Mantell ficou famoso por ter sido ele a estudar um dos mais antigos registos de dinossauros: o Iguanodon, do Cretácico inferior de Inglaterra. Este dinossauro foi assim chamado pela forma característica dos seus dentes fazendo lembrar os das iguanas aos olhos do paleontólogo. Na verdade, Mantell era médico, mas dedicava-se à história natural por prazer simplesmente. Curiosamente, o Iguanodon foi entretanto descoberto em muitas outras localidade da Europa, nomeadamente na Bélgica nas minas de carvão de Bernissart (que deu origem ao nome espécie Iguanodon bernissartensis)de onde foram recolhidos inúmeros indivíduos; mas também em Portugal (descritos na monografia de Sauvage 1897-98) e na Ásia (Iguanodon orientalis).
Foi na sua publicação "Notice on the Iguanodon, a newly discovered fossil reptile, from the sandstone of Tilgate Forest, in Sussex".
segunda-feira, novembro 17, 2008
Paleontólogos históricos II: Gideon Mantell
sexta-feira, novembro 14, 2008
Paleontólogos históricos I: Barnum Brown

Não sei bem porquê mas o que dantes me parecia uma grande seca - história da ciência - cada vez aprecio saber mais sobre sobre este domínio. Talvez por tomar consciência do legado histórico que recai sobre os ombros dos novos cientistas... mas essa parece uma explicação demasiado racional: o que é certo é que gosto!
Barnum Brown (1863-1963) epitomiza o sonho de qualquer paleontólogo. Ele foi contemporâneo de Marsh e Cope (que serão abordados a seu tempo) no início da sua carreira e foi um exímio descobridor de fósseis. Aliás, foi esta característica de excepção que o levou a arranjar emprego no American Museum of Natural History e a que tomasse a alcunha de Mister Bone. Apesar de não ser tão prolífico como Marsh e Cope - relembro que Marsh erigiu 80 géneros e espécies de dinossauros, hoje muitos deles sinónimos contudo - as suas valências para descobrir fósseis contrabalançavam de longe essa lacuna. Entre os vários dinossauros que nomeou destacam-se o Ankylosaurus, Corythosaurus, Pachycephalosaurus. Barnum Brown viveu num período ao qual hoje em dia se chama a "primeira dinossauromania", a segunda viveu-se nos anos 1980 e julgo decorrer até hoje. Na altura os dinossauros eram o motivo de deslumbramento de todos porque eram novidade.
Não tenho nenhuma referência para atestar estes factos, são coisas que a minha memória foi involuntariamente guardando.
domingo, novembro 09, 2008
Berbicachos taxonómicos

Muitas vezes nomear novas espécies e géneros é mais uma arte que uma ciência, isto especiamente antes do advento da filogenia que facilita em larga escala o trabalho dos taxonomistas. No século XIX (e até mesmo uma durante parte do século XX) novas espécies e géneros eram erigidos em notas de rodapé ou em legendas de figuras e, claro, sem uma diagnose adequada. Geralmente só muito tempo depois é que este material era novamente revisto e estudado convenientemente de modo a aferir a validade destes novos taxa, muitos deles continham problemas... já num post anterior me referi ao "disparate" que era o género Steneosaurus (um crocodiliforme do clado Thalattosuchia), com mais de cinquenta espécies atribuídas a esse género. Mas especialmente no clado Dinosauria - que tem sido alvo de extensa análise nos últimos tempos - os berbicachos taxonómicos acumulam-se como nos seguintes géneros: Hadrosaurus, Titanosaurus, Triceratops... Pode ser realmente muito confuso rever a validade destes taxa, principalmente na paleontologia, com espécimes incompletos ou dispersos por vários museus e, com a agravante de que as regras do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica não são nada fáceis. Na verdade, não é só a questão da sinonímia (espécies/géneros erigidos que afinal eram iguais a outras entretanto já erigidas também)... são também os nomen oblitum, os nomen dubium, os nomen vadum, nomen nudum, ou os nomes previamente ocupados. E ora porque nos devemos preocupar em saber se este ou aquele género baseado em determinado material está bem ou mal nomeado? É que as espécies e os géneros servem de base para estudos mais abrangentes... Como é que então se poderia fazer uma lista de todas as espécies de dinossauros, por exemplo, se na verdade uma boa percentagem de nomes dessa lista não são válidos? Como extrapolar sobre a biodiversidade de um dado grupo ou sobre as origens de um outro se não sabemos que espécies existiram realmente? Foi por isso que Mike Benton, um prestigiado paleontólogo da Universidade de Bristol, Inglaterra decidiu aferir... Em suma ele pretendia responder à seguinte pergunta: se eu quiser fazer uma lista de todos os dinossauros qual é o risco que corro de que essa lista esteja mal construída? Ele realmente chegou a conclusões interessantes, entre as quais: cerca de 50% dos nomes de dinossauros são sinónimos, uma boa porção dos taxa são baseados em material muito fragmentário (o que faz com que se possam nomear dois géneros diferentes com base em material diferente, um dente e um fémur, por exemplo... que pode na realidade pertencer a um mesmo género), a descoberta de novos taxa está geralmente associada à exploração de novas bacias. E uma série de outras cnclusões de elevada importância. O melhor mesmo é consultar o artigo, aqui fica a referência:
Benton, M. J. 2008 How to find a dinosaur, and the role of synonymy in biodiversity studies. Paleobiology 34(4): 516-533.
Se não tiverem acesso ao artigo eu posso, como é claro, disponibilizá-lo.
sábado, novembro 08, 2008
Homenagem a Choffat

Paul Choffat foi o verdadeiro pioneiro da Geologia de Portugal. Foi ele que esboçou os primeiros cortes geológicos, foi ele que interpretou as primeiras formações, foi ele que recolheu os primeiros fósseis e o seu legado é ainda hoje uma preciosa fonte de informação. É certo que outros antes dele também fizeram um trabalho meritório na Geologia de Portugal, mas é - sem margem para dúvidas - o seu trabalho o mais influente entre os pioneiros.
A FCT/UNL decidiu também homenagear o seu trabalho, clicar aqui.
Para saber mais sobre a sua biografia, clicar aqui.
sexta-feira, outubro 31, 2008
Tectónica de placas... nos anos 30

De vez em quando quando procuro por artigos aparecem umas pérolas engraçadas. É interessante vermos que quando as coisas não batem certo na ciência, os factos têm que ser "forjados" a adaptar-se ao paradigma actual... Realmente o podia fazer Moodie na sua tese de doutoramento, quando a teoria tectónica de placas ainda não tinha sido postulada, quando ainda não se tinha sequer vasculhado o fundo dos oceanos e detectado a crista médio-Atlântica. Reparem que no mapa está hipotetizada uma grande mancha de terra ligando a América do Sul e África... pudera! Não havia explicação possível para a semelhança de faunas entre estes dois continentes senão...ligar os dois continentes, assumindo que os continentes não se "moviam" relativamente uns aos outros. O mesmo para a posição da Índia!
domingo, outubro 19, 2008
Um pouco da história da publicação Sauvage (1897-1898)

Paul Choffat, geólogo de profissão, suiço de origem e recrutado então pela Direcção de Trabalhos Geológicos de Portugal tinha por missão cartografar o Mesozóico português. No decorrer do seu trabalho de campo, Choffat encontrou ínumeros vestígios de vertebrados, desde peixes a ictiossauros, desde o Cabo Espichel a São Pedro do Sul. Aconteceu que, Choffat não estava minimamente preocupado esses achados, pois as suas atenções incidiam principalmente na cartografia e... o intresse bioestratigráfico dos vertebrados era então considerado limitado, pelo que datações relativas dificilmente se poderiam obter com base nesses vestígios. Foi assim que Choffat decidiu entregar os espécimes recolhidos ao preeminente paleontólogo francês da altura: Henri-Emile Sauvage. Este assim descreveu nas edições da Direcção dos Trabalhos Geológicos o material recolhido até então, e, esta publicação é ainda hoje - sem dúvida - um marco histórico na paleontologia de vertebrados de Portugal.
Para uma melhor contextualização da época dois pontos de vista têm de ser tidos em linha de conta, por um lado o furor ao virar do século XX que existia na Europa sobre a paleontologia no geral, e, por outro, a libertação de fundos pela maioria dos governos europeus para a investigação/cartografia dos recursos geológicos nacionais. O primeiro ponto tem que ver com o desabrochar da paleontologia enquanto ciência e, por motivos que ainda hoje estão para descobrir, o fascínio pelos fósseis que desde sempre moveram as pessoas. O segundo ponto é igualmente crucial, pois aliado ao facto de se perceber melhor o potencial dos recursos geológicos do país, vinham os fósseis; que, sem a mobilização dos recursos monetários suficientes nunca permitiriam que a publicação de Sauvage e de tantas outras na Europa fosse possível.
Este post foi inspirado numa conversa e conhecimentos de Carlos Natário, de modo que partilho a autoria com ele.
quarta-feira, julho 02, 2008
Paleontólogos Pioneiros: Henri-Émile Sauvage (1842-1917)
O zoólogo francês Henri-Émile Sauvage (1842-1917) foi o primeiro a publicar um artigo científico citando a ocorrência de dinossauros em Portugal. Embora tenha desenvolvido sobretudo trabalho na ictiologia, os peixes fósseis devem ter sido a ponte para o seu interesse na paleontologia e nos dinossauros.
Sauvage é autor de, pelo menos, 50 artigos científicos de
H.E. Sauvage, Les crocodiliens et les dinosauriens des terrains Mésozoïques du Portugal, Bull. Soc. géol. France 24 (1896) 46–49.

H.E. Sauvage, Vertébrés Fossiles du Portugal, Contribution à l'étude des poissons et des reptiles du Jurassique et du Crétacé. Direction des Travaux Géologiques du Portugal, 1897–1898, pp. 1–46.
Agradeço à Natalie Bardet (http://www.mnhn.fr/) por ter disponibilizado estas imagens de Henri Sauvage.