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quinta-feira, março 05, 2009

O que é, realmente, um fóssil?


Começo por dizer que assumo desde já a minha "douta ignorância" e, talvez, em de esta ser uma “pergunta a quem sabe” seja, isso sim, a quem sabe mais um bocadinho ou a quem pensou um bocadito mais sobre um determinado assunto. Estas questões de definições são muitas vezes meros exercícios académicos mas, sem dúvida que pensar sobre eles pode gerar conclusões engraçadas. As definições são, como é claro, importantes mas restringem a um número finito de palavras aquilo que é inefável: uma determinada realidade. Mas, por outro lado, criam limites mais objectivos a um conceito abstracto. Neste caso o conceito que queremos definir é: fóssil. É um conceito e não uma realidade. Passo a explicar: geralmente quando se pensa em fósseis
imaginam-se calhaus com a forma de osso, ou dentes muito preservados, duros que nem pedra. Mas, não é nestes casos que incide o problema da definição. Sabemos que não é nos vestígios de organismos mineralizados (i.e. transformados em pedra) que incide o nosso problema, mas sim nos casos limite: será um mamute siberiano congelado um fóssil? Será uma múmia egípcia um fóssil? Serão fósseis os vestígios ósseos de cadáveres de elefantes no Serengueti? Não deixa de ser difícil estabelecer uma fronteira clara.Para contornar esta questão alguns paleontólogos erigiram uma
barreira arbitrária aos 10.000 anos, que é a fronteira do Holocénico e, além disso, coincide com o aparecimento do Homo sapiens e uma glaciação. Ou seja, a partir do momento em que o Homem começou a ter impacto substancial na alteração do meio ambiente (sim! porque não foi só a partir da Revolução Industrial, já há 10.000 anos
eventos de extinção tem sido atribuídos à caça feita pelos homens; por exemplo, a extinção das megafaunas Norte-Americana e Australiana). Mas repare-se que esta definição não é inerente ao fóssil em si, mas sim a uma realidade que lhe é paralela e, de certo modo, independente: é uma definição antropocêntrica, em vez de ser
relativa ao fóssil em si. Isto é, que raio tem o aparecimento do Homem a ver com o estado de fossilização de um mamute, suponhamos? Não me parece correcto! Repare-se ainda que podemos encontrar vestígios com 8.000 anos muito mais diageneticamente alterados que vestígios com 14.000 anos (chama-se diagénese ao conjunto de processos de transformação dos sedimentos em rochas, nos quais se podem incluir os sedimentos orgânicos que darão origem aos fósseis). Portanto, a questão do Homem e dos 10.000 anos parece passar um pouco ao lado deste assunto. Isto leva-nos a crer que a nossa
definição tem de ser intrínseca aos próprios vestígios e tem de abranger estas situações limite. Parece-me então que uma boa definição seria: "todos os vestígios
somáticos de organismos afectados por um qualquer processo diagenético". Somático, porque exclui os chamados trace fossils, mas também pegadas e afins. De organismos e não orgânicos, porque a evidência tem de ser directa, e isto exclui os coprólitos
(defecações fossilizadas), ou sinais orgânicos peculiares tais como alterações dos níveis de isótopos estáveis de oxigénio – ao contrário dos isótopos radioactivos, que se desintegram, há alguns isótopos que não variam as suas concentrações ao longo do tempo. Contudo, esta definição exclui, por exemplo os mamutes siberianos...
porque eles estão simplesmente dessecados e congelados, e não diageneticamente alterados. Pelo que, ao abrigo desta definição, mamutes congelados não são fósseis.
Mas poderíamos tentar incluir também os mamutes, e poderíamos alterar a nossa definição para algo do género: "todos os vestígios somáticos de organismos cujo decaimento biológico esteja inibido". Ou seja, não são permitidas alterações por
bactérias aos vestígios dos organismos. Mas isto é um bocado estranho, porque então qual é a legitimidade que teríamos para dizer que o mamute é fóssil mas o frango que temos no congelador não é? Apesar de ser mais exclusiva, a primeira definição parece ser a mais adequada.

Fotografia: Ricardo Araújo

Publicado concomitantemente no Boletim do Museu da Lourinhã nº 13.

domingo, outubro 19, 2008

Um pouco da história da publicação Sauvage (1897-1898)


Paul Choffat, geólogo de profissão, suiço de origem e recrutado então pela Direcção de Trabalhos Geológicos de Portugal tinha por missão cartografar o Mesozóico português. No decorrer do seu trabalho de campo, Choffat encontrou ínumeros vestígios de vertebrados, desde peixes a ictiossauros, desde o Cabo Espichel a São Pedro do Sul. Aconteceu que, Choffat não estava minimamente preocupado esses achados, pois as suas atenções incidiam principalmente na cartografia e... o intresse bioestratigráfico dos vertebrados era então considerado limitado, pelo que datações relativas dificilmente se poderiam obter com base nesses vestígios. Foi assim que Choffat decidiu entregar os espécimes recolhidos ao preeminente paleontólogo francês da altura: Henri-Emile Sauvage. Este assim descreveu nas edições da Direcção dos Trabalhos Geológicos o material recolhido até então, e, esta publicação é ainda hoje - sem dúvida - um marco histórico na paleontologia de vertebrados de Portugal.
Para uma melhor contextualização da época dois pontos de vista têm de ser tidos em linha de conta, por um lado o furor ao virar do século XX que existia na Europa sobre a paleontologia no geral, e, por outro, a libertação de fundos pela maioria dos governos europeus para a investigação/cartografia dos recursos geológicos nacionais. O primeiro ponto tem que ver com o desabrochar da paleontologia enquanto ciência e, por motivos que ainda hoje estão para descobrir, o fascínio pelos fósseis que desde sempre moveram as pessoas. O segundo ponto é igualmente crucial, pois aliado ao facto de se perceber melhor o potencial dos recursos geológicos do país, vinham os fósseis; que, sem a mobilização dos recursos monetários suficientes nunca permitiriam que a publicação de Sauvage e de tantas outras na Europa fosse possível.


Este post foi inspirado numa conversa e conhecimentos de Carlos Natário, de modo que partilho a autoria com ele.

quinta-feira, outubro 09, 2008

imagens (quarta)

Acho que falhei a de quarta... por isso cá ficam duas imagens da Patagónia a compensar...

Cretácico superior de Neuquén, no local onde estas fotos foram tiradas os dinossauros (até agora) escasseiam mas as paisagens são fantásticas!
























(Clicar nas imagens para aumentar)
























Publicado simultaneamente no Conjurado

terça-feira, outubro 07, 2008

Imagens (terça)

Vestígios de hidrocarbonetos (petróleo)





















Publicado simultaneamente no Conjurado

segunda-feira, outubro 06, 2008

Imagens (segunda)

Cretácico Superior da Formação de Neuquén.
É perfeitamente visível a estratificação entrecruzada, sinal da presença de rios neste local no final do Cretácico.





















Publicado simultaneamente no Conjurado

domingo, dezembro 28, 2003

GEOLOGIA

Fossilização: A fossilização, processo que conserva os vestígios de seres vivos, requer muito tempo. O processo mais comum de fossilização é a petrificação em que a matéria orgânica de um animal ou planta é substituída pelos minerais do sedimento circundante.
Os ossos fossilizados não têm a cor branca original porque absorveram os minerais dos sedimentos circundantes que alteraram a sua cor.

Cronologia: Os geólogos dividiram o passado da Terra em Eras, Períodos e Idades de acordo com as características geológicas e tipo de seres vivos naquele tempo. Como a Vida começou há cerca de 3500 milhões de anos a unidade usada pelos geólogos para medir o tempo é 1 Milhão de Anos.
Os dinossauros viveram durante a Era Mesozóica que se divide em 3 Períodos: Triásico, Jurássico e Cretácico. Os dinossauros da Lourinhã são todos do Jurássico Superior.
Do ponto de vista geológico o aparecimento do Homem na Terra é muito recente. Extrapolando toda a história da Vida para a duração de um ano o Ser Humano só teria aparecido nos últimos minutos de 31 de Dezembro.

Paleogeografia: Os continentes movem-se muito lentamente na crosta terrestre, fenómeno chamado deriva continental. Durante o Jurássico Superior a Europa estava dividida em várias massas de terra e a América encontrava-se relativamente mais próxima.

Extinção: Todos os dinossauros não-avianos extinguiram-se há, pelo menos, 65 milhões de anos. Os cientistas ainda discutem qual, ou quais, os fenómenos que causaram essa extinção.

sexta-feira, novembro 14, 2003

COMO SER PALEONTÓLOGO?

Pergunta

> Eu sei que primeiro temos que tirar uma licenciatura em Biologia e é, o
> curso que em príncipio vou tirar.Depois temos que fazer um mestrado ou um
> doutoramento em paleontologia (que é o que tu estás a fazer, não ?).
> Isto é sempre assim e no que consiste um doutoramento em Paleontologia
Carlos Marques (Madeira)

Resposta
Não basta gostar de dinossauros nem saber todos os nomes destes animais para se ser um paleontólogo. A Paleontologia, parte das Ciências da Terra e da Vida, é uma disciplina técnica que requer uma carreira académica que passa, obrigatoriamente, por uma licenciatura em Biologia ou Geologia. Tradicionalmente eram os geólogos que, ao recolherem os fósseis, procediam ao seu estudo; mas uma base em Biologia pode ser muito vantajosa, uma vez que se estudam restos de seres vivos. A seguir requer um mestrado ou doutoramento mas não existe mestrado em paleontologia em Portugal.
Os doutoramentos são uma das fases avançadas da carreira académica. Um doutorando tem de desenvolver uma importante investigação original e inédita que é avaliada por um júri de cientistas da área.
Existem poucos postos de trabalho para paleontólogos mas, para mim, é a mais fascinante profissão.