pelas mãos da associação Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã. Ao todo, tem três colecções: a de paleontologia, arqueologia e a de etnografia. Por ano, tem cerca de 25 mil visitantes.





Agora houve mudanças e o museu tem outra narrativa. “O que é que temos para mostrar que não sejam os dinossauros da Lourinhã? Pensámos na abertura do Atlântico. Toda a investigação que fazemos pelo mundo fora tem uma história transversal: a abertura do Atlântico. Até os próprios dinossauros da Lourinhã estão relacionados com isso”, conta-nos o paleontólogo Octávio Mateus sobre a escolha da nova história. É ele quem nos vai guiar por uma viagem com milhões de anos. É a nova viagem do museu.
Antes da história propriamente dita, são mencionadas (e explicadas) na exposição duas teorias: a da tectónica de placas e a teoria darwiniana da evolução das espécies. Vamos precisar delas para perceber melhor a abertura do Atlântico. Iniciemos então a viagem e comecemos no Triásico, período geológico entre há 250 e 200 milhões de anos. “O Atlântico começou a abrir-se durante o Triásico na nossa costa portuguesa até à Gronelândia”, relata Octávio Mateus. O supercontinente Pangeia começou a rasgar-se e a criar bacias sedimentares. É nestas bacias que vamos encontrar fósseis. Aliás, foi no Triásico que surgiram os dinossauros.
Nas expedições científicas na Gronelândia e no Algarve, lideradas por Octávio Mateus, descobriram-se alguns desses fósseis. Alguns podem ser vistos pela primeira vez no museu. Há o fóssil de uma mandíbula do Metoposaurus algarvensis (um anfíbio gigante que podia atingir os dois metros e faz lembrar uma salamandra), que foi encontrada no Algarve. Há ainda o crânio original de um prossaurópode, um antepassado dos dinossauros saurópodes, assim como ossos de um fitossauro, ambos da Gronelândia.
Passemos para o Jurássico, entre há 200 milhões e 145 milhões de anos. “No Jurássico Inferior e Médio era notório que em Portugal tínhamos um mar profundo. Basicamente, todos os sedimentos que temos do Jurássico Inferior e Médio eram marinhos”, continua a explicar. Portanto, na exposição temos ictiossauros e plesiossauros.





Mas o paleontólogo guarda o melhor para o Jurássico Superior, quando o Atlântico ainda não era um oceano, havia uma série de ilhas e o que é agora Portugal e a Terra Nova já se separavam. No museu já estiveram expostos os ovos de Lourinhanosaurus antunesi encontrados na praia de Paimogo em 1993, cuja descoberta foi revelada ao mundo em 1997 e fez sensação. Agora está exposto pela primeira vez um outro bloco de ovos de Lourinhanosaurus antunesi encontrados nas arribas da praia da Peralta, também na Lourinhã, em 1987. “Temos mais de uma centena deles”, diz com entusiasmo o paleontólogo. “Estes estão mais bem preservados [do que os anunciados em 1997].” Nestes ovos não há embriões.
No Cretácico há mais surpresas trazidas pelo projecto Paleoangola, em Octávio Mateus participa. Mas, antes, o paleontólogo adianta que neste período (entre há 145 milhões e 65 milhões de anos) houve dois grandes eventos: passou a haver um fundo oceânico, ou seja, nasceu o oceano Atlântico; e a abertura do Atlântico Sul, com a separação entre a América do Norte, a América do Sul e África. Depois, lá nos mostra peças de Angola expostas pela primeira vez no museu: há uma réplica de um crânio do mosassauro Angolasaurus bocagei, um grande predador marinho contemporâneo dos dinossauros; uma amonite; e vértebras e costelas do plesiossauro Cardiocorax.




Por fim (nesta história), há 65 milhões de anos (no Cretácico) deu-se a extinção de grande parte dos dinossauros. E o museu tem agora uma secção de estratos de transição desde o Cretácico até ao Paleogénico (entre há 65 milhões e 23 milhões de anos). “Temos aqui uma rocha que testemunha a extinção dos dinossauros. Esta também é a primeira vez que a expomos.” A peça geológica é de Stevns Klint, na Dinamarca, e foi oferecida ao museu por um coleccionador dinamarquês. Esse foi um dos locais em que o geólogo Walter Alvarez encontrou irídio (elemento químico presente nos meteoritos) e assim pôde apoiar a sua hipótese de que os dinossauros se tinham extinguido devido à queda de um meteorito no Iucatão, no Golfo do México. Há ainda outra hipótese que diz que a extinção dos dinossauros foi causada pela erupção de um megavulcão no Decão (Índia). “Independentemente da causa, esta rocha testemunha esse momento”, salienta Octávio Mateus.
Por enquanto, termina aqui esta viagem, mas já há planos para que continue em breve: haverá ainda a história de outros tempos mais recentes. O trabalho de investigação no museu também continua. Numa sala onde estão estudantes, vê-se um placard com vários artigos científicos de 2017, como o dos ovos de crocodilos mais antigos do mundo. Outra das actividades do museu é o voluntariado. Micael Martinho, de 21 anos, é um dos voluntários e trabalha atentamente no Laboratório de Paleontologia do museu repleto de fósseis. Frequenta o 12.º ano e também ele, um dia, quer ser paleontólogo. Nos últimos tempos, até já descobriu um fóssil e contribuiu para este extenso património de dinossauros
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domingo, setembro 03, 2017

VI Simpósio "Dinosaur Eggs and Babies" 2017

A sexta edição do Simpósio Dinosaur Eggs and Babies a decorrer de 3 a 8 de Outubro de 2017, terá lugar no Monte da Caparica, Portugal.

O simpósio sobre ovos e bebés de dinossauros é um dos mais importantes e prestigiados do mundo nos âmbitos da Paleoologia, a ciência dos ovos fósseis, e do desenvolvimento dos dinossauros e ontogenia. Com a primeira edição em 1999, sobre a alçada da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa em colaboração com Museu da Lourinhã, e realizado regularmente a cada três a quatro anos desde então, tem representado um impulso significativo nestes campos.


Para a edição deste ano, o principal tópico de discussão proposto é a formação das cascas de ovo.

O programa científico inclui ainda três sessões plenárias, cada uma delas direccionada para um dos temas nucleares: biomineralização de ovos e ossos, ovos de dinossauros e desenvolvimento de dinossauros.


Mais informações no site da FCT-UNL:

+(351) (212 948 573) ext 10205

Ou nas redes sociais:

Twitter: @VIDinoEggsBabi
Facebook: /VIDinoeggsandBabies/


terça-feira, julho 25, 2017

Entre 11 e 13 de Agosto, os dinossauros saem à rua



“Dinossauros Saem à Rua”, iniciativa organizada em parceria entre o GEAL – Museu da Lourinhã, a Câmara Municipal da Lourinhã e a União de Freguesias da Lourinhã e Atalaia, é um evento de âmbito cultural e turístico que visa a divulgação da ciência e do conhecimento, designadamente no domínio da Paleontologia, tendo fins pedagógicos e de entretenimento e lazer.


Estão previstas, para os dias 11, 12 e 13 de Agosto, diversas actividades destinadas ao público de todas as idades: ateliers, exposições, jogos e experiências cientificas, animação de rua, street food, conferências e cinema 360º, para citar algumas. 

Mais informações em:

Guegoolithus turolensis e a estrutura conservativa da casca de ovo


Foi recentemente publicado na revista científica Journal of Iberian Geology, o artigo The conservative structure of the ornithopod eggshell: electron backscatter diffraction characterization of Guegoolithus turolensis from the Early Cretaceous of Spain, dos investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, Miguel Moreno-Azanza e Octávio Mateus, e da Universidade de Zaragoza, Blanca Bauluz e José Ignacio Canudo.
A ooespécie em análise, Guegoolitus turolensis, da família Spheroolithidae, do Cretácico Inferior de Espanha, foi primeiramente descrita no Barremiano da Bacia Ibérica e posteriormente identificada no Valanginiano-Hauteriviano da Formação de Cameros, dois achados separados espacialmente por uma centena de quilómetros e temporalmente por mais de dez milhões de anos.

Moreno-Azanza et al., 2017.

Estudos levados a cabo por este grupo de investigadores permitiram identificar não só diferenças pouco significativas entre os espécimes destas duas ocorrências (separadas por dez milhões de anos), interpretadas como sendo derivadas do facto de serem ovos de postura pertencentes a duas espécies diferentes, mas também semelhanças cristalográficas importantes com as cascas de ovos de Maiasaura do Cretácico Superior da América do Norte.
A análise das semelhanças e diferenças cristalográficas e estruturais encontradas sugere que as propriedades físicas das cascas de ovos desta espécie de dinossauros ornitópodes se mantiveram invariáveis durante, pelo menos, oitenta milhões de anos, implicando comportamentos de reprodução, nidificação e incubação semelhantes nesta linhagem de dinossauros ornitísquios. 




segunda-feira, julho 03, 2017

Anfíbio e réptil do Triásico expostos no Museu Nacional de Arqueologia

Está patente, desde o passado dia 21 de Junho, na galeria poente do Museu Nacional de Arqueologia, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, a exposição monográfica "Loulé. Territórios, Memórias e Identidades".

Fachada da entrada da exposição. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

A exposição é uma iniciativa conjunta dos Museus Nacional de Arqueologia e Municipal de Loulé e reúne um acervo com mais de 500 bens culturais que testemunham os últimos sete milénios de história do maior e mais povoado concelho do Algarve, Loulé. Os bens culturais provêm de 13 instituições distintas, entre as quais se destacam o Museu Municipal de Loulé e o Museu Monográfico do Cerro da Villa, o Museu Nacional de Arqueologia, o Arquivo Municipal de Loulé, a UNIARQ – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, os Museus Municipais de Faro, da Figueira da Foz, de Arqueologia de Albufeira e de Silves, a Universidade do Algarve, a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, o Museu da Lourinhã e a Imprensa Nacional Casa da Moeda.
A mostra divide-se em vários núcleos que revelam os achados paleontológicos e arqueológicos que melhor testemunham a história do concelho de Loulé. 
O ponto de partida da exposição é dedicado ao apontamento "Loulé há mais de 220 milhões de anos" onde se destacam os achados paleontológicos, com 227 milhões de anos, realizados por uma equipa internacional de investigadores, liderada pelo paleontólogo e investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, Octávio Mateus. 
Acompanhados por ilustrações de Joana Bruno, alguns dos resultados de seis anos de escavações paleontológicas, um crânio e uma mandíbula de Metopossaurus algarvensis e uma mandíbula e dentes de fitossauro, anfíbio e réptil do Triásico respectivamente, compõem este primeiro momento expositivo.
Núcleo expositivo dedicado aos achados paleontológicos da região de Loulé. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

Metopossaurus algarvensis. Ilustração por Joana Bruno. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

Crânio e mandíbula de Metopossaurus algarvensis. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

Fitossauro. Ilustração por Joana Bruno. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

Mandíbula e dentes de fitossauro. Fotografia por Nathaly Rodrigues.

Seguem-se outros testemunhos importantes para o concelho, divididos em três secções: a secção Territórios, que apresenta o concelho na sua diversidade geomorfológica - o litoral, a serra e o barrocal, a secção Memórias, que expõe, por ordem cronológica, sete núcleos arqueológicos onde figuram, a título exemplificativo, a escrita do sudoeste e as mais antigas actas conhecidas em Portugal , e a secção Identidades, onde são revelados os rostos de achadores, cuidadores e doadores de bens culturais de Loulé. 
A exposição, comissariada por Victor S. Gonçalves, Catarina Viegas e Amílcar Guerra, da Universidade de Lisboa, Helena Catarino, da Universidade de Coimbra e Luís Filipe Oliveira, da Universidade do Algarve, estará aberta ao público até 30 de Dezembro de 2018.

quinta-feira, abril 06, 2017

A importância da ilustração científica na reconstrução paleontológica

A ilustração científica é uma componente visual de extrema importância na divulgação científica. A associação de uma referência visual, como a representação desenhada do objecto de estudo, a um contexto de transmissão de conhecimento agiliza a sua compreensão, assimilação e divulgação.

No artigo agora publicado na revista científica Journal of Paleontological Techniques, Simão Mateus e Emanuel Tschopp, colaboradores do GEAL - Museu da Lourinhã,  descrevem a metodologia de ilustração subjacente à reconstrução de um crânio de dinossauro saurópode Galeamopus da colecção do Sauriermuseum Aathal, na Suiça.


"Apatosaurus Max", desenhado por Simão Mateus publicado no Journal of Paleontological Techniques, Number 17, Mar 2017

Abstract
High-quality scientific illustration is an important visualization tool for natural sciences. In paleontology, drawings help to guide the reader to important features of the fossils under study, and to remove irrelevant information or strong shadows that might obscure parts of photographs. Furthermore, drawings allow for the deformation of the fossils to be corrected. However, for an accurate interpretation of these reconstruction drawings, it is important to provide a detailed report about the creation of the drawings. Herein, we describe the methodology of the reconstruction drawing of a skull of the sauropod dinosaur Galeamopus. After preparation and reconstruction of the skull in the laboratory, illustrations were needed to correct natural deformations, restore missing parts, and highlight critical features for anatomical recognition of the several bones. The illustrations were successful thanks to the collaborative work between the paleontologist and the illustrator.


quinta-feira, março 23, 2017

Dinossauros em tamanho real vão invadir ruas da Lourinhã

Dinossauros em tamanho real vão invadir ruas da Lourinhã. Replicamos aqui integralmente a notícia da TVI:

Dinossauros à solta

São seis modelos, em tamanho real, vão ser colocados em diversas ruas, a partir da próxima segunda-feira


Seis modelos em tamanho real de dinossauros que viveram há 150 milhões de anos vão, a partir de segunda-feira, ser colocados em diversas ruas da Lourinhã para promover a ‘capital dos dinossauros', anunciou hoje a câmara.
O maior dinossauro, o carnívoro tiranossauro rex, tem 13 metros de comprimento e quatro de altura e vai ficar exposto frente aos Paços do Concelho, enquanto o mais pequeno, um carnívoro alossauro juvenil, tem 2,90 metros de comprimento e 1,30 metros de altura e pode ser visitado no Posto de Turismo da vila, disse o vereador do planeamento estratégico, Vital do Rosário, à agência Lusa. Os dinossauros do Jurássico Superior, período a que pertence a maior parte dos achados paleontológicos do concelho (distrito de Lisboa), vão ficar expostos até agosto.
Com a iniciativa, o município tem como objetivos "promover a Lourinhã como ‘capital dos dinossauros' e lançar o novo projeto museológico do Parque dos Dinossauros", cuja construção arrancou em janeiro e deverá abrir ao público no início de 2018.
"Estamos a cumprir os prazos previstos", afirmou em nota de imprensa Franz-Josef Dickmann, um dos promotores alemães, também detentores do Dinopark, um museu dos dinossauros localizado na cidade alemã de Münchenagen, e representante da empresa PDL, constituída para construir e gerir o Parque dos Dinossauros da Lourinhã.

Os seis modelos de dinossauros à escala real são os primeiros a chegar à Lourinhã dos cerca de 120 que o parque vai ter como uma das atrações turísticas. O projeto museológico corresponde a um investimento de 3,5 milhões de euros, dos quais dois milhões são financiados por fundos comunitários já aprovados, no âmbito do Programa Operacional Competitividade e Internacionalização - COMPETE 2020.
O Parque Jurássico da Lourinhã vai ocupar, numa primeira fase, dez dos 30 hectares do terreno onde funcionou a antiga lixeira municipal.
Contempla a construção de um edifício com área de exposição de achados paleontológicos, loja e laboratório de preparação de fósseis e de um parque ao ar livre, para exposição de mais de uma centena de modelos de dinossauro em tamanho real. "O maior dinossauro terá um comprimento superior a 23 metros", adiantou Franz-Josef Dickmann.
Para o Turismo de Portugal, o Parque Jurássico da Lourinhã é um "projeto de características marcadamente diferenciadoras, tomando como base um recurso particularmente relevante do ponto de vista científico e histórico" - achados de dinossauros com 150 milhões de anos.
Para aquela entidade, o Parque dos Dinossauros da Lourinhã é visto como um projeto de "grande impacto para o desenvolvimento turístico da região", pela capacidade de atrair turistas e dinamizar a economia local. O parque deverá receber por ano 200 mil visitantes.
Desde há dez anos que a Câmara Municipal ambiciona ter um novo museu, para dar a conhecer os achados paleontológicos. Contudo, o projeto, cujas construção e abertura ao público chegaram a ser anunciadas várias vezes, tem vindo a ser adiado por falta de financiamento. O atual museu, por ser exíguo e não ter dimensão para expor toda a coleção de fósseis de dinossauro, atrai por ano 25 a 30 mil visitantes.

Fonte:
http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/camara/dinossauros-em-tamanho-real-vao-invadir-ruas-da-lourinha

terça-feira, março 07, 2017

Dinossauros da Lourinhã em exposição em França



Decorrerá, entre 18 de Março e 8 de Abril, na vila francesa de Deuil-La Barre, a exposição "Jurassic Deuil", fruto da colaboração entre a Câmara Municipal da Lourinhã, a congénere francesa de Deuil-La Barre, nos arredores de Paris, e o Museu da Lourinhã. Apresentar-se-à ao público com actividades diversas que incluem ateliers temáticos, exposições e conferências.

Programa completo disponível aqui.




Segundo o site do Museu da Lourinhã:

Exposição do Museu da Lourinhã viaja até França!
No âmbito do protocolo de geminação existente entre os Municípios da Lourinhã e de Deuil-la Barre (França), o Museu da Lourinhã e estas duas entidades abraçaram o projeto de levar de novo a Lourinhã a terras francesas, através da realização de uma exposição temporária de paleontologia intitulada “Os Dinossauros da Lourinhã em Deuil-la Barre”. Esta exposição decorrerá entre os dias 18 de março e 8 de abril do corrente ano, simultaneamente em dois espaços distintos da vila francesa.

Num dos espaços, onde estará patente a exposição propriamente dita, o público poderá apreciar vários fósseis e réplicas de algumas das espécies mais emblemáticas da Lourinhã, como sejam o Lourinhanosaurus antunesi, o Miragaia longicollum ou o Zby atlanticus. Também estarão presentes réplicas de crânios de Ceratossauro e Brachiosauro, ossos longos doutras espécies, pegadas e invertebrados, assim como de ovos de dinossauros!
Na outra sala, dirigida principalmente ao público mais novo, a exposição irá funcionar como um complemento contextual e pedagógico. O que é a geologia, o que é a paleontologia, porque a Lourinhã é tão rica em fósseis de dinossauro? São algumas das perguntas a que a exposição irá responder. As crianças poderão tocar em réplicas e até mesmo num fóssil, simular a descoberta e a escavação de fósseis numa caixa de areia! Serão ainda organizados ateliers para os mais novos, afim de encenarem trabalhos de preparação de fósseis.
Finalmente, dois dos nossos investigadores, Octávio Mateus e Bruno Pereira, irão estar presentes em dois momentos distintos, para apresentarem a riqueza do espólio da Lourinhã e de Portugal. Outros investigadores franceses também irão conferenciar sobre temas da paleontologia.

Este é um grande trabalho de colaboração para estreitar os laços entre as nossas comunidades e divulgar mais uma vez o nome e o trabalho do Museu da Lourinhã além-fronteiras!

exposição temporária Museu Lourinhã em França


Fontes:
http://www.deuillabarre.fr
http://www.museulourinha.org
http://www.leparisien.fr/deuil-la-barre-95170/deuil-la-barre-veut-devenir-la-capitale-europeenne-du-dinosaure-05-02-2016-5518505.php



sábado, outubro 22, 2016

Finalmente... parque e novo museu de dinossauros à vista!

Finalmente... parque de dinossauros e novo museu à vista! Após um desejo e luta de quase 20 anos, finalmente há perspectivas reais de termos o parque e novo museu dedicado à Paleontologia na Lourinhã. Parabéns a todos os envolvidos da PDL - Parque dos Dinossauros da Lourinhã, Câmara Municipal da Lourinhã, GEAL - Museu da Lourinhã e a todos que acreditaram e apoiaram este projecto.
Trata-se de uma nova localização, com área de parque onde se poderá ver reconstituições de dinossauros e outros fósseis no exterior, e um novo espaço interior dedicado à museologia dos fósseis reais de dinossauros da Lourinhã. A gestão será privada, pela PDL, e com forte incentivos à Ciência.
Este investimento é o maior alguma vez feito num equipamento no concelho da Lourinhã e também representa um avanço significativo no apoio à paleontologia, como ciência.

Replicamos aqui a notícia do Público:




Parque de dinossauros à vista na Lourinhã

Terá 250 réplicas de dinossauros em tamanho real, exposições de fósseis e um laboratório científico. Início da construção previsto para 2017, abertura ao público para 2018.



O parque Jurássico da Lourinhã, que terá como atracções fósseis e réplicas em tamanho real de dinossauros, vai começar a ser construído em 2017, anunciaram esta quinta-feira os seus promotores, assegurando o financiamento através de fundos comunitários.
O promotor do projecto é a sociedade PDL – Parque dos Dinossauros da Lourinhã, empresa do grupo alemão detentora do Dinopark, um museu de dinossauros na cidade alemã de Münchenagen. Em comunicado, a sociedade PDL refere que a candidatura do projecto a fundos comunitários foi aprovada e que assinou com o Turismo de Portugal o contrato de co-financiamento para a criação do parque na Lourinhã – “um passo determinante para a concretização do projecto”.
Com o financiamento garantido, os promotores do projecto estimam desenvolver ainda este mês “medidas de preparação na área do parque” e apontam para 2017 a construção de um parque ao ar livre, com 250 réplicas de dinossauros em tamanho real, e de um edifício com área de exposição de achados de dinossauros com 150 milhões de anos, uma loja e um laboratório de preparação de fósseis. “Todo o complexo deve ser aberto ao público em 2018.”
À espera de 200 mil visitantes por ano, este é considerado um “projecto âncora para o desenvolvimento turístico” da região. O Parque Jurássico da Lourinhã vai ocupar, numa primeira fase, dez dos 30 hectares do terreno onde funcionou a antiga lixeira municipal. Desde há dez anos que a câmara municipal ambiciona ter um novo museu, para dar a conhecer os achados paleontológicos daquela que é considerada a “capital dos dinossauros” em Portugal.
Contudo, o projecto, cuja construção e a abertura ao público chegaram a ser anunciadas várias vezes, tem vindo a ser adiado por falta de financiamento. Para ser concretizado, foi redimensionado e o investimento foi reduzido de 20 para cerca de cinco milhões de euros.
Em 2011, o município alterou o Plano Director Municipal para viabilizar a construção do parque no Pinhal dos Camarnais e entregou o projecto a privados, cedendo por 50 anos o terreno.
Em Setembro de 2016, o município e o Grupo de Etnografia e Arqueologia da Lourinhã (GEAL) – que gere o actual Museu da Lourinhã e é o detentor do espólio e conhecimento científico – estabeleceram um protocolo com o promotor do parque, a que a Lusa teve acesso.
Ao abrigo da cooperação, as entidades locais autorizam a exposição dos achados de dinossauro no novo museu, continuando a investigação científica a ser feita por paleontólogos do GEAL.

No mapa-múndi da paleontologia

Após a abertura do parque, a sociedade PDL vai atribuir ao GEAL um apoio financeiro anual para as escavações, preparação e investigação científica dos achados. Esse financiamento será calculado em função do número de visitantes por ano: entre dez mil euros (até 50 mil visitantes) e os 130 mil euros (se ultrapassar os 300 mil visitantes), sendo 80 mil euros a verba a arrecadar por 150 a 200 mil visitas.

Ossos, desenho e réplica dos embriões de dinossauros da Lourinhã NUNO FERREIRA SANTOS
Mas, se a verba ultrapassar um milhão de euros ao fim de dez anos, pode cessar ou ser reduzida, motivo pelo qual, na última assembleia municipal, o PSD levantou dúvidas sobre o protocolo celebrado pela maioria socialista.
A Lourinhã tornou-se a “capital dos dinossauros” e também ficou conhecida mundialmente a partir de 1997, quando foi então revelada a descoberta de fósseis importantes – ovos com embriões de dinossauros carnívoros bípedes. Com 150 milhões de anos (do Jurássico Superior), os ovos fossilizados tinham sido encontrados em 1993 na praia da localidade de Paimogo. Estavam num ninho enorme, onde um grupo de fêmeas tinha posto mais de uma centena de ovos, e colocaram desde então a Lourinhã no mapa-múndi da paleontologia.
Já em 2013, a menos de dez quilómetros da praia de Paimogo, voltaram a descobrir-se mais fósseis de ovos, desta vez na praia de Porto das Barcas, na localidade de Atalaia. Mais exactamente, encontraram-se centenas de fragmentos de cascas de ovos, com ossos de embriões e dentes, também com 150 milhões de anos.
Estes dois achados (da praia de Paimogo e da praia de Porto das Barcas) são os fósseis de ovos de dinossauros carnívoros mais antigos do mundo. Outros fósseis, além dos ovos, têm sido encontrados na Lourinhã. Ovos ainda antigos, só os de dois dinossauros herbívoros, encontrados na África do Sul e na China, ambos com cerca de 190 milhões de anos.
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